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Daniell Rezende
postado em 06 19:53:26/04/2016

Daniell Rezende é diretor de criação na Talent Marcel, onde trabalha com muita gente bacana desde 2013. Antes disso, também trabalhou na Artplan do Rio, na Africa e na Moma. Conheceu  gente bacana também em todos esses lugares e se considera um sortudo por isso. 

Nas agências por onde passou (e agora, na Talent Marcel), fez campanhas para uma série de marcas dos sonhos. Se interessa por tudo e é fã descarado de um monte de coisas, como Monty Python, Billy Wilder, Beatles, Blues, Van Gogh, Hemingway e, como você vai perceber nesta entrevista, Mark Twain.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Daniell.

Vamos lá. Primeiro, eu entrei na faculdade de economia. Sempre me interessei pelo assunto. Mas aí me vi tendo que ler Marx, Engels e Schumpeter. Nada especificamente contra o conteúdo - “luta de classes”, “destruição criativa” etc são pensamentos interessantes. Mas os textos em si eu achava chatos pra danar (ou talvez fosse culpa da tradução, sei lá).

Acho que foi aí que eu percebi que eu queria trabalhar escrevendo. Eu gostava mesmo era dos textos, das histórias. Daí pra chegar a redator publicitário foi natural, já que eu, quando criança, prestava mais atenção nos intervalos do que nos programas de TV.Mudei pra faculdade de publicidade e hoje eu tô aqui. Ou seja: se o Karl Marx tivesse chamado o Mark Twain pra ser seu ghost-writer, hoje eu provavelmente estaria trabalhando no mercado financeiro.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Daniell.

Primeiro, isso de “sou criativo, então vou trabalhar em criação” é pouco. (Aliás, sempre achei engraçado esse negócio de a gente se autodenominar “criativo”. Sempre me soa como alguém dizendo “eu sou lindão”.) Criatividade é legal, é bom, é fundamental, mas isso vale pra qualquer coisa que você vá fazer na vida. Minha mãe era RH e foi bastante criativa no trabalho dela.O importante é saber onde você quer aplicar essa criatividade.

Porque ninguém vai pagar você só pra ser loucão. As suas ideias muito loucas precisam estar a serviço de um negócio.E veja bem: isso é ótimo. É legal saber que você usou essa sua loucura pra resolver um problema de comunicação.

Sabendo disso e ainda querendo trabalhar em criação, vai fundo.Por outro lado, acho que tem uma onda muito forte de “ah, tá chato”, “propaganda tá um saco”, “publicitário é isso e aquilo” e chororô em geral. Não é pra se levar por esse papo.Propaganda é legal sim de fazer. É divertido. E se você trabalha direitinho, vai ter a alegria de ver aquele troço que você ajudou a fazer ser comentado no twitter, no bar, no Natal da família – o que é muito gratificante.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Daniell.

O que eu acho legal de ver é ideia boa. Pertinente. Esperta. Com argumento. Seja lá qual for o formato. Se você tem um anúncio de revista com um baita raciocínio, é melhor do que mostrar um filme sem sal ou um aplicativo que não fica em pé, que tá ali só pra cumprir tabela. É claro que ter uma variedade de formatos ajuda sim. E é claro que a gente precisa pensar em formatos diferentes, precisa mostrar que resolve o job com qualquer ferramenta.

Não tô dizendo que não é pra fazer app, nem que o lance é fazer anúncio de revista. Só tô dizendo que antes de tudo, tem que ter uma ideia. Isso também implica em não sucumbir ao briefing fácil (“café que deixa você acordado” é o meu preferido), ao modismo pelo modismo (lembra do QR Code? do Second Life?) ou ao desespero (videocase mostrando um outdoor comum sendo impresso e colado só pra dizer que você tem videocase).

Outra armadilha é a ideia-clone. Você vai fazer uma peça pras Sandálias Itapeva e aí pensa “putz, dá pra fazer uma coisa meio Havaianas aqui”. Não, não dá. Só dá pra fazer Havainas se você estiver fazendo Havaianas mesmo. A graça do negócio é encontrar uma cara única pras suas Sandálias Itapeva. Foi assim que as Havaianas viraram as Havaianas, a Tigre virou a Tigre, os postos Ipiranga viraram os postos Ipiranga.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Daniell.

Mark Twain, youtube e conversa fiada com os amigos.

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Daniell.

Procure trabalhar para os caras legais, em todos os sentidos. Os talentosos e, principalmente, os de bom caráter. É só andar com gente talentosa e prestar atenção, que você vai aprender muito. E se você conseguir não trabalhar com gente mau caráter, vai poupar muito sofrimento. Isso é bem importante.







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