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Convidado do Mês
Ricardo John
CHief Creative Officer da JWT
postado em 03/06/2014 @ 12:52

Natural de Florianópolis, Ricardo John começou sua carreira como redator estagiário na Ogilvy. Depois foi para Age, Talent e África, onde tornou-se diretor de Criação para as contas Mitsubishi e Brahma. Em seguida foi para Giovanni+Draftfcbcb como diretor de criação e depois como diretor de criação executivo para as áreas on e offline. Já trabalhou com anunciantes como Sky, Vivo, Nike, Gafisa, Fiat, Banco Real e Magazine Luiza. Em 2011 entrou na JWT como Diretor Executivo de Criação. Hoje é Chief Creative Officer da agência.

 

ENTREVISTA

 


PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 


Ricardo John.

Uma absoluta e total inadequação a toda e qualquer outra profissão. E também porquê propaganda me parecia o jeito mais fácil de se ter ao menos a ilusão que você trabalha com algo artístico, quando seus talentos em pintura se limitam a homens palito e casas sem chaminé e não se tem paciência, muito menos concentração, para se escrever um romance ou dirigir um filme. 

PortfolioLovers. 
Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? Se você lê o livro antes do filme estrear, se você lê qualquer coisa que apareça na sua frente, se você tem interesses que destoam dos interesses das pessoas a sua volta mas nem por isso desgosta do que todo mundo gosta, se você vê uma propaganda e acha que tem outros jeitos de fazer essa propaganda, é porquê o seu lugar é na criação.


PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Ricardo John.

Pontos de vista novos sobre problemas antigos. Explico: se você quer colocar na sua pasta um anúncio, um roteiro, um videocase ou seja lá que catzo for de uma marca de sabão em pó, que esse "catzo"  mostre uma nova abordagem sobre o tema. Que a pessoa que esteja do outro lado da mesa vendo seu trampo, perceba que você estudou o produto, estudou o consumidor e chegou em algo que tem o poder de fazer as pessoas pensarem. Não é uma referência, não é uma tecnologia. É um ponto de vista.


PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Ricardo John.

Livros, filmes e TED's.


PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Ricardo John.

Continue curioso.

 


 


Alexandre Peralta
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/05/2014 @ 15:35

Alexandre Peralta é o fundador da agência criativa independente Peralta São Paulo, que trabalha para clientes como Anhembi Morumbi, BelVita, Bacardi, Grey Goose, Martini, Mondelez, Natura, Pirelli, Vigor, entre outros. Em estudo Agency Scope realizado pelo Grupo Consultores com as 100 principais agências do país, sua agência foi a mais bem avaliada pelos clientes em termos de Inovação, Criatividade Eficaz e Entendimento do Negócio.

Com mais de 20 anos de experiência na indústria de publicidade, Alexandre já criou para mais de 100 marcas locais e globais, incluindo Havaianas e Pepsi, para quem criou filmes da campanha global 'Ask for More' global com David Beckham e o Manchester United. Ele tem prêmios no Clio Awards, D&AD, Effie Awards e Cannes Lions Festival, onde em 2009 foi convidado para ser jurado e, em 2011 e 2014, foi convidado para ser palestrante.

Alexandre Peralta tem dois livros publicados: 'Comece em propaganda com uma ideia', onde dá dicas baseadas em sua experiência profissional a estudantes e interessados em entrar no mundo da propaganda; e 'Ideias que espalham', em co-autoria com Adam Morgan (Eat Big Fish), Irmãos Campana, Heitor Dhália (cineasta), João Batista Ciaco (Fiat), José Vicente Marino (Natura) e Carlos Ricardo (Banco BBVA).


ENTREVISTA


PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Peralta.

Acabei entrando na profissão por acaso. Eu prestei vestibular para o curso de marketing. Naquela época queria trabalhar em "empresas" e "não em agências". Eu achava que propaganda era só um delírio artístico e que marketing era realmente uma profissão. Mas, em uma das faculdades em que eu me inscrevi, não havia o curso de marketing, só havia o curso de propaganda. Acabei abrindo uma exceção e me inscrevendo também naquele e passei justo nele. Um dia precisei fazer uma transferência de horário e havia uma prova prática, onde era preciso criar uma campanha: para minha surpresa, passei em primeiro lugar. Isso despertou meu interesse pela profissão.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Peralta.

Para alguns, andar de bicicleta é um exercício; para outros é uma aventura. Se você faz algo que se diverte muito fazendo algo - apesar de exigir esforço - esse é um sinal de que você tem talento para aquilo. Se é um sofrimento ou uma obrigação para você, talvez essa não seja a escolha certa.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Peralta.

Acho que vale tudo desde que a ideia seja forte, assim como as agências fazem seus próprios portfólios.

Provavelmente vou falar o que muitos já disseram aqui: tente ser rigoroso e faça uma seleção curta de verdade só com os melhores trabalhos. Não coloque nenhum trabalho que baixe a média porque será injusto com você mesmo.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Peralta.

Para citar apenas 3: gosto muito do trabalho da Droga5, que parte sempre de um achado, um conceito muito forte; acompanho muito o trabalho da AKQA, que é muito focada em invenção; e sou fã do C.E.S.A.R, um pólo de tecnologia em Recife com o qual a Peralta recentemente fechou uma parceria.

 

PortfolioLovers. 

Você tem essa experiência tão interessante de ter se tornado dono de uma agência. O  quanto acha que isso contribuiu para um aprimoramento do seu trabalho? Quais as vantagens e desvantagens dessa escolha?

Peralta.

Ter me tornado dono de agência contribuiu enormemente para enxergar a profissão de uma maneira mais madura e ter mais foco. Quando você entende mais do negócio, quando está mais próximo dos seus clientes, fica mais fácil criar para eles.

Da mesma forma que, quando você está em todas as áres da agência e não só em uma, fica um pouco mais ao seu alcance fazer com que a ideia saia do Keynote. Só vejo vantagens nessa escolha.

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Peralta.

Uma das minhas filhas, de 9 anos, já é criativa.

Ela desenha melhor do que eu desenhava com a idade dela, tem ideias melhores do que eu tinha com a idade dela, e tem tiradas melhores do que eu tenho hoje. Clara gosta de arte, robótica, frequenta um ateliê de tecnologia e tem um bom critério para propaganda - eu não poderia concordar mais com os comentários que ela faz assistindo aos comerciais na tv.

Eu dão dou conselhos: dou corda. Presto atenção no que ela me mostra, comento, conto o que eu estou criando na agência, peço a opinião dela, etc.






 

 


Fernando Nobre
Vice-Presidente de Criação Borghi/Lowe
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 05/04/2014 @ 17:23

Com mais de 20 anos de experiência em Propaganda, Nobre trabalhou como redator na Salles/DMB&B, Lowe Lintas, F/Nazca Saatchi&Saatchi e FischerAmerica, onde criou a campanha “Experimenta”, que lançou a cerveja Nova Schin.  Em 2004 assumiu a Direção de Criação da JWT, cargo que ocupou pelos dois anos seguintes e que deixou para montar, com mais dois sócios, a Famiglia Publicidade. Em 2009 assumiu como Diretor de Criação da Borghi/Lowe e em 2011 como Vice-Presidente de Criação.

Durante sua carreira, conquistou as mais importantes premiações internacionais e nacionais, incluindo 10 Leões em Cannes, One Show, Festival de Londres, Clio Awards e Anuário do Clube de Criação de São Paulo.

Em todos esses anos atendeu clientes das mais diferentes áreas, destacando-se empresas como: Renault, Etna, ParkShopping, Carrefour, Unilever, Johnson & Johnson, AMBEV, Banco Santander, Bradesco, Vivo, Electrolux, Samsung, Rossi Residencial, Air France, Jornal do Brasil, Pfizer, Telemar, CAIXA, HSBC, Folha de S. Paulo e LG, entre outros.


ENTREVISTA


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 

 

Fernando Nobre.

Sempre li muito, vi muita televisão (mas muita mesmo!) e ouvia rádio - quando eu era moleque essas eram as mídias fortes. A verdade é que eu só sabia que queria trabalhar com comunicação, escrevendo. Fiquei entre Jornalismo e Publicidade, até o vestibular. Prestei Jornalismo a USP e Publicidade na ESPM. Passei em Publicidade, no comecinho do segundo ano da faculdade já comecei a estagiar em criação - isso em 1990, com 18 anos - e nunca mais deixei de respirar propaganda. Não tenho dúvidas de que tenho sido mais feliz como publicitário do que eu seria como jornalista.



PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? 


Fernando Nobre.

O olhar. Se você tiver um olhar próprio sobre a vida, o mundo, se é curioso, se não é de aceitar soluções e conceitos prontos para as coisas, isso te ajuda a desenvolver um ponto-de-vista próprio. Não é garantia de ser criativo, mas é um bom sinal. Para o criativo em publicidade especificamente, a capacidade de persuadir, encantar, vender (seja criando, seja levando uma ideia à frente com o cliente, os parceiros etc), também é um belo indicativo.



PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?


Fernando Nobre.

É legal ter na pasta o que for... legal! Não importa a forma. Aliás, de alguns anos pra cá os portfólios andam muito padronizados. Mais do que antes, quando não se tinha tanta informação sobre como montar uma pasta. Isso acaba, a meu ver, pasteurizando demais o trabalho. E evidentemente isso dificulta para que um profissional se diferencie do outro. Ainda mais em começo de carreira. O que quero dizer com isso é que não dá pra ter uma pasta só com ideias pensadas para o mesmo briefing que outros xis colegas de curso, por exemplo. Ou que não adianta enchar a pasta de video-case porque video-case está na moda. Mas por outro lado eu não demonizo o video-case como muitos. De novo, o mais importante é a ideia ser boa. Ser legal. Adequada ao brief, ao produto, ao target. E quanto menos formatado for o criativo, melhor. Isso vale na fase pasta e no resto da carreira também.



PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 


Fernando Nobre.

Os Anuários (D&AD, One Show, CCSP) são uma das fontes. É fundamental conhecer o que foi feito, o que foi feito de melhor. Para não se repetir, para inovar. Mas cuidado: só os Anuários como fonte de referência podem ter o efeito contrário e manter você preso só no mundinho publicitário. Por isso acho que outra fonte essencial é a vida real (aí vale o botequim, o metrô, filar a conversa no ponto-de-ônibus, o churrasco com família e amigos no fds, enfim, o que tiver mais a ver com cada um, mas que seja algo que te conecte com o que interessa e é relevante - ou não - para as pessoas). E arte. Arte, arte, arte (cinema, literatura, pintura etc). A publicidade usa a arte como recurso para a venda. Então, conhecer arte, conhecer gente e conhecer a propaganda, acho eu, formam um bom conjunto para alicerçar um criativo.



PortfolioLovers. 

A qualidade desse novo formato do Festival do CCSP é uma unanimidade. De que forma os jovens criativos podem tirar o melhor proveito possível desse evento?


Fernando Nobre.

Tínhamos duas grandes ambições ao rever e ampliar o formato do Festival: para os profissionais, mostrar que criatividade não é só ganhar um prêmio e ser publicado no Anuário - isso é importantíssimo, mas não é tudo. Portanto, fazer um evento onde pudéssemos debater a atividade com profissionais de destaque, convidar gente de talento e respeito de outras áreas criativas, além de julgar e celebrar a publicidade que se fez no ano no país, era o sonho. Aos poquinhos, estamos conseguindo. Daí, consequentemente, o estudante de publicidade e o jovem criativo naturalmente iria se interessar em fazer parte disso. Era essa a nossa outra ambição. Envolver, pra valer, o estudante. Fazer com que ele realmente se engajasse no Festival. Visse palestras, fizesse perguntas, conhecesse trabalhos e gente criativa de dentro e de fora da publicidade. Beber nessas fontes ajuda a abrir a cabeça, ajuda a inspirar o jovem criativo, faz com que ele questione caminhos, contribui para a formação de um ponto-de-vista dele. (Beber umas cervejas no final do evento também ajuda a tirar proveito do evento - importante dizer. Mas com moderação, senão essa entrevista é tirada do ar!).



PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


Fernando Nobre.

Seja indisciplinado no pensar. E disciplinado no agir.

 

 

 

 

 



Ricardo Wolff
Diretor de Criação global de Smart / BBDO Berlin
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 09/03/2014 @ 21:13

Não formado em Publicidade pela ESPM, o redator Ricardo Wolff largou a faculdade para fazer Miami Ad School/ESPM. Por intermédio dessa cavou um estágio na agência alemã Jung von Matt, em Hamburgo. De lá foi contratado pelo então CCO da DDB Group Germany, Amir Kassaei, para trabalhar diretamente para ele em todas as contas da rede (Volkswagen, Ikea, entre outras) e viajar pelos escritórios da DDB pelo mundo. Essa mamata durou de 2007 a 2010, quando decidiu voltar ao Brasil e trabalhar na AlmapBBDO, onde conquistou diversos prêmios como Cannes, D&AD, Clio e One Show. Em 2013 retorna à Alemanha para assumir a Direção de Criação global de Smart, na BBDO Berlin.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers.

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

 

Wolff.


Eu queria ser advogado. Cair em publicidade foi pura fanfarronice.

 

Um belo dia me deparo com o anúncio no mural do cursinho: “Inscrições Vestibular ESPM até 24/03“. Olho no relógio, era 24/03. Sem nada a perder, pego o carro e vou até a Vila Mariana. Presto e fico na lista de espera. Termino o namoro. Sai a segunda chamada e meu nome tá lá.

 

Aí pensei: dezoito anos, solteiro, carro na garagem. Estudar mais meio ano pra prestar direito? Olá ESPM.

 

 

PortfolioLovers.

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou “sinais” acha imortante para ajudar nessa resposta?

 


Wolff.


O Chico Buarque cresceu numa família de intelectuais cabeçudos. Caras como Pixinguinha e Vinícius de Moraes viviam perambulando pela casa dele. Ou seja, os “sinais“ estavam ali, na sala de visita. Nós, os mortais, temos que procurar um pouco mais. A menos, claro, que você tenha pistolão.

 

O meu “sinal“ veio na forma de um cachorro. Tava no 2° semestre da ESPM quando encontrei o anuário do Muttley largado na biblioteca. Abri sem saber o que era, fechei sabendo o que queria fazer da vida. Três meses depois larguei a ESPM pra fazer Miami Ad School - naquela época, na então gloriosa Natingui.

 

 

 

PortfolioLovers.

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?



Wolff.


 Até pouco tempo atrás a melhor referência pra montar pasta era o Manual do Estagiário, do Eugênio Mohallem. Simples. Era colocar 10 anúncios no passepartout (obedecendo a ordem malandra, claro) e sair ligando pros nomes no index do anuário. De lá pra cá, como todo mundo sabe, novos formatos apareceram em PG. Cannes multiplicou as inscrições como um Gremlin no cio. Hoje, uma ideia fodona faz uma agência marromeno disputar Agency Of The Year. Ninguém é mais de ninguém. Tem redator em começo de carreira com mais leão que o Eugênio, e sem saber fazer título.

 

Mas calma.

A pasta boa, consistente, está imune a essa orgia esquizofrênica.

 

Listei 3 itens que acho essenciais em qualquer pasta.

 

1. ideas simples.

Raciocínio claro, direto, sem gordura.

 

2. ideas boas.

Seja título, filme, spot, mailing, gôndola de pet shop, o escambau. Tem que ser boa. E não precisa de 20, não. O Sergio Mugnaini foi Young com 5 peças.

 

Redator tem que ter título. Não tem discussão. Não importa quantos cases bem editados ou pranchas firulentas tenha na pasta, título é o formato mais compacto do raciocínio publicitário. Pode abrir qualquer anuário "antigo" e ver quantos títulos não assinariam, hoje em dia, campanhas do caralho. Fora que faz bem pra entrevista. É a hora da descontração. Um respiro entre cases e aplicativos do inferno.

 

Já diretor de arte, além de ideia, tem que ser bom de craft. Pelo menos esse era o critério na Almap. (alguém quer discutir direção da arte com a Almap?)

 

3. ideas bem executadas.

A pasta é seu filho. Dê banho, corte o cabelo, invista tempo e carinho.

Isso transparece. Até porque, em tempos de pasta online, você não vai estar lá pra vender todo esse chamego pessoalmente. Outro ponto importante: busque o melhor jeito de contar suas ideias psicopatas; desformatadas. Se dá pra contar na prancha, evite case. O outdoor da 3M (dólares atrás do vidro) ganhou com prancha. Conselho aos redatores: não assassinem seus títulos no paintbrush. Como eu disse lá em cima, dê banho no seu filho. Não custa. Peça prum DA layoutar. Não conhece nenhum DA? Compra o “The Work“ da Fallon e chupe um layout. (e se mesmo assim ficar um lixo, pelo menos você vê campanhas fodas como "Towel Amnesty Day" do Holiday Inn)

 

Pra finalizar: a pasta é seu filho. Troque a fralda com frequência.

 

 

PortfolioLovers.

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontas de referências, quais seriam?


 

Wolff.


Internet, viagem e anuário.

 

Internet porque é um saco sem fundo de informação.

Viagem porque nada substitui a experiência de estar lá.

Anuário porque nego precisa conhecer tudo que já foi feito. Tudo.

 

 

PortfolioLovers.

 

Quais as vantagens e desvantagens de trabalhar fora do Brasil, tanto pelo lado profissional, quanto pelo lado pessaol?



Wolff.


Olha, ambos tem seus pros e contras. A minha opinião é que no geral, tanto fora quanto dentro da agência, os prós são bem maiores que os contras.

 

Explico.

 

Ser estrangeiro é uma “desculpa“ pra viver tudo intensamente. Os museus, a cidade, os países vizinhos. Você acaba aprendendo por osmose. Também vale mencionar que o kit estrangeiro inclui aquelas doces regalias como não perder 1 minuto do dia no trânsito e andar à noite sem paranóia.

 

Já na agência, é melhor remar senão acaba em Guarulhos. Ainda não inventaram motivação maior do que pensar naquela fila de imigração.

 

Acho que o único grande contra, nessa brincadeira toda, é a ausência da família e de certos amigos. Não tem skype ou whatsapp que preencha.

 

 

PortfolioLovers.

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

 

Wolff.


Larga esse celular durante o brainstorming.





André Pedroso
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/02/2014 @ 23:52

André Pedroso, redator, trabalhou na DPZ, JWT, Fischer, Lowe, Euro RSCG, Lowe, DM9DDB e Pulbicis Red Lion. Já atendeu a Peugeut, Citroën, Renault, Petrobras, BR, Castrol, Esso, Ponto Frio, Telefônica, Johnson & Johnson, Amanco, Consul, Tok&Stok, AMBEV, Vivo entre outros. Foi membro do júri de alguns dos mais importantes festivais de propaganda como o Festival de Londres. Já ganhou prêmios internacionais e nacionais no Festival de Cannes, Clio, AD&D, One Show, Festival de Londres, Clio, CCSP e Prêmio Abril RJ, entre outros. Foi eleito, em 2002, diretor de criação do ano pela Associação Brasileira de Propaganda.


ENTREVISTA


PortfolioLovers

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

 

André Pedroso

 

Pensei em fazer medicina porque minha família por parte de pai é de médicos. Mas aí lembrei dos 8 anos que teria que estudar antes de realmente praticar a medicina e mudei para educação física. Eu era atleta de voleibol e para mim, fazia mais sentido seguir esta carreira.  Mas aí a vontade de escrever acabou sendo mais forte. E não tive dúvida, fiz Comunicação Social e dei a sorte de entrar na profissão com a ajuda de um grande cara, o Fabio Siqueira, hoje presidente da FAM. Ele arrumou meu primeiro estágio na ALMAP do Rio. Naquela época, não tinha nada na cabeça e acabei não aproveitando o que deveria ter aproveitado. Mas foi o primeiro e mais importante passo as pessoas me conhecerem. 

 

 

PortfolioLovers

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

 

 

André Pedroso

 

Continuo acreditando que todas as pessoas são criativas. Cada uma a sua maneira. Então a questão não é ser ou não ser criativo. Para mim o que você deve entender é o que mais te apaixona. Se você não é apaixonado por encontrar soluções diferenciadas de comunicação através de um filme, anúncio, ação promocional então é melhor escolher outra carreira. Porque não basta gostar de propaganda. Você tem que ser apaixonado por propaganda. Esse é o maior e mais importante sinal. Porque se não houver esta paixão você vai sofrer demais. Seja criativo na mídia, no atendimento, no planejamento, seja criativo. Ou então tente ser criativo sendo um excelente médico ou advogado.

 

 

PortfolioLovers

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

 

André Pedroso

 

Várias vezes comecei a ver pastas de redatores onde não existia um título sequer, nenhum texto defendendo um produto ou serviço. Redatores tem que saber escrever. Era assim e continua sendo assim. Mas o equilíbrio acab sendo o mais importante em uma pasta. Nem anúncios demais nem ações demais. Uma coisa não aguento mais ver. Aplicativos de celular sem vantagem nenhuma para o consumidor. 

 

 

PortfolioLovers

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

 

 

André Pedroso

 

Prefiro não citar uma fonte específica. Fico com 4. Cinema, livros, museus e família. Tudo o que puder absorver destes 3 primeiros. O último acaba sendo o que mais me ensina e incentiva.

 

 

PortfolioLovers

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

André Pedroso

 

Como falei lá em cima, seja um apaixonado pela profissão. Ou então escolha outra que seja mais apaixonante do que a que você escolheu.







Marcelo Aragão
Diretor de criação e planejamento da Lua Propaganda.
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 04/01/2014 @ 18:35

Formado em jornalismo pela USP, e ex-roteirista de histórias em quadrinhos na Editora Abril, Marcelo Aragão já trabalhou como redator em algumas das principais agências do país como Talent, AlmapBBDO e Ogilvy. Foi sócio e diretor de criação da Fallon São Paulo, diretor de criação da DM9DDB e VP de criação da Africa. Atualmente é diretor de criação e planejamento da Lua Propaganda.

Já atendeu clientes como Citibank, Semp Toshiba, Itaú, Ipiranga, Volkswagen, Estadão, Vivo, Brastemp, Honda e Telefonica. Conquistou sete Profissionais do Ano, Prêmio Abril e acaba de entrar para o Hall da Fama no Clube de Criação de São Paulo.


ENTREVISTA


PortfolioLovers

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Aragão

 

Um pouco foi herança, um pouco foi acaso. Herança do meu pai, que foi um grande cartunista, ilustrador, roteirista de HQ e layoutman (alguém ainda lembra o que é isso?). O acaso ficou por conta do meu primeiro emprego, no marketing de um jornal (Metro News). Entre várias atribuições, uma delas era criar para virtuais anunciantes sem agência.

 


PortfolioLovers.

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

 

Aragão

 

Acredito mais em nascer "esforçado" do que em nascer "criativo". Todo mundo é um pouco criativo e, ralando, acho que pode chegar lá. É claro que existe o talento, e ele vai separar os que chegaram lá dos que vão um pouco ou muito além. Mas chegar lá, com transpiração, acho que qualquer um pode.

 

 

PortfolioLovers.

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Aragão

 

Depende. Se for eu o diretor de criação, coloque anúncios e roteiros... e deixe fora as ações e videocases. Admito que a implicância é pessoal. Mas acho tudo muito bobo e igual. Sem falar que são sempre os maiores "custo por mil" de qualquer campanha. (Para cada ação realmente viralizada, imagine quantas são fracassadas.) Mas, de novo, a implicância é totalmente pessoal. Então, ignore o que eu disse, porque tem um monte de gente que adora.

 

 

PortfolioLovers.

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

 

Aragão

 

Os anuários, as séries de TV e – sei que é clichê, mas é verdade – a rua.

 


PortfolioLovers.

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Aragão

 

Filho: tem certeza que você não quer levar uma vida mais mansa, e tentar... o Atendimento?

 

 






Ruy Lindenberg
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/12/2013 @ 11:01

Ruy Lindenberg trabalhou como redator e VP de Criação em algumas das melhores agências do país, como W/Brasil, DPZ, Talent, Young&Rubicam e Leo Burnett. Possui os mais importantes prêmios nacionais e internacionais. Em 2011 quando era VP de Criação da Leo Burnett assumiu a Presidência da agência durante 9 meses quando trabalhou na criação de uma nova agência, preparando a Leo Burnett para um novo ciclo de vida.

Durante sua carreira criou entre outras a campanha Bonita Camisa Fernandinho para USTop,  Cachorrinho da Cofap, Quebradeira para Golden Cross e foi o Diretor de Criação da campanha Novo Uno, um dos lançamentos da Fiat de maior sucesso nos últimos anos. Foi eleito para o Hall da Fama, do Clube de Criação de São Paulo, em 2010. Tem sido jurado constante em festivais internacionais como Cannes, Clio, Young Guns, Effie, El Ojo, FIAP e outros. Em 2013 coordenou no Arenas-ESPM o projeto Halloweek™ para Esmalteria Nacional.


ENTREVISTA


PortfolioLovers

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Ruy Lindenberg

Eu acho que foram vários os motivos. Eu sempre gostei de escrever, de contar histórias e também nunca me vi numa estrutura de empresa onde fizesse um trabalho burocrático e com autonomia limitada. Eu cursava a FGV e aí tive que pensar na campanha de um novo anunciante. Então descobri que era isto que eu gostaria de fazer. Ao invés de ser um homem de marketing que aprova ou desaprova campanhas dos outros, eu resolvi ser alguém que faz as campanhas.

 

PortfolioLovers

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Ruy Lindenberg

Bem, em primeiro lugar eu acho que a dúvida não é necessariamente ruim. Ela obriga você a encarar a responsabilidade de estar a altura da sua ambição. E estar a altura desta ambição em termos de criação não significa apenas cuidarmos do talento que trouxemos do berço, se é que trouxemos algum. Mas principalmente desenvolvermos um aprendizado que é o trabalho de uma vida inteira. Isso se faz no dia-a-dia, nos cases reais e não nos trabalhos de proveta dos festivais.

Nós profissionais já olhamos para a propaganda de maneira obsessiva (sites, blogs, festivais, etc), temos que olhar mais para o consumidor, tentar entender melhor os problemas e as oportunidades dos clientes, buscar em outros locais a resposta para nossos desafios. Olhar para o cinema, a música, o teatro, as sitcoms, as séries de tv, para todo lugar onde tenha gente se comunicando com inteligência, com originalidade e tentar aprender com eles. Graças a internet hoje ficou muito fácil fazer cursos, buscar informação, chegar perto de gente interessante.

Na minha opinião a educação e a formação profissional é tão diversificada e poderosa que a gente não pode delegar esta responsabilidade para ninguém. Por melhor que seja a sua escola você tem acesso a outras on line ainda melhores. Por melhor que seja a sua agência ou seus colegas de trabalho, você tem acesso a outros profissionais incríveis. Ou seja, cuide do seu repertório pois é daí que sairá o seu portfólio.

 

PortfolioLovers

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Ruy Lindenberg

Acho que é importante ter na pasta trabalhos que tenham impacto, que seduzam, que surpreendam o consumidor. E este consumidor é extremamente volátil, ele pula de uma midia para a outra em segundos, seja do ipod para o Facebook, do Facebook para a ligação do celular ao mesmo tempo que assiste um filme no You Tube e dá uma espiadinha na TV de plasma. Como você chama atenção dele? Mas só chamar atenção também não basta. Você precisa fazer com que ele compreenda sua mensagem, seja seduzido por ela e pelo produto ou serviço que você está anunciando. Ou seja, o desafio é enorme, por isso a nossa competência, o nosso treinamento, o nosso esforço tem que estar a altura dele. Se você não aprendeu alguma coisa hoje, já tá perdendo tempo.

 

PortfolioLovers

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Ruy Lindenberg

Desculpe, mas vou pedir liberdade para ir um pouco além. Eu sempre achei que o Millor Fernandes seria um dos maiores publicitários deste país se não tivesse sido um dos nossos maiores jornalistas. Millor surpreende pelo poder das suas frases curtas e definitivas. Também tem Drummond, Vinicius, Shakespeare, Graham Geene e tantos outros. Mas isso é pouco. Eu acho que tanto as sitcoms americanas como as séries de TV são ótimas para se aprender linguagem de cinema e de roteiro. Palestras de gente como Robert McKee, guru dos screenwriters estão aí para quem quiser aprender.

Entrevistas com o Vince Gilligan, diretor e roteirista de Breaking Bad também não faltam. O John Lasseter que criou Toy Story, entre outros, responde a perguntas de jovens sobre criatividade numa série de filmes de 2 minutos feitos dentro de um carro em movimento e que além de instrutivos são hilários. Um simples episódio da Modern Family reúne mais humor inteligente do que a maioria da propaganda escrita fora da Inglaterra ou Estados Unidos. Mas os nosso olhos têm que estar treinados para ver. Pegue no You Tube o discurso do Leonard Cohen agradecendo o prêmio Asturias aqui.

Ali você tem uma aula.  Bem, uma não, várias. Uma aula de como escrever um texto que tenha conteúdo e graça ao mesmo tempo. Uma lição de impostação de voz e presença de palco com um equílibrio perfeito entre o que é falado, como é dito, e para quem é dirigido. Acho que este é o nosso aprendizado, ele é multimidia, para usar uma palavrinha que muita gente acha que é nova. Agora, não basta só ter ideias e boas referências. É preciso ser bom de serviço. Você não se torna um bom redator antes de 10 anos. É preciso criar bons títulos, saber escrever um texto que seja informativo sem ser recheado de obviedades, construir um ótimo roteiro de televisão ou um spot de rádio. Nisto tudo existem muitos segredos envolvidos que você só descobre fazendo o trabalho, veiculando a peça, vendo os resultados, errando, acertando e aprendendo.

Mas o que eu mais vejo por aí é gente queimando etapas, querendo subir no palco para pegar o prêmio antes de ter feito um trabalho de qualidade. Buscando fama e dinheiro antes de conquistar uma carreira sólida. As nova midias são importantes mas as tradicionais ainda são fundamentais. Quer ver uma coisa? Todo mundo diz que as pessoas não leem. Se você colocar agora no seu Google esta frase “dizem que a vida é curta mas isso não é verdade” você vai encontrar mais de 150.000 citações. Sabe que frase é esta? É o início de um texto que eu escrevi em 2004 para o cliente Visa, um comercial de 1 minuto. Desde 2004, portanto este texto circula pela internet, frequentando blog, sites, álbuns de adolescente, portais de autoajuda, discurso de pastores, palestras de especialistas de RHs, etc. A sua autoria muitas vezes tem sido atribuída ao Dalai Lama, outras ao Oxo, na maioria dos casos a Anônimo e em raras oportunidades a Visa.

Ou seja, o texto se libertou do comercial, ganhou vida própria nestes anos todos, sendo copiado, reinterpretado, compartilhado por milhares de pessoas. E toda semana surgem novos leitores e novas citações. Esta é uma prova que as pessoas leem, querem histórias, desejam dividir emoções. Mas a gente tem que desenvolver nossa competência para poder participar da vida delas. Só ter ideia é pouco. É preciso também, aquilo que os anglo-saxões chamam de “craft”, fundamental para dominar a linguagem de cada meio de comunicação. Só assim vamos poder realmente impactar, seduzir, interagir com nosso público.

 

PortfolioLovers

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Ruy Lindenberg

Eu tenho dois filhos e espero que eles sejam criativos. Porque criatividade não é um dom exclusivo dos publicitários, mas uma necessidade da vida. Para mim criatividade é resolver problemas com mais inteligência, muitas vezes de forma mais econômica e mais rápida. E quase sempre com bom humor, bom gosto e estilo. Aliás, acho que o estilo é a verdadeira impressão digital do ser humano, aquilo que nos identifica ao mesmo tempo que nos diferencia. Só a criatividade torna possível encontrar solução para coisas que pareciam impossíveis simplesmente porque não repetimos os mesmos erros dos que pensaram antes.

Um dos meus filhos faz mestrado em psicologia na Universidade de Paris e outro cursa biomédicas aqui na Unesp. Nas duas profissões, e na vida de qualquer um deles, a criatividade é fundamental. Não sou eu quem digo, é Einstein: “Imaginação é mais importante do que conhecimento”. Como falei antes, nós vivemos numa época onde a informação, a educação, os exemplos, as novidades, as oportunidades estão a apenas um wi-fi de distância. Este é um mundo no qual não precisamos nos comportar de acordo com os manuais mas no qual nós temos possibilidade de criar nossos próprios manuais, as nossas cartilhas que neste caso mais nos libertam do que nos aprisionam. Ninguém disse que seria fácil. Mas sem dúvida, pode ser extremamente estimulante.


Aproveitem.

 

Ruy Lindenberg

 

4/12/2013







Pedro Ferreira
Diretor de Criação da Young & Rubican Lisboa
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/11/2013 @ 20:45

Um profissional que se tornou uma das referências criativas de Portugal, que viveu alguns anos em Paris trabalhando como ilustrador, e de volta a Lisboa, começou sua carreira na Ciesa/NCK, passando pela Ogilvy&Mather, The Ondernemers/Amsterdam, Y&R Lisboa, Nova, Bates Red Cell. Hoje comanda a criação na Y&R Lisboa em conjunto com Judite Mota e Helder Pombinho.


ENTREVISTA.


PortfolioLovers

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Pedro Ferreira

No fundo no fundo eu não escolhi.

Não foi uma decisão racional. Eu estava em Paris com 20 e poucos anos a fazer o que se faz nessas altura da vida. À espera. À procura.  O que eu queria mesmo era desenhar, era louco por banda desenhada francesa. O sonho era Angouleme, e a escola de BD. Mas foi nessa altura que encontrei a Publicidade Francesa. Diferente de tudo o que se fazia em Portugal na época. Era a publicidade de grandes produções. Eram os tempos dos grandes anúncios da Citroen feitas pelo Jaques Seguela. Li tudo sobre o que Jaques Seguella escreveu, comprava uma revista genial que se chamava Creation.

