29/03/2017 | 08:07 | RSS | posts: 15215 | comentários: 305 | lovers: 36
Convidado do Mês
Fernanda Romano
Sócia e diretora de criação da Naked Brasil
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 09/08/2013 @ 00:17

 

Eu não tenho uma descrição da minha pessoa. Aliás, acho esse pedido um pouco "sacana", porque é claro que eu me descreveria de uma maneira diferente do que outras pessoas me descreveriam e, muito provavelmente, nenhuma das descrições seria correta. Sou baixinha, brava, teimosa, tô ficando velha e trabalho muito. Além da conta. Serve isso como descrição? Mais tecnicamente; sou formada em Administração Pública pela FGV, trabalhei em Marketing, em start-ups de Internet antes da bolha (sim, sou velha) e em agências diversas. Saí do Brasil em 2005 e, desde o ano passado, fico entre São Paulo e NY. E meu barato é escrever. Adoro. Queria fazer isso da vida. Só isso.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Fefa.

Não sei se eu preciso ir tão fundo pra saber por que eu escolhi essa profissão. Eu sempre fui fascinada pela capacidade da comunicação manipular as pessoas. Essa é a mais pura verdade. Poucas vezes paramos pra pensar que a associação de um líquido marrom e gasoso e cheio de açúcar à felicidade é totalmente irracional. Ou que ganhamos concorrências muito mais por causa da maneira que o time que está na sala apresenta do que porque nossa campanha é incrível, original e divertida. No final, tudo em que acreditamos, tudo a que nos afiliamos e tudo o que fazemos é porque nos foi comunicado que era o que deveríamos fazer ou buscar de uma maneira convincente. 

Foi por isso que eu acabei buscando testar a propaganda. Ver se eu gostava, se eu me dava bem. Eu queria testar a minha própria capacidade de criar fantasias que as pessoas achassem plausíveis. Queria saber se eu era capaz de entender seres humanos a ponto de provocar comportamentos. Nada maquiavélico - se fosse essa a minha ambição eu tinha ido para a política que também sempre me fascinou nesse sentido.

Eu não sei se foi racional a esse ponto, mas me lembro de um dia, numa aula de economia (macroeconomia, pra ser mais exata) na faculdade ter me dado conta que a única matéria prima que não acaba para um ser humano é a ideia. A gente sempre pode ter ideias. Eu não preciso ser dona de fábrica, eu não preciso ser dona de terras. Eu tenho meu cérebro e minha educação - ainda bem que meus pais eram malas com isso - e minha capacidade de pensar. Se eu somasse isso à minha energia de executar, eu conseguiria criar valor. A propaganda me parecia um mercado onde gerar valor através de ideias era um processo legítimo. Resolvi experimentar.

Importante dizer que também ajudou o fato de que eu cresci muito próxima a dois grandes redatores: Claudio Carillo e Luis Toledo. O Claudio era meu vizinho e eu fugia pra casa dele quanto arrumava confusão em casa. Ele dizia que eu era uma rebelde com causa. Eu sempre achei que eles eram pessoas divertidas e que pareciam se divertir (e muito) no trabalho. Queria viver uma vida assim.

 

PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?


Fefa.

Não existe sinal de ser ou não criativo. Isso é a maior bobagem em que a galera que tem medo de sombra quer que a molecada acredite. Uma vez eu li uma pesquisa que dizia que quando se faz teste de criatividade em crianças, mais de 95% qualificam como criativos e que, na medida em que vamos crescendo, vamos perdendo essa capacidade por diversos fatores. Não acho que a pessoa deve se questionar quanto à sua capacidade de ter ou não ter ideias. Todos podemos ter ideias. Isso define o ser humano. O que a pessoa tem que questionar é o quanto ela está disposta a batalhar pra fazer sua ideia acontecer. É a tal máxima de 1% inspiração e 99% transpiração, ou o que o Woody Allen fala sobre 80% do sucesso é aparecer (pra trabalhar).

Trabalhar em qualquer capacidade em que sua missão é criar significa muito sofrimento. Significa se questionar o tempo inteiro, significa acordar durante a noite atormentado por uma ideia. É o que eu disse antes: você não está juntando peças físicas para montar uma coisa que alguém outro determinou ou plantando sementes. Está olhando para o vazio e tentando preenchê-lo. E isso é muito doloroso. Portanto, pra mim, os fatores que se deve levar em consideração ao escolher uma carreira assim são três: ser curioso, ser modesto e estar disposto a suar muito.


PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Fefa.

A pasta tem que ser um reflexo de quem o cara é. Eu gosto de ver trabalho, mas gosto de ver alguma coisa autoral também. As fotos, o blog, o playlist, sei lá. Pasta é um treco frio e muitas vezes a gente vê a mesma coisa na pasta de várias pessoas diferentes, porque hoje em dia ninguém consegue fazer nada sozinho. Na verdade, faz tempo que ninguém faz nada sozinho, mas hoje isso ficou mais claro.

Eu talvez não seja a melhor pessoa pra responder essa pergunta. Nunca contratei uma pasta. Quero a pessoa. Quero saber o que ela estudou, onde estudou, pra onde viajou e por que escolheu esses lugares. Mais do que um videocase, quero saber se o cara fala Inglês. A pasta serve pra eu tentar entender o critério da pessoa. Se ela escolheu colocar aqueles dez trabalhos, então ela acha aqueles dez trabalhos representativos de seu melhor e se o seu melhor não me parecer tecnicamente bom, pode ser que eu não perca meu tempo em conhecer a pessoa. Mas isso é injusto, não acha?

Eu leio os emails que vêm pra gente com as pastas e analiso desde o subject até como a pessoa se apresenta. Por que ela decidiu mandar a pasta. Resposta honesta? Acho que eu não vi as pastas das últimas cinco pessoas que eu contratei. Alguém viu, disse que era boa e eu tomei a decisão numa conversa ou por causa de algo em que a pessoa estava trabalhando. Outra coisa que eu faço é pedir redação. Especialmente pros iniciantes. Se não souber escrever, contar uma história de alguma forma, eu tenho uma mega resistência a querer conhecer. Fazer pasta é fácil. Encarar um papo honesto são outros quinhentos.


PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

 

Fefa.

A rua. A Internet (eu uso Flipboard e Reddit). Galerias de Arte.

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Fefa.

Eu não tenho filhos, portanto acho que minha resposta será menos útil, mas... Se um dos meus filhos quisesse ser criativo publicitário, eu faria um pouco de bullying e mandaria ele ou ela para a Califórina conviver um pouco no meio da galera que está mudando o mundo com as novas start-ups em tecnologia, saúde, energia sustentável e novos modelos econômicos e diria que a criatividade pode e deve ser expressada de diversas maneiras e gerar valor para si e para o mundo em que vivemos. E diria para ele ou ela que decidisse o rumo de sua vida profissional depois de tentar algumas outras coisas.

 

 




 


Beto Fernandez
Diretor Geral de Criação da Ogilvy São Paulo
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/07/2013 @ 12:56

Com 18 anos de profissão, iniciou a carreira como Diretor de Arte em Curitiba, onde trabalhou na Exclam e na Master. Em São Paulo teve passagem pela DM9DDB, AlmapBBDO e JWT, até integrar o time da Ogilvy São Paulo em 2012 como Diretor Geral de Criação. Ao longo da carreira atendeu clientes importantes como: Johnson & Johnson, Unilever, Coca-Cola, HSBC, Shell, Microsoft, Hotel Emiliano, Cadbury Adams, Ambev, Bayer, Diageo, Nestle, Ford, Volkswagen, Audi, Honda, Alpargatas, Editora Abril,  Boticário, Masp, Telefonica, TIM, Gol Linhas Aéreas, TAM, Ministério da Saúde, Itaú e Banco do Brasil.

Como jurado já participou dos principais festivais de propaganda brasileiros, como Premio Abril, CCSP Profissionais do Ano e Wave. Internacionalmente já foi jurado em Cannes, D&AD, FIAP e El Ojo de Iberoamerica. Também fez parte do grupo de jurados que escolheu o logo oficial dos Jogos Olimpiadas Rio 2016.

Seus principais prêmios foram: 53 leões em Cannes (2 Grand Prix e 19 de ouro), 3 Lapis no One Show (1 ouro), 15 Clios Awards, Grand Prix no FIAP, 2 Grand Prix no Premio Abril, Grand Prix no Wave e 2 D&AD silver nominations. Foi escolhido o Profissional de Propaganda do Ano do Prêmio Colunistas Brasil 2011.


ENTREVISTA


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Beto.

Acho que foi a profissão que me escolheu.  Eu sou desenhista, quadrinista. Comecei a ilustrar aos 7 anos junto com meu irmão gêmeo Renato. Aos 14 fizemos uma primeira exposição de trabalhos em nossa cidade natal, Curitiba. E disso surgiram varios convites para projetos, desde a  publicação de tiras em jornais diarios no Paraná, até trabalhos publicitários de logos, folders, cartazes. Assim muito cedo já sabíamos que essa era nossa direção, tanto que montamos uma mini-agência de publicidade assim que entramos na Universidade.

Trabalhar em Publicidade foi a forma de manter conexão com o universo da arte, e essa foi a principal razão de ter escolhido esse rumo profissional.


PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Beto.

Antes de mais nada trabalhar em criação exige muita dedicação. Então a escolha nunca pode ser por uma questão financeira, porque não vai dar certo. Não se trata de não ter ambição mas o nível de exigência é tão grande que só vai valer a pena se você tiver prazer de fazer o que gosta. 

A melhor maneira de saber se tem potencial para ser criativo em publicidade é se perguntar se tem potencial para ser criativo em geral, seja qual for a especialidade. Alguém que é criativo como artista plástico, escritor, músico, desenhista, humorista ou escritor tem potencialmente o que se precisa para ser criativo em publicidade. Apenas precisa saber que terá de se acostumar a conviver com criatividade aplicada a necessidades de comunicação de marcas, o que dá menos liberdade que outras áreas criativas.


PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Beto.

Hoje em dia o que eu mais quero ver numa pasta de um criativo é a sua capacidade de pensar, de propor ideias que provoquem as pessoas, coisas que sejam interessantes e relevantes para o publico alvo e não para publicitários.Para mim o grande problema é que quem está começando tem uma tendência a aprender propaganda vendo apenas propaganda, bebendo das mesmas fontes, e aí se acostuma com a ideia de flertar com conceitos e formulas já amplamente visitadas e gastas. Uma pasta tem que fazer por um criativo o que a boa propaganda faz por um produto: diferencia-lo da massa e ajudar a todos a perceberem o que ele tem de bom.


PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Beto.

Em essência criativos precisam ser bons geradores de conteúdo, e não se aprende a fazer bom conteúdo vendo apenas publicidade. É mais fácil ensinar alguém criativo a entender comunicação de marcas que ensinar alguem que sabe tudo de marcas a ser criativo. Então minhas recomendações viriam de outros lados e não da publicidade.

Em primeiro lugar, artes (literatura, artes plásticas, cinema, etc), porque é daí que se deve aprender storytelling, estética, linguagem e como arrumar abordagens interessantes e atrativas. 

A segunda referência são as pessoas de verdade. O criativo tem que ter curiosidade sobre pessoas e suas historias. Acredite, muito do que de melhor a propaganda produziu historicamente vem desse tipo de referência.

