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Felipe Silva, (Pai do Murilo)
postado em 12 17:36:25/07/2016

Niteroiense do Morro do Santo Inácio. Comecei em propaganda contando uma piada e ganhando um estágio na Santa Clara. Passei por outras agências como Casa da Criação, Staff, Mood e hoje estou na África.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers.

Muita gente ficou impressionada com seu texto no Facebook se referindo a chegada de seu primeiro filho, e que reverberou em várias mídias. Fale um pouco sobre as motivações e como foi o retorno disso pra você.

 

Felipe.

Tudo foi só um desabafo de um pai de primeira viagem que estava emocionado. A motivação é que eu estou em São Paulo há 8 anos. As pessoas a minha volta mudaram. E muita gente não sabia de onde eu vim, o que eu sou, o que eu fui. E sempre vejo muita gente falando besteira na Timeline. Por isso, resolvi contar. Virou uma bola de neve. Meu Facebook travou de tanto pedido de amizade. Só de inbox recebi mais de  2000 mensagens. Mas não acredito em retorno pra isso.

Convites pra entrevista, programas de tv e tudo mais, surgiram vários. Mas vamos combinar que isso não é nada. É só vaidade. A única coisa que me importou foram convites pra conversar com crianças carentes. Estes eu aceitei. E me orgulha muito poder fazer isso. E surgiu essa entrevista aqui. Que acho legal, por ser o único convite relativo a minha profissão que pintou.

 

PortfolioLovers.

Apesar do fator talento ter muito peso na nossa profissão, ainda temos um cenário bem conservador na maioria das equipes de criação das grandes agências. Como foi esse desafio na sua história de redator publicitário?

 

Felipe.

Quanto ao preconceito racial, não me afetou. Não porque ele não existe. Mas porque eu sou bacharel pós-graduado em lidar com isso. Muito porque desde cedo decidi não olhar pro lado pra deixar isso me afetar. Eu sempre fui de seguir em frente. Mas acho que o mais difícil é a condição financeira e social. Grandes agências são lugares de classe média alta. Isso é fato.

Eu não tinha grana, então precisava de um emprego que pra bancar a faculdade. E isso me impedia de entrar num estágio em uma grande agência. Tive que recusar várias oportunidades por conta de dinheiro. Depois que entrei, era difícil acompanhar.

Todo mundo na criação é viajado, conhece o mundo, conhece as peças de todos os festivais. Eu nunca tinha saído de Niterói e nem sabia falar inglês. Não entendia nada das peças de Cannes que todo mundo achava genial. Então tive que correr muito atrás pra conseguir alcançar esse pessoal. 

 

PortfolioLovers.

Muitos estudantes ou jovens profissionais de outras regiões do Brasil sonham em trabalhar em grandes agências de São Paulo. Agora que você está inserido nesse mercado, como avalia essa experiência e quais as vantagens e desvantagens de atuar nele?

 

Felipe.

São Paulo não é o único caminho para quem quer ser publicitário. Mas é o caminho mais promissor. É onde estão as grandes agências e grandes clientes. E onde estão profissionais de todo o Brasil. É uma das maiores metrópoles do mundo.

Não é a mesma coisa de nenhuma cidade no Brasil. Mas se você quer trabalhar aqui, prepare-se bem. Mente, corpo e espírito. E mete a cara.

Vantagens e desvantagens são particulares pra cada um. Você descobre a realidade pra você. Mas uma coisa eu garanto: é possível. É foda pra caralho, mas é possível.

 

PortfolioLovers.

O que imagina para o seu futuro? Pensa em trabalhar fora do Brasil ou até em voltar para o Rio em um outro patamar profissional?

 

Felipe.

Nunca pensei em trabalhar em outro país. Nem sei se volto pro Rio. Na verdade, eu procuro pensar pouco no futuro. Sempre repito uma frase: um dia de cada vez, sem pressa. E assim vou sonhando e realizando o meu dia. Não fico fazendo planos e definindo onde quero chegar. Eu preciso é sempre ir mais e mais longe, seja lá onde for isso. Pode ser Rio, pode ser NY.

 

PortfolioLovers.

Se fosse começar tudo novamente, desde o dia que decidiu entrar na faculdade, o que faria diferente?


Felipe.

Trabalharia o dobro.







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