Voltei depois a Portugal a pensar que a publicidade poderia ser o caminho, mesmo sabendo tão pouco. Tirei um curso técnico de Comunicação de  publicidade, chateie os professores que eram todos profissionais conhecidos no mercado e tive sorte. Comecei naCiesa/NCK como Maquetista. Pagavam-me quando os meus trabalhos eram aprovados. Uma originalidade na época. Fiquei apenas 6 meses e mudei para a Ogilvy&Mather. Provavelmente a melhor agência e a mais irreverente nesses anos 80. Mas acho que não fui eu que escolhi. Foi a sorte e acredito algum talento que eu nem sabia que tinha mas que alguém conseguiu ver.


PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Pedro Ferreira

Acho que a dúvida permanente só faz de um criativo um melhor criativo. Eu continuo ao fim de 20 anos a ter dúvidas mas também a lutar e a questionar tudo para tentar minimiza-las.


PortfolioLovers.                                             

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o queé legal ou não ter na pasta?

Pedro Ferreira

Eu diria, IDEIAS. Boas e relevantes de preferência. Mas vou tentar ser mais constructivo e menos abastracto. È esse o objectivo não é?

Depende. Depende de quem está a ver a pasta. Quem vai mostrar a pasta deve sempre saber primeiro a quem a vai mostrar. Os directores Criativos são pessoas muito diferentes. As agências parecem iguais mas não são. Pessoalmente eu procuro sempre a pessoa por detrás do Portfolio. Gosto mais de ver o trabalho mais pessoal, menos universitário, menos formatado, mais artístico.

Aquele trabalho que geralmente é deixado para o fim, ou está num pasta à parte. Gosto também de ver confiança no discurso.

Gosto de contratar pessoas de áreas que não 100% publicidade. Já contratamos um redactor não por causa dos anúncios maus que tinha feito noutros lugares, mas pelos geniais diários Gráficos que não gostava de mostrar. Já demos uma oportunidade a um que “adorava ser Redactor” e que no Portfolio apenas tinha poemas, apenas pela enorme vontade de querer escreverpara publicidade e para isso estar disposto a abandonar um bom trabalho na FNAC e uma bom salário a troco de muito trabalho e quase nada de dinheiro.

Uma vez perguntei ao Erik Kessels da KK Amsterdam, que tem imensas solicitações para estágios qual tinha sido a última pessoa a quem tinha dado uma oportunidade. Queria perceber como é que ele selecionava pessoas para fazer parte daquela agência tão diferente. Disse-me “Uma directora de arte que me enviou todos os diplomas que tinha tirado ao longo da vida encadernados. Eram muitos e a maioria irrelevantes. Contratei-a depois do estágio.

 

PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Pedro Ferreira

Só 3 referências é sempre difícil, é pouco e eu não sou crente caso contrário diria Jesus, Buda e o Profeta Muhammad provavelmente o problema estaria resolvido.

Mas como o objectivo é dar pistas a quem começa nesta profissão, a quem tem muitas dúvidas mas que raramente as admite aqui ficam 3 pessoas que valem a pena serem ouvidas se tiverem oportunidade ou lidas. É a minha opinião e merece sempre a pena ser questionada.

Diria para lerem a biografia do Neil French “Sorry for the Lobster’s”, Dave Trott Creative Mishfied e Predatory Thinking ou as suas crónicas no seu blog.  Damn Good Advice de George Lois. Pelo menso com estes vão se divertir. Mas quando comecei li tu o que Jackes Seguela  e David Ogilvy escreveram. São pessoas diferentes mas muitos dos princípios ainda são válidos.

Mas não leiam apenas sobre publicidade, há demasiados livros sobre esta atividade e poucos os que merecem ser lidos. Guardem tempo para Salmam Rushdie, ele era redator na CDP nos anos 60.  Se o objectivo é serem diretores de arte geralmente recomendo que leiam a Biografia do Robert Capa “Slightly out of focus” e as palavras de Cartier Bresson “The Mind’s eyes”.

Vejam os anos 60 pelos olhos de Richard Avedon e David Bailey. Frequentem museus, vejam exposições.

A de David Hockney “A Bigger picture” tem que ser vista, e não é na net. A escala, as cores e a emoção dos seu quadros não são reproduzíveis em formato Jpeg. Damien Hirst na Tate Modern. A lista seria demasiado longa para esta entrevista.

Apenas Como exercício geralmente aconselho. Percam todos os dias 30 a 60 minutos a ver com atenção o mundo. No meu caso passo esse tempo a ver o mundo da arte nas suas mais variadas expressões. É um mundo vasto.

Eu gosto da citação do Picasso que dizia, “Eu não procuro, eu encontro”

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 Pedro Ferreira

Diria “Está aqui o telefone do Neil French liga-lhe” e se depois ele ainda insistir em ser publicitário diria “Diverte-te”.  Esta profissão não faz muito sentido se nós não nos divertirmos também.






 


André Kassu
Diretor de criação na AlmapBBDO
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 07/10/2013 @ 21:35

André Kassu é diretor de criação na AlmapBBDO. E só escreve porque não sabe desenhar. 

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Kassu.

Eu fazia Comunicação na PUC e tinha uma banda de blues. O que eu queria mesmo era ficar apenas com a banda. 

Eu entrei em um estágio para justificar a faculdade para a minha mãe. Não pensava nem por um segundo que a minha vida na agência duraria muito tempo.

A sorte me colocou na Artplan para estagiar ao lado do Guilherme Jahara. E aos poucos, fui gostando do trabalho. Formamos uma dupla entrosada. Quando eu percebi que os shows mal pagavam as minhas gaitas, eu decidi pela publicidade. A escolha não foi nada romântica. Foi prática mesmo. Demorei um bom tempo para gostar de publicidade.

 

PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Kassu.