E a terceira seria inovação. Ler e participar de eventos que discutam novas tendências e inovações. Pode ser sobre novos produtos, novas tecnologias, o que for. Ano passado estive no South by Southwest e foi uma das experiências mais educativas da minha carreira.


PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Beto.

Tudo que eu e o Renato fizemos na carreira já influenciou meus irmãos mais novos (os 3 trabalham na área), então de uma certa forma sei que é bem possível que meu filho queira também seguir esse rumo.

Eu diria para ele que não é uma carreira nada fácil apesar de sempre parecer fascinante. E que convivi com muitos criativos nesses muitos anos de profissão. Alguns poucos seguiram com sucesso a jornada, e a imensa maioria acabou não conseguindo plenamente realizar os planos de uma grande carreira. Talento acima da média, disposição e humildade de sempre estar aprendendo coisas novas e dedicação incansável ao trabalho foram características comuns que vi nos que chegaram lá.

 






Gustavo Victorino
Diretor de Criação da DM9DDB
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 09/06/2013 @ 20:36

Formado pela London College of Printing, (Londres UK), Gustavo Victorino acumula experiência no mercado nacional e internacional com passagens pela DPZ, Leo Burnett Brasil, Leo Burnett Lisboa, AlmapBBDO e DM9DDB onde atua como Diretor de Criação. Em 13 anos de carreira conquistou importantes prêmios com destaque para 10 Leões em Cannes, Grand Prix no Prêmio Abril, Profissionais do Ano da Rede Globo, Grand Prix no El Ojo, Grand Prix no Wave Festival além de troféus no Clio Awards, London Festival, Andy Awards, Oneshow e CCSP. Gustavo Victorino foi jurado no D&Ad em 2013 na categoria de Filmes.

ENTREVISTA

PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Gustavo Victorino.

Pra mim a escolha não veio tão simples. Eu fui muito influenciado pelo meu pai e acabei fazendo direito. Não que meu pai fosse um advogado, mas porque meu pai queria que seus filhos seguissem profissões tradicionais. Acabei fazendo a vontade dele e me formando em direito. Durante a faculdade fiz estágio em tudo o que era canto que eu conseguia. Ninguém pode dizer que eu nao tentei. Fiz estágio na procuradoria do estado, na procuradoria do município, no ministério público, em escritorios de várias áreas de advocacia, mas a verdade é que eu não sentia o menor prazer de estar ali.

Nesse momento eu me senti bem perdido. Estava terminando uma faculdade onde eu tinha investido tempo e dinheiro para me formar e tinha certeza que aquilo não era pra mim.

Acho que nesses momentos de desespero a gente intuitivamente acaba achando a solução. Como eu gostava de desenhar - e ganhava uns trocados fazendo as camisetas com as caricaturas dos professores da faculdade - no final do curso comecei a trabalhar em uma agência de propaganda de dois amigos meus, a Tempo Propaganda, em Bauru. Entrei como ilustrador, mas na verdade, eu era um faz-tudo. Lá eu me sentia a vontade. Criava, ilustrava e contava piadas o dia inteiro e naturalmente fui percebendo que aquele ambiente tinha muito mais a ver comigo do que a formalidade dos fóruns de direito da cidade. Comecei então a procurar algum curso para fazer nessa nova area e foi ai que eu descobri um curso fora do Brasil. Incentivado por esses dois amigos, Paulo e Armando, me mudei para Londres logo depois de passar na OAB (um acordo que fiz com meu pai). Como eu tinha dinheiro para ficar somente 3 meses naquele país, comecei a me virar com alguns bicos trabalhando como garçom. Assim morei por um ano e meio em Londres e pude pagar meus cursos na London College of Printing, onde fiz minha primeira pasta que me ajudou a entrar na DPZ. Foi assim que tudo começou.

PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Gustavo Victorino.

Acho que todo mundo que é um criativo, em algum momento da vida, acaba percebendo o seu talento. Na verdade familia e amigos também ajudam a reconhecer ele. Esse talento, ou sinal, pode vir do jeito que você se destaca ilustrando, escrevendo ou mesmo criando piadas. Agora, só ter o talento também não basta. Tem que investir. E investir em criação significa se expor a critérios profissionais, muito mais rigorosos que o critério da familia ou dos amigos. O ponto é que muita gente tem medo de se expor e ser rejeitado. Esse medo acaba abalando na hora da decisão. Portanto se você percebe que tem algum jeito pra trabalhar em criação, não tenha medo de se expor. Quanto mais rápido você fizer isso, mais rápido você vai saber se é um criativo com potencial para trabalhar na criação. E tudo bem se você chegar a conclusão que não tem chances de trabalhar nessa área. Existem outras áreas carentes de gente criativa dentro de uma agencia. Seja um atendimento criativo, um planejamento criativo ou mesmo um mídia criativo. Profissionais assim sao super valorizados pelo departamento de criação e acabam trabalhando juntos.  

PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Gustavo Victorino.

Tudo o que uma agência grande quer ver em uma pasta de um recém formado é o potencial criativo que essa pessoa tem. Não precisa ficar encanado com a produção impecável de cada peça. É muito mais importante perder tempo com uma idéia que seja realmente boa e original do que perder tempo com a finalização. Pelo menos é assim que eu encaro as coisas. É claro que o garrancho nao vai ajudar ninguém, mas uma ideia realmente boa salta na pasta com muito mais força do que uma ideia ruim bem produzida. A minha primeira pasta era uma pasta com ideias “rafiadas”, ou seja, tudo ali era ilustrado, eu não tinha nenhum anúncio finalizado e com ela eu consegui entrar na DPZ. O importante é você deixar na sua pasta somente anúncios fortes. Mesmo que para isso sua pasta fique fina. Uma pasta enxuta com anúncios bons é melhor do que uma pasta gorda e diluída com anúncios bons e medianos. Não é o número que importa e sim a qualidade.

PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Gustavo Victorino.

Ver muitos filmes, viajar bastante e observar o comportamento de outras pessoas. São as que funcionam para mim.

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Gustavo Victorino.

Pela minha propria historia, eu não gostaria de influenciar muito na escolha profissional de ninguém, mas o conselho que eu daria nesse caso seria para meu filho seguir seus próprios instintos, mergulhar de cabeça e tentar se apaixonar pela profissão o mais rápido possível. Trabalhar com criação não é fácil, e se você não tiver paixão e prazer pelo o que faz, você não se destaca e acaba desistindo com a pressão e a competição que existe nesse ambiente. 

 







Milton Cebola Mastrocessario
VP Diretor de Criação na WMcCann Brasil
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 10/05/2013 @ 18:35

Formado em Comunicação Social, desde 1975, eu passei apenas 4 anos fora da McCann-Erickson, quando eu trabalhava no CLA Publicidade em Los Angeles, Califórnia. Iniciei minha carreira como diretor de arte e hoje eu sou Diretor de Criação para marcas como: Nestlé, Ninho, Molico, Nescau Cereal, Nesfit, Sollys, Sorriso (Colgate), Editora Abril, Exército da Salvação, Credit Suisse, American Airlines, Fundação Dorina Nowilll. Também trabalhei em projetos internacionais com a McCann México, Colômbia e Venezuela. Agora, na WMcCann, desde 1 de Maio de 2010, após a fusão entre McCann e W/Brasil, continuo trabalhando como VP Diretor de Criação para a Nestlé, Colgate / Sorriso, American Airlines e outros clientes.


ENTREVISTA.


PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Cebola.

Acho que o que me ajudou a escolher essa profissão foi o fato de ter nascido com talento natural para desenhar, gostar de cinema, de música, assistir TV e ler muito e tudo. Hábitos importantes para quem quer trabalhar com comunicação. A sorte foi que uma tia minha trabalhava na Leo Burnet, e quando eu tinha 12 anos ela me levou para conhecer a agência. Passei então a frequentar a agência. Até que um dia, quando fiz 14 anos, um dos diretores de arte da agência me convidou para fazer um estágio. Gostei tanto que nunca mais sai de propaganda.

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?


Cebola.

Os sinais foram meus talentos naturais. Não tinha atração por estatísticas financeiras ou administrativas. O que eu gostava mesmo era de desenhar, de ir ao cinema, de ouvir música, tocar violão, assistir TV e de ler muito e de tudo. Enfim, os meus talentos se encaixavam melhor no departamento de criação. Minha dica é, prestem atenção nos seus talentos naturais, são eles que dizem o caminho certo a seguir.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?


Cebola. 

Não importa se são anúncios, roteiros, ações, videocases ou qualquer outro tipo de peça de comunicação. O que você não deve ter na sua pasta idéias ruins. Tenha critério. É melhor ter uma grande idéia do que 10 idéias meia boca na pasta.


PortfolioLovers.
 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Cebola.

The Best of One Show, The Best of Cannes e tudo o mais que você puder ver, ouvir e ler.


PortfolioLovers.
 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Cebola.

Se for para trabalhar com criação, nunca abra mão de ser criativo.



 

 

 


Átila Francucci
Sócio diretor de criação e planejamento da Lua.
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 12/04/2013 @ 11:50

Depois de trabalhar como redator nas mais criativas agências do Brasil como DPZ, Almap/BBDO e Young & Rubicam, Átila foi convidado, em 1999, para ser VP de criação da Lowe Lintas, de onde saiu, em 2000, para abrir sua própria agência - Cápsula – que seis meses mais tarde transformou-se em TBWACápsula.

Em agosto de 2002, Francucci assumiu a direção nacional de criação da Fischer América e em maio de 2004, a co-presidência da JWT, sendo um dos seis membros do recém-fundado JWT Worldwide Creative Council. Em 2006 abre sua segunda agência,a Famiglia. Desde 2011 é sócio diretor de criação e planejamento da Lua.

Francucci tem 16 Leões em Cannes e premiações no London Festival, New York Festival, NY Art Directors’ Club, The One Show, FIAP, El Ojo de Ibero America além de vários prêmios nos principais festivais nacionais como: Clube de Criação de São Paulo, Prêmio Abril de Publicidade e Profissionais do Ano da Rede Globo.

Representou o Brasil no Festival de Cannes em duas oportunidades: 98(Press) e 2005(Film). Também fez parte do Júri do Clio Awards, NY Art Directors’ Club, London Festival e Dubai Linx. Em 2000, presidiu o Júri do FIAP.

Recebeu o Prêmio Caboré de Profissional de Criação em 2005.

 

 

ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Átila.

Sempre adorei aviação, mas quando trabalhava na área descobri que uma vida binária (sim-não, positivo-negativo) não alimentava meu espirito. Gosto do “que tal se…”, “e se…”, “pensei que…” Portanto, não era na aviação que eu devia “amarrar meu burro” (dá pra imaginar um piloto perguntando para o controle de tráfego: “e se eu quisesse usar a outra pista?”) Hoje é fácil descrever aquele momento de vida em poucas linhas, mas quando descobri que meu amor de infância, a aviação, não era aquilo que eu imaginava, fiquei perdidinho durante alguns anos. Quando você não sabe o que fazer, melhor não fazer nada. Foi um período enriquecedor porque nessa espécie de scanner gradual de si mesmo, você acaba se conhecendo melhor, suas qualidades e defeitos, seus dons e suas incapacidades. Dessa época, ficou claro pra mim que eu, sendo extrovertido, galhofeiro, um tanto quando avoado, mais um tanto sonhador, apreciador do comportamento humano, com um gostinho especial pelo desafio, com sede de conhecer um pouquinho de cada coisa (nunca muito de uma determinada coisa) e um cara muito ligado em ficção tinha algo a ver com comunicação. E não é que tinha mesmo?

