27/03/2017 | 09:34 | RSS | posts: 15203 | comentários: 305 | lovers: 36
Sophie Schonburg
postado em 06 21:35:06/03/2016

Sophie Schonburg é VP de Criação da Pereira & O'Dell Brasil desde outubro de 2014. Anterioramente, passou 19 anos na Almap BBDO, onde trabalhou para todos os clientes da agência, ajudando na construção de marcas como Havaianas, Volkswagen, O Boticário, Visa, Pepsi, HP, Veja, Bayer, Getty Images, Bauducco, entre outras. Hoje, trabalha para clientes como como Jeep, Fiat, Natura, Maggi, Imovelweb, Olympikus, UFC, Marisol.

Não gosta de enumerar prêmios, não porque não goste de prêmios, mas porque, se for para se autoelogiar, prefere citar suas duas melhores criações: Francisco e Caetano.



ENTREVISTA

 


PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 


Sophie.

Não foi exatamente uma escolha. Foi um esbarrão que deu certo. Quando eu era criança, me pergutavam o que eu queria ser quando crescer e eu dizia, sem vergonha na cara: "dona de galeria de arte". Bastante pedante para uma criança, eu sei. Principalmente pelo detalhe do "dona".

Mas sempre fui encantada por arte e pintura (a lógica, portanto, deveria ter me levado à direção de arte). Depois de terminada a escola, eu queria ir para Florença, onde minha irmã morava, para tentar algum curso relacionado à história da arte.

Mas como me sentia na pressão de prestar vestibular, acabei prestando publicidade. Entrei, gostei e arrumei um estágio na W (ainda W/GGK). Impossível um projeto de gente como eu na época não se impressionar com a fábrica de trabalho bom que era a W. Ali, meu olho brilhou. 

 


PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão?

 


Sophie. 

Propaganda não é arte, mas dá para chamar de arte aplicada. Portanto, acho que quem opta por esse caminho, tem que ter, sim, algum interesse maior por tudo o tangencia a arte. Literatura, cinema, fotografia, pintura vão ajudar mais um criativo do que cálculos de uma faculdade de engenharia.

Mas está longe de ser tudo. Porque você pode gostar e não ter nenhum talento. (Para isso, escolas como Cuca e Miami Ad School são ótimas para ver se você leva jeito para entrar na criação.) 

Outro traço importante é saber observar as pessoas. Se você não for meio pscicólogo ou antropológo de botequim vai ter mais dificuldade para chegar ao coração das pessoas. Entenda como as pessoas agem e sentem e entenderá mais facilmente o que elas querem. Tanto individualmente quanto coletivamente.

Outro fator essencial no começo de carreira é não ter pressa. Querer entrar na criação para ganhar um leão no primeiro ano é o começo de uma série de frustrações. Ser resiliente é indispensável.

 


PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 


Sophie.

Temos visto muitas pastas só com videocases. Isso é uma pena. O videocase é um perigo: pode tanto matar uma idéia boa, quanto maquiar uma idéia ruim. O que se busca num criativo, obviamente, é a força e o frescor de uma idéia, de um raciocínio.

Mas parir uma idéia sem alimentá-la com um bom craft pode fazer com que ela não vingue. Então meu conselho para essa geração que está chegando: apliquem-se mais e sempre. Não tenham preguiça de testar todos os jeitos possíveis de entregar uma idéia. Pode ser o caminho mais demorado, mas o mais garantido para se chegar no melhor.

Outra coisa importante para se ter numa pasta: critério. Uma peça muito ruim pode contaminar uma muito boa. Mostre que você sabe escolher.

 


PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 


Sophie.

Três é pouco. Portanto, indicaria três lugares: uma livraria, uma tela de cinema e uma agência de turismo.

  


PortfolioLovers. 

Nossa área, em especial, também vem sofrendo os questionamentos naturais da questão de gênero, tão presentes no momento atual. Como você vê essa predominância masculina na criação e como lida com isso?

 


Sophie.

Assunto complexo, esse. O que vemos nas agências é apenas reflexo do que vivemos na sociedade. Não caberia nessa minha resposta. Portanto, apenas relatarei um momento da minha carreira para tentar explicar o que sinto em relação a isso. Tinha acabado de voltar da licença à maternidade do meu primeiro filho. E ainda dava de mamar. Tinha que sair, portanto, às sete da noite todos os dias, pontualmente. Para isso, mudei meu jeito de trabalhar: mais foco, menos conversa e brincadeiras. E não é que me vi conseguindo entregar o meu trabalho sempre no prazo? Me questionei porque então, antes, eu ficava até às nove, dez da noite.

Simples: porque eu estava obedecendo às regras de um jogo criado por homens. Por homens que não se incomodavam em ficar até tarde na agência justamente porque suas mulheres já estavam em casa cuidando dos seus filhos. Tentando resumir o que não se pode resumir: parar de seguir regras que não foram criadas por nós é um bom começo para se mudar o status quo.



PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 


Sophie.

Nunca se intimide com os NÃOs que você vai ouvir.

E nunca trabalhe para pessoas que você não admira.







Comentários
Nenhum comentário encontrado.
Deixe seu comentário
Digite seu comentário abaixo: