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Rubens Mendes
postado em 06 19:58:44/05/2016

 

Rubens Mendes é diretor de arte na Publicis de Lisboa. Veio trabalhar na terra do Pastel de Belém em meados de 2015. Antes disso vivia em São Paulo, onde trabalhou nas agências Eugênio, Euro RSCG (Atual Havas), AlmapBBDO e F/Nasca Saatchi&Saatchi. Agora em 2016 foi selecionado para representar Portugal em Cannes na competição Young Lions.

E está tão surpreso quanto você por ser o convidado do mês.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Rubens.

Quando criança adorava desenhar. Com o passar do tempo, fui pensando em qual profissão poderia usar essa "habilidade". Pensei em arquitetura, mas achava muito técnico. Pensei em artes plásticas, mas achava muito abstrato. Então na adolescência fiz um curso técnico de Design Gráfico, e lá tive uma matéria de Publicidade. Foi amor ao primeiro trabalho em aula.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão?


Rubens.

Quem na infância tem uma veia mais artística, geralmente tem propensão para a área. Mas além disso, acho que o melhor sinal é a curiosidade e a vontade de inovar. Como diz o humorista Murilo Gun, a criatividade é uma ferramenta para solucionar problemas. E em publicidade não é diferente, os criativos solucionam problemas de comunicação para as marcas. E para essa solução funcionar tem que ser o mais interessante e diferenciada possível. Por isso, acho um ótimo indicativo quando temos um problema e tentamos resolver ele de uma forma diferente, mesmo que seja temporariamente. E para aqueles que gostam, admiram, e querem ser criativos mas não se sentem criativos, eu digo: criatividade é só questão de praticar. Todos somos criativos, aqueles que parecem mais criativos apenas desenvolveram e estimularam mais esse lado.


PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Rubens.

Para mim, no portfólio só há uma regra: Os trabalhos tem que mostrar o seu melhor. 

Isso permite que tenha qualquer formato publicitário na pasta, inclusive uma pasta muito variada. O que não pode, é colocar só para mostrar diversidade mesmo sendo uma peça ruim. Isso prejudica muito o conjunto todo do seu portfolio. Outra questão é sobre colocar apenas peças que saíram. De verdade não há problema nenhum em ter fantasmas na sua pasta, principalmente no começo de carreira. Outra coisa que vale são os projetos pessoais, que  mesmo não sendo publicidade mostram sua criatividade e a qualidade do seu trabalho. 

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Rubens.

O site que mais utilizo para referências gráficas é o Pinterest. Tanto para pesquisas específicas quanto ao seguir perfis. Há muita referência boa por lá. Vale a pena usar e ir sempre alimentando seus boards.

 

Acompanho também alguns portfólios de designers, e recomendo aqui dois. Jonathan Mak (http://www.jonmak.com/). O mais interessante desde portfólio é o processo criativo e experimental das coisas. Alguns projetos nem sequer mostram o resultado final, ou mesmo a finalidade do projeto. 

Ji Lee (http://pleaseenjoy.com/). No portfólio dele o mais legal são os estudos minimalistas, a brincadeira entre significante e significado.

 

E também quero citar uma designer que conheci a pouco tempo. Corita Kent é designer, mas também é freira. Vale a pena pesquisar mais sobre sua história e trabalhos. 

 

PortfolioLovers. 

Você tem essa experiência desejada por muitos hoje em dia, de trabalhar fora do Brasil. Conte um pouco sobre as vantagens e desvantagens, e o quanto isso influenciou na sua visão da profissão.

 

Rubens.

Trabalhar em outro país é muito interessante e no meu caso está sendo muito bom, tem valido muito a pena. Consegui um bom reconhecimento por ter vindo para Portugal, que aumentou ainda mais, após ter sido selecionado no Young Lions. Em outros países os brasileiros são conhecidos pela qualidade e agilidade, e isso atrai oportunidades. E é muito bom viver em outro país, conhecer uma nova cultura, ter mais facilidade para viajar por outros países e aumentar o network conhecendo pessoas de diferentes nacionalidades e principalmente outros brasileiros. Mas como nem tudo são flores, esteja preparado para talvez encontrar mercados menores que o Brasil, o que resulta em budget menor para os briefings. E claro, se preparem também para a dificuldade com a mudança, deixar família e amigos, questões de visto, burocracias, um pouco de preconceito com imigrantes, etc., principalmente no início. 

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Rubens.

Acho que o maior conselho que posso dar agora para quem quer começar na carreira é: tenha ídolos - pessoas do mercado que você admira. E se possível, trabalhe com elas para aprender o máximo que puder. Caso ainda esteja no início e não consiga trabalhar com essas pessoas, use os trabalhos delas como referência para o seu trabalho (mas tome cuidado para que a referência não vire plágio). 

 

Na minha carreira busquei e busco até hoje trabalhar com pessoas que eu admire. Com elas pude aprender muito, tanto na parte prática quanto no amadurecimento profissional.







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