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?


Átila.

Sabe, eu acho que todo mundo que é criativo, no fundo, no fundo, sabe que é criativo. Não é uma constatação que vem de repente, de uma hora para outra, mas basta olhar sua trajetória de vida que os exemplos de exercícios criativos estarão lá. Na minha infância eu tinha alguns times de futebol de botão. Tinha (aliás, ainda tenho, graças a Deus) duas irmãs menores que eu, cujo hobby official era pisar nos meus botões. Para ser justo, acho que cabe dizer que eu também tinha um hobby: virar os olhos das bonecas delas, deixando só o branco do olho aparente. Importante também dizer que o meu hobby precedeu o delas em alguns minutos. Nessas disputas fraternais,  acabou que eu fiquei com um número de botões que só me permitia formar times com 8 jogadores. Tive que inventar um esporte parecido com futebol de botão, tive que inventar alguns times e seus distintivos (Barquinho, Sul Americano, Liceu, Jardim São Paulo, Proeme…), inventei o nome de todos os jogadores, das regras e até um tipo de fogo de artifício oriundo da apertada numa casca de mexerica (ao apertar a casca, sai uma “aguinha” que junto com o efeito sonoro que eu fazia com a boca –tchu-tchu-tchuuuu- resultava numa verdadeira bateria de fogos para celebrar a entrada dos times em campo). Conseguiria enumerar uma série de outros acontecimentos da minha vida pré-publicitária que já sinalizavam um certo perfil criativo. Se dá pra dizer que criatividade não se aprende, também dá pra dizer que ela se desenvolve, se altera, evolui. Mas quem é criativo hoje é porque já foi criativo em muitos “ontem”.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?


Átila.

Muitas vezes alguém que vem me mostrar a pasta abre a sessão dizendo, meio sem jeito: “a maior parte das coisas é coisa que não foi aprovada”. Ao que eu respondo: “olha, eu não estou aqui pra saber como pensa o seu cliente, a sua agência ou o seu diretor de criação. Eu quero ver como você pensa”. Nesse sentido, estou me lixando se foi aprovado ou não. O que conta é o potencial daquela cabecinha sentada na minha frente. Se isso está na forma de anúncio, videocase, roteiro, pouco importa tampouco. A única coisa relevante é se aquilo que está sendo mostrado tem valor criativo, é uma boa ideia.

Outra coisa que me pedem com alguma frequência: “você tiraria alguma coisa da pasta?” Sempre respondo que o máximo que posso e, na minha opinião, devo fazer, é falar o que eu gosto mais e o que  eu gosto menos. É muita responsabilidade dizer para tirar alguma coisa da pasta, porque amanhã essa peça pode fazer a diferença na frente de um outro diretor de criação. O que qualquer entrevistado tem que fazer é, depois de ponderar uma série de opiniões que ele julga relevantes, decidir ele mesmo se tal peça sai ou não.

 

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Átila.

1)Vídeos. Chamo de vídeo tudo aquilo que tem movimento, independente da tela onde é exibida. Portanto aqui se enquadram cinema, TV (ah!, as séries americanas), filminhos de Internet.

2) livros de ficção.

3) a vida que corre lá fora (o que significa: frequente bares, sente nos parques, viaje muito, converse com a empregada sobre a novela, bata papo no taxi, pegue um transporte coletivo de vez em quando e tudo o mais que faz o dia de hoje ser a principal matéria prima da campanha que você vai apresentar amanhã).

 

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


Átila.

O mesmo que daria se ele escolhesse qualquer outra profissão: se para ser um profissional acima da media nessa área você precisar se transformar num ser humano abaixo da media, tente outra coisa.



 


Dulcidio Caldeira
ParanoidBR
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 09/03/2013 @ 18:08

Dulcidio Caldeira nasceu em Curitiba e começou a carreira como redator em 1988. Em 2000, começou a trabalhar na AlmapBBDO. Em 2005, foi o redator mais premiado do país. Em 2007, foi como redator para a BBDO/NY, onde trabalhou por dois anos. Em 2008, voltou para a AlmapBBDO para ser Diretor Geral de Criação da agência. Em 2009, foi apontado pelo Big Won Report como um dos dois Diretores de Criação mais premiados do mundo. Em janeiro de 2010, deixou a Almap e começou a dirigir comerciais na produtora ParanoidBR. Em 2011, Dulcidio co-escreveu e dirigiu o comercial "Balões" para a MTV Brasil. De acordo com o Big Won Report, "Balões" foi o décimo comercial mais premiado do mundo em 2012. Nesse mesmo ano, Dulcidio foi o jurado brasileiro na categoria Craft dos Festivais de Cannes, D&AD e Clio. Seus trabalhos como redator e diretor podem ser vistos em dulcidiocaldeira.com.br

 

 

ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Dulcidio.

Sou formado em Engenharia Civil. Fiz o curso porque não tinha ideia do queria fazer na vida. Quando saí da faculdade, fui fazer um estágio na agência de publicidade do meu pai. Aos poucos comecei a me interessar por criação. Fui ao Festival de Cannes em 1991. Eu era fã do trabalho que a Fallon McElligott estava fazendo na época e resolvi falar com fundador da agência, o Tom McElligott. Sabe-se lá por que, ele topou tomar um café comigo. Perguntei para ele se criação era algo que pudesse ser desenvolvido. Ele contou que, quando serviu na Marinha americana, o sargento dizia para ele dormir com seu fuzil se quisesse ser um bom fuzileiro. E que por isso, no início da carreira, ele não desgrudava dos seus anuários. E confessou que, mesmo assim, demorou quatro anos para fazer seu primeiro anúncio decente. É claro que não escolhi a profissão por causa dessa história. Mas passei a me dedicar a ela de uma forma diferente depois disso. Acho que trabalhar com ideias é um privilégio. A publicidade é uma das poucas profissões onde você pode exercitar a criatividade em diversas áreas e ainda ganhar um bom dinheiro.