Eu entrei nesse mercado sem saber se era isso que eu queria. Não sou um bom exemplo sobre sinais. Acho que você tem que respeitar o seu instinto. Se você tem a sensação que gostaria de trabalhar em criação, tente. Hoje, a Miami Ad School e a Cuca ajudam bastante nessa tomada de decisão. Você tem a chance de praticar e encontrar essa resposta. Aliás, que pergunta difícil essa.

 

PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Kassu.

Eu escrevi um longo texto sobre pastas que está no meu blog (espaço para merchandising). Eu acredito que a pasta tem que ser equilibrada. E que você tem que montar a pasta de acordo com a agência que vai visitar. Para isso, o ideal é ter um número de peças que você consiga ter essa flexibilidade. Para redatores, acho fundamental saber escrever. Ter algo na pasta que prove isso. E para diretores de arte, acho importante ter um all-type.

A vida real não é feita de peças absolutamente limpas e impecáveis. Você precisa mostrar que é capaz de resolver o job da mesa com a mesma habilidade do job de Cannes. Por último, a pasta é aquilo que você acredita que represente o seu trabalho. O seu estilo. Já ouvi muitas vezes: "mas essa peça foi veiculada". Se ela joga a sua pasta para baixo, tire. Coloque aquilo que você realmente gosta. Conte a sua história e espere que a pessoa que está vendo a sua pasta tenha a sensibilidade de entender o seu caminho. 

 

PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Kassu.

Música, Dave Trott e o olhar das minhas filhas. 

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Kassu.

Fale obrigado e desculpe. Trate quem está abaixo de um jeito melhor do que você trata os seus chefes. 

Tenha humildade para aceitar uma crítica e não se deixe levar pelos elogios.  Não fique satisfeito com o seu trabalho tão facilmente. Mantenha a sua individualidade. Não tenha medo de ter uma opinião. Procure ter uma vida fora da agência. Seja legal com os outros. Nada muito diferente do que tentamos ensinar em casa todos os dias. 

 






 


Nando Cohen
Sócio e diretor do Grupo Vetor Zero
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 10/09/2013 @ 15:23

Nando Cohen estudou arquitetura na FAU-USP, mas suas verdadeiras paixões sempre foram a criação de personagens e a narração de histórias. Ao fundar a Lobo em 1994, Nando passou a chefiar e dirigir um time cada vez maior de animadores, versados nas mais diversas técnicas: animação tradicional, stop motion, digital etc... 

Seu lado arquiteto, porém, ainda se fez presente ao projetar os três andares da atual sede do grupo Vetor Zero. Atualmente Nando também comanda, juntamente com o co-fundador da Lobo Mateus de Paula Santos, o departamento de produção cinematográfica do grupo Vetor Zero.

 

ENTREVISTA. 

 

PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Nando.

Sempre gostei de desenhar e na época que prestei vestibular minhas opções nessa área eram poucas. Havia o curso de design gráfico que me interessava mas era o seu primeiro ano e não tinha muita credibilidade. Acabei prestando arquitetura , e para minha felicidade fui parar na FAU que é uma faculdade muito mais voltada para arte do que arquitetura. Logo no primeiro ano, fui apresentado a um programa de modelagem render e animação 3D chamado TOPAS. Como poucas pessoas mexiam nesse software, acabei sendo convidado para participar da equipe de Rudi Böhm (um dos papas do motion graphic e do efeito especial Brasileiro). Depois de três anos, fundei a minha produtora LOBO que completa 20 anos no próximo ano.

Portanto no fundo, no fundo, tive sorte de estudar em um ambiente com ferramentas e oportunidades que me tornaram um  diretor.

 

PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um diretor de cena. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?


Nando.

Acho que a palavra mágica para ser um diretor de comerciais ou de cinema é "imaginação". Se você consegue ver as coisas prontas antes de começar, você será um bom diretor. Tendo isso, só faltará cultura, experiência de vida e técnica que são  coisas que com tempo e dedicação qualquer pessoa pode alcançar .

 

PortfolioLovers.

Qual a diferença entre ser um diretor de animações e de filmes?

 

Nando.

Esse é um assunto interessante, porque existem dois mundos bem distintos entre diretor de filmes animados e diretor de filmes filmados. O diretor de cinema Brad Bird é um exemplo interessante pra ilustrar essa diferença. Ninguém sabia quem era esse sujeito, porque ele sempre fez "desenho animado" como The Iron Giant, The Incredibles e Ratatouille  (três obras primas do cinema). Um belo dia, ele dirigiu o novo Missão Impossível com atores de "verdade", e como num passe de mágica …tcharammm…. passou a ser reconhecido e respeitado como um Diretor.

Usei esse exemplo para explicar que a falta de glamour de um diretor de animação o torna muito mais dependente do resultado de seu trabalho, portanto, de seu portfolio. 

Já um diretor de filme, além de depender do seu talento, depende muito de quem ele é. Conheço muitos diretores de publicidade  "showmen" que estão sempre filmando e entregando filmes fracos e inconsistentes, ao contrário de diretores  "tímidos" extremamente competentes e talentosos que têm dificuldade em entrar no mercado.

 

PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Nando.

Observar tudo e todos a sua volta, seja na rua ou em suas viagens. Observar como eles falam, como andam,  carros, prédios, etc... Sem ser babaca, TUDO é referência.

Cinema, assista todos os filmes; novos, clássicos, mal feitos, animações, etc. E claro, procure ver o que está sendo feito de comerciais pelo mundo. Mas não ache que só porque somos brasileiros, podemos copiar e ninguém vai perceber. 

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um diretor de cena. Que conselhos daria?


Nando.

Pergunta difícil não vale!! Bom, eu ainda não tenho filho, mas sem dúvida nenhuma tentarei dar condições para que ele caso queira ser diretor ou seguir outra profissão, que não seja no Brasil. Esse pais é uma grande piada de mau gosto.






 


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