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Moacyr Netto
postado em 12 12:37:22/08/2016

Moacyr Netto atuou em algumas das agências mais criativas do Brasil, como Almap BBDO, a Ogilvy São Paulo e DM9DDB, tendo trabalhado nos últimos 7 anos com campanhas tradicionais e integradas, envolvendo o universo digital. O profissional já conta com mais de 130 prêmios relevantes, como 4 Cannes Lions em 2016, D & AD, London, One Show, Webby Awards, DMA Echo Awards, Clio, entre muitos outros. Também fez parte do júri de importantes premiações, como Cannes Lions, London, New York Festivals, El Ojo, Fiap, Clube de Criação, entre outros. Atualmente atua como VP e Diretor de Criação da agência W3haus em São Paulo.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Moa.

 

Eu cheguei a começar faculdade de ciência da computação, na Ufes, em Vitória. Escolhi porque gostava de matemática e era o curso mais novo e concorrido. Mas cursei 2 meses, boa parte deles no bar jogando pebolim, e achei chatíssimo, regrado demais. Sem espaço pra criatividade. Pulei fora e decidi fazer comunicação, pois curtia muito escrever, e vim pra São Paulo. Acho que o que me atraiu naquele momento foi a possibilidade de ganhar a vida expressando criatividade, sem grandes rotinas e limites. 

 

PortfolioLovers. 

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Moa.

 

 Acho importante sentir se você tem uma atração pelo que é diferente, pelo novo, ou se fica mais confortável com o que já existe e deu certo. Precisa gostar de gente, de entender as pessoas e suas motivações internas. Gostar de arte, cinema, literatura, enfim, das técnicas para emocionar e envolver as pessoas. E precisa saber conviver com a pressão diária de ter que criar algo novo, que responda aos objetivos do cliente num tempo limitado. Lidar bem com essa pressão e com um índice alto de frustrações são parte do dia dia de todo criativo.    

 

PortfolioLovers. 

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Moa.

 

Eu acho importante ter um pouco de tudo. Na agência a gente cada vez mais precisa de pessoas que joguem nas onze, pois cada briefing e cada cliente está em um estágio diferente de marca e tem necessidades específicas. E nem tudo precisa ter sido feito, ao ver uma pasta a gente avalia o potencial criativo da pessoa e não somente os trabalhos realizados. Nesse sentido, também vale incluir trabalhos pessoais que de alguma forma ilustrem a capacidade do criativo de se expressar.  

 

PortfolioLovers. 

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Moa.

 

As pessoas, as pessoas, as pessoas. Referência publicitária te inclina perigosamente a fazer o que já foi feito. Referências de execução ajudam, mas não mascaram a falta de um bom insight para uma boa ideia. Saber encontrar as verdades não óbvias das pessoas que possam se conectar as verdades das marcas pra mim é o mais importante. E isso você encontra na vida real, no google, no bar, no whats, nas crônicas, na sua habilidade e sensibilidade para com o outro. 

 

PortfolioLovers. 

 

Você tem essa experiência bem interessante, de trabalhar em agências de diferentes perfis. Conte um pouco sobre as vantagens e desvantagens, e o quanto isso influenciou na sua visão da profissão.

 

Moa.

 

Eu optei lá atrás por ter uma formação completa. Quando estava começando a ser visto como um especialista em digital fiz questão de trabalhar por 8 anos em agências de perfil tradicional. Hoje, trabalhar em uma agência que priorize a cultura digital é uma escolha, e não uma limitação. Tive a sorte de sempre trabalhar em agências que valorizam muito a criação, o que aumenta a responsa mas ajuda muito na venda e viabilização das ideias. Apesar disso, sempre tive na cabeça que agências são paredes, a vida delas vem das pessoas, e se você estiver focado, se livrar das desculpas, souber lidar com as frustrações e tiver uma ambição criativa genuína, vai conseguir rechear aquelas paredes de criatividade onde quer que seja. 

 

PortfolioLovers. 

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Moa.

 

Resista a tentação de fazer o que já foi feito. Não se entregue ao sistema. Mantenha a ambição criativa em qualquer situação, em qualquer empresa. Não se agarre a um único sucesso. Seja brilhante com consistência e não terá que se preocupar em disputar espaço. Comemore suas conquistas, dê créditos, faça amigos, seja feliz e leve. Viva além da publicidade. Quanto mais rica sua vida fora dela, mais rica sua vida dentro dela. 







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