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Dulcidio.

A criatividade é só uma das qualidades necessárias para essa profissão. É preciso disciplina para encarar a página em branco todos os dias. Cabeça dura para não desanimar vendo suas idéias rejeitadas dia após dia. Um otimismo inabalável. E teimosia para colocar as idéias em prática a qualquer custo.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Dulcidio.

Qualquer tipo de boa idéia vale. Como é muito pouco provável que alguém no começo de carreira  tenha colocado algo interessante na rua, o melhor é inventar peças para clientes conhecidos. Pouco importa se a peça é verdadeira. Não apostaria em roteiros. Pouca gente tem paciência para lê-los em uma pasta. Se você tem uma câmera e uma ideia simples, filme. Além de criatividade, vai mostrar iniciativa.

 

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Dulcidio.

Kubrick, Michael Jordan e Blues Brothers.

 

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Dulcidio.

• Comece cedo.

• Conheça o que já foi feito.

• Anote desde já tudo de interessante que passar pela sua frente: conversas de bar, piadas, imagens, frases de livros, falas de filmes. Acredite, você vai precisar de munição lá na frente.

• Não dependa dos outros para colocar ideias em prática.

 

 

 


Wagner Brenner
Fundador do Update or Die
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 06/02/2013 @ 12:02

Wagner Brenner, fundador do Update or Die. Ex-Diretor de Criação da McCann. Trabalha de bermuda, mas trabalha muito.

 

ENTREVISTA.


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Wagner Brenner.

Como a maioria, escolhi publicidade por achar que tinha um potencial criativo. Com o passar dos anos entendi que além de criativo era preciso também entender as engrenagens do consumo. Hoje procuro usar essa criatividade e experiência em consumo em favor de aprendizagem informal. Antes eu "embalava" Coca-Cola, agora "embalo" conhecimento. Informação é viciante, mas sempre veio embalada com jeitão acadêmico demais. O mundo do saber precisa dos publicitários. Resumindo, mais do que uma profissão, acabei escolhendo uma filosofia de vida, um propósito de vida. E trabalho duro para poder viver desse privilégio.

 

PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Wagner Brenner.

Quando a gente é jovem, tem uma visão ingênua sobre a criatividade na publicidade. 

A primeira coisa a fazer é transformá-la em uma visão realista.  Criatividade em publicidade significa trabalho duro, no meio de pessoas tão geniais (ou mais, que você), humildade, administração do ego em favor de objetivos mais mundanos de consumo e não de expressão artística.

Outra ponderação a fazer é se a sua criatividade precisa necessariamente estar em um departamento de criação. Apesar do departamento ter esse nome, não é o único lugar em que a criatividade pode florescer. No meu tempo era a melhor aposta, hoje tem creative planning, tem internet, tem empreendedorismo, start-ups, e muito mais.

Você vai ter que transformar sua criatividade em criatividade-aplicada.

 

PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Wagner Brenner.

O objetivo da pasta, principalmente no início de carreira, é mostrar potencial. Ao contrário de um CV, serve mais para mostrar o que você pode ser e não o que você já foi. Muitas vezes é mais legal fazer uma campanha fictícia do que mostrar que você fez um anúncio da concessionária do seu tio que saiu de verdade no jornal. Mas tenha bom senso, também não adianta chutar o balde e levar os desenhos psicodéligos que você fazia e sua mãe adorava. Além de avaliar a qualidade do seu trabalho, quem vê uma pasta presta atenção também no seu critério do que é bom ou ruim. Use coisas fictícias, mas dentro do universo de comunicação. Outro dia postei um rebranding da National Geographic maravilhoso. Não era um job de verdade, mas eu contrataria o cara. Para profissionais mais experientes, obviamente o critério muda e passa a valer a parte curricular.

 

PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Wagner Brenner.

Bom, vou começar puxando a sardinha pro meu lado. A primeira é o Update or Die. Mas não é falsa modéstia porque eu sou apenas um dos updaters. Aprendo muito todos os dias com os outros colaboradores e com comentários de leitores. Desenhamos o UoD justamente para isso.

A segunda referência  é a anti-referência. Não busque todas as referências na própria propaganda. Busque universos mais distantes. Não repita formulinhas manjadas. Quando for a praia, converse com o pescador que traz os peixes na canoa. Viva a vida e entenda de pessoas e de consumo. 

A terceira fonte é resultado da mistura entre o que entra na sua cabeça e as coisas que já estavam lá antes. O que quero dizer com isso é que as coisas mais legais são aquelas que você acrescenta algo, que você contextualiza usando sua própria experiência de vida e profissional. No Update or Die eu digo para os updaters: "compartilhe o que você aprendeu" (e não apenas replique algo que você viu por aí).

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Wagner Brenner.

"Tem certeza?" Hehehe, brincadeira. Acho que diria para ele buscar mais um propósito do que uma profissão. Antigamente a gente escolhia uma profissão e seguia com ela a vida toda. Hoje estudos mostram que os jovens terão várias profissões até se aposentarem. Se é assim, melhor apostar no auto-desenvolvimento e ficar atento onde pode desaguar sua criatividade. Eu diria: "desenvolva suas habilidades e fique atento as oportunidades. Elas virão aos montes, mas passam de mansinho, tem que ficar atento".

 

 

 

 


MARCELO LOURENÇO & PEDRO BEXIGA
Fuel Lisboa
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 07/01/2013 @ 13:09

Entrevista concedida em Setembro de 2012 ao site da revista Luerzer’s Archive.

Marcelo Lourenço e Pedro Bexiga trabalham juntos como dupla desde 1999. Depois de trabalhar na Leo Burnett Lisboa, Lowe e na Euro RSCG como diretores de criação,  foram convidados em 2006 para lançar a Fuel Lisboa, a nova agência do Grupo Havas em Portugal. Começaram com quatro pessoas e uma conta (Volvo) e hoje estão no top 3 das agências mais rentáveis do país. Em 2012, a Fuel foi eleita pelo jornal Meios e Publicidade, uma das agências mais premiada de Portugal.

Pedro Bexiga se considera um cara legal (ou, como se diz em Portugal, um “gajo porreiro”). Marcelo Lourenço, que é brasileiro (no Brasil, trabalhou na Taterka, na Young & Rubicam e na Carillo Pastore), se diz “o último criativo brasileiro que ainda não voltou para o Brasil”.


NO MOMENTO ESTÃO A TRABALHAR EM …

ML: Estamos dando muito duro para conseguir manter o sucesso de 2011, quando a Fuel foi a agência mais premiada do ano e a terceira colocada no ranking das agências (nota: no final de 2012, a agência foi novamente uma das mais premiadas e acabou o ano em segundo lugar no ranking das agências portuguesas).

PB: Estamos a trabalhar na campanha 2013 do Continente, a maior rede de hipermercados de Portugal, e um dos nossos clientes mais importantes. 


O TRABALHO MAIS CRIATIVO QUE VOCÊS VIRAM ULTIMAMENTE FOI …

ML: A série “Modern Family” porque uma série com a Sofia Vergara não precisava de mais nada e mesmo assim eles são a coisa mais original e bem escrita da mídia. E fazem isso todas as semanas.

PB: O filme “Susan Glenn” da Axe, com o Kiefer Sutherland. Não importa o quão macho você seja, há sempre uma rapariga que irá fazer você sentir-se um fraco. Isto é a mais pura verdade. Por isso o filme é tão sensacional.


O QUE NÓS INSPIRA É … 

ML: O trabalho da Meryl Streep. Quando ela entra em um filme, não importa se o filme é uma merda, a atuação dela é sempre tão boa que puxa todo o filme pra cima. É isso que tentamos fazer: ser as Meryl Streeps da propaganda. 

PB:  Essa foi uma ótima resposta.


ESTE ANO (2012) VÃO ESTAR EM …

ML: No Eurobest, com certeza, que acontece pelo segundo ano consecutivo aqui em Lisboa (e também volta à cidade em 2013). Na semana que vem, também vou estar na reunião de Pais e Mestres da escola das minhas filhas.


AQUILO QUE MAIS CHAMOU A SUA ATENÇÃO NOS ÚLTIMOS FESTIVAIS FOI … 

ML: "The Hardest Job in the World". Olha, se a Procter and Gamble consegue fazer trabalho assim tão bom, ninguém tem mais desculpa pra fazer merda.

PB: "Three Little Pigs", da BBH London para o jornal Guardian. É simplesmente brilhante. Também tive o privilégio de assistir uma apresentação inspiradora do John Cleese, feita exclusivamente para o Grupo Havas este ano em Cannes.

 

A MELHOR ÉPOCA PARA SER CRIATIVO É …

ML: É agora porque o digital trouxe de volta aquela época quando os clientes não achavam que sabiam tudo.

PB: Quando as coisas estão a mudar radicalmente. Ou seja: agora. 

 

A PRÓXIMA GRANDE NOVIDADE DA PROPAGANDA SERÁ …

ML: Descobrir que o digital já é coisa do passado

PB: A ideia. Ela será sempre “a Grande Novidade” …

 

O ULTIMO TRABALHO QUE VOCÊS GOSTARIAM TER FEITO FOI …

ML: Uma campanha brasileira para a construtora Carvalho Hosken. Que ideia tão simples: você vai comprar uma casa neste novo empreendimento imobiliário, marca a visita pela internet e quando chega lá, o “apartamento modelo” está todo decorado com as suas fotos do Facebook. Faço uma vênia aos criativos da Artplan Brasil.

PB: Acho que é o GT Academy Online, da Sony Playstation e da Nissan, onde você pode começar a vencer corridas no vídeo game e acabar por transformar-se num piloto de corridas a sério. É uma daquelas ideias que só aparece uma vez na vida.


SE FIZESSEM UM FILME SOBRE A SUA VIDA, QUEM INTERPRETARIA O SEU PAPEL … 

ML: O Clive Owen. Mas ele recusaria por medo de ficar marcado pelo papel.

PB: O Michael Palin. Isso seria engraçado.


NA NOSSA INDÚSTRIA, QUEM VOCÊ ADMIRA …

ML: O Remi Babinet e tudo que os caras da BETC Paris fazem. Acho também que a David, a nova agência da Ogilvy, vai ser a bola da vez. Mas o meu sonho secreto é trabalhar um dia com o grande Washington Olivetto.

PB: Eu admiro toda a gente que faz trabalho genial, que corre riscos e quem muda o nosso negócio diariamente. Não vou dizer nomes porque provavelmente esqueceria uns 10 ou 12 deles.


O PAPEL DE PAREDE NA TELA DO SEU CELULAR É …

Na tela não tem nada mas nas costas do meu I-Phone tem uma capa preta (eu sou fã do Batman) cheia de corações, arco-íris e póneis (eu sou fã do Batman mas tenho duas filhas pequenas). 

PB: Henrique, o meu filho.


O SEU PROJETO DE SONHO SERIA …

ML: Criar algo que seria aprovado pelo Steve Jobs

PB: Fazer algo com o Lance Armstrong, com a Nike e com os Kraftwerk. Daí sairia algo realmente interessante.

O QUE VOCÊS PROCURAM EM UM JOVEM CRIATIVO É …

ML: Alguém que não tem medo de nada. E isso inclui não ter medo de mim. 

PB: Eu procuro alguém que tenha entusiasmo, que nunca deixe de acreditar e que não tenha medo do trabalho.

 

UMA CRÍTICA QUE JÁ ME FIZERAM …

ML: Você é muito “brasileiro” (o que, ultimamente, virou elogio). 

PB: Que sou muito teimoso.

 

A ÚLTIMA MÚSICA QUE VOCÊ OUVIRAM FOI …

ML: Uma música dos “One Direction” ... e não me pergunte o porquê ...

PB: "Hurry Up We’re Dreaming", dos M83.

 




Wilson Mateus
Diretor de Criação da DM9DDB
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 10/12/2012 @ 23:53

Diretor de Criação da DM9DDB desde fevereiro de 2011, “Don” Mateus já passou pelas agências mais premiadas do Brasil, como AlmapBBDO, F/Nazca S&S, Neogama BBH, Young&Rubican entre outras. Trabalhou para algumas das maiores marcas presentes por aqui e coleciona os principais prêmios como Cannes, One Show, Art Directors Club, Word Press Awads, FIAP, El Ojo, Wave Festival, ABP, etc. Apesar de ter apenas 36 anos de idade, Mateus já atua há 20 anos no mercado como redator e Diretor de Criação, e em 2012 foi jurado em Cannes na categoria Outdoor.

 

ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


 

Don Mateus.

Basicamente, porque gosto de criar. Tanto que comecei em agência porque desenhava e acabei me tornando redator, porque também escrevia. E há pouco tempo atrás comecei a fotografar, como hobbie. Enfim, eu sou fascinado por essa coisa de poder produzir ideias que antes de você simplesmente não existiam.

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

 

Don Mateus.


Eu passei muitos anos da minha vida achando que criatividade era treino, era método, era persistência. Claro que também é. Mas hoje estou convencido que criatividade é, antes de tudo, um dom. É uma coisa nata. E tem sim seus sinais: curiosidade é um deles. Paixão é outro. Você tem uma certa ideologia, que muitas vezes faz você colocar o prazer de produzir uma boa ideia na frente da remuneração financeira.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Don Mateus.


Não pode ter Ideia fraca. A mídia é consequência. A ideia é que manda. E não tente disfarçar uma ideia batida com uma "nova mídia" ou com "novas tecnologias". Quem é mais experiente não vai cair nessa.

 

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


 

Don Mateus.

Cinema, Literatura e qualquer outra coisa que te dê prazer. Só tente não beber das fontes em que todo mundo bebe.

 

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


 

Don Mateus.

Com filhos ainda não aconteceu, mas minha irmã caçula virou redatora. Os conselhos que dei foram: seja persistente, nunca ache que já fez o bastante. Portfolio é como um filho: você cria com todo carinho e amor. Mas no final, ele é para o mundo, não para você. Não se apuegue, porque a melhor ideia ainda é a que estar por vir.


 

 


Erh Ray
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 07/11/2012 @ 23:00

Graduado em propaganda pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Erh Ray iniciou sua carreira como estagiário na Standard Ogilvy & Mather. Depois disso, foi contratado como diretor de arte pela gaúcha Vangarde. Ainda no sul, teve passagens pelas agências Centro de Propaganda, Bureau, Paim Lautert & Macedo e Upper. Em 1994, foi contratado na DM9DDB, onde conheceu e começou a fazer dupla com o redator José Henrique Borghi.

Juntos eles criaram campanhas como “Mamíferos”, para Parmalat, e o filme “Carlinhos”, de combate ao preconceito aos portadores da Síndrome de Down. A dupla se desfez entre 1999 e 2002, quando Borghi seguiu para a NewcommBates e, depois, para a Leo Burnett, onde foi copresidente e diretor de criação. Enquanto isso, Ray passou uma temporada na DDB de Nova York antes de retornar para a DM9DDB, como vice-presidente de criação. Durante o Festival de Cannes de 2002, eles decidiram que seria hora de juntar forças em um negócio próprio.

Inaugurada em dezembro de 2002, a BorghiErh passou a ser assediada por vários grupos internacionais e em 2006 foi concretizada a fusão com a Lowe Worldwide. Depois de 10 anos, Erh deixa o grupo para seguir novos caminhos.

 

ENTREVISTA.


PortfolioLovers. 


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?



Erh Ray.

Eu fiz aequitetura antes de Publicidade. Sempre fui movido pela estética! Meu pai foi director de fotografia na industria de cinema em Hong Kong e minha mãe trabalhava nos laboratórios da Kodak, então acho que o DNA da imagem já está no sangue. Em um determinado ponto na faculdade de comunicação estagiava na produção gráfica da Standart Ogilvy de Porto Alegre como “Art Buyer” e gostava de ver os lay-outs que vinham para ser orçados. Aí eu disse: quero criar estas imagens, estas idéias!

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Erh Ray.

Acho que o imediatismo que move os jovens de hoje atrapalham no seu desenvolvimento!
 Culpa dos dias de hoje onde quase tudo é descartável! É preciso ter paciência e persistência! 
Acho importante ter “Mentores”, “Mestres” para ouvir e dialogar! Ouvir suas experiências na sua trajetória de vida! EX: Palestras, cursos, viagens etec…

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Erh Ray.

Gosto de ver numa pasta Soluções! Sem dizer que beleza é fundamental!

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Erh Ray.

Que dureza!!!! Google pode? Na nossa profissão quanto mais fontes melhor!!!! Até porque todos acabam bebendo da mesma fonte!

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Erh Ray.

“Já falei pra ouvir o seu pai menino!”





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