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Convidado do Mês
Mentor Neto
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 07/04/2015 @ 16:21

Mentor Muniz Neto, 50 anos, é formado em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing. Iniciou sua carreira como Diretor de Arte da ALMAP, em 1982. Em 1987, foi o mais jovem profissional a ser eleito Profissional de Promoção do Ano. Na JWT foi Diretor de Arte até 1992 quando assumiu a Direção Criativa da Bullet.

Em 1998, tornou-se sócio da Bullet. Em 2000, associou-se ao Interpublic e a Bullet passou a fazer parte do Momentum Group, o braço promocional do McCann Worldgroup. Em 2004, ingressou no Momentum Creative Worldwide Council. Em 2006, recomprou a participação acionária do Interpublic na agência, tornando a Bullet novamente uma agência independente.

Em 2007 fundou o Talkability Group, o grupo formado pela Bullet Promo, Bullet Eventos, Bullet Trade e Inflama/Rio. Exerceu o cargo de Diretor de Promo do Clube de Criação de São Paulo de 2009 a 2014. Em 2009, foi eleito o Profissional do Ano pelo Globes Awards. Em 2013 foi o Presidente do Júri de Digital no Festival do Anuário do CCSP.

Na Bullet, coordenou projetos locais para clientes como Amex, Bacardi Martini, Bayer, Unilever, Danone, Disney, Abril, Gillette, HP, Kaiser, Mondeles, Microsoft, Nike, Pepsico, Philips, Quaker, Reckitt Benckiser, Samsung, Volkswagen e Warner Bros. Dirigiu a criação de campanhas regionais (Latam) de MasterCard e Gillette.

Foi por 10 anos consecutivos jurado do Anuário do Clube de Criação de São Paulo, do Festival El Ojo de Iberoamérica e, mais recentemente, foi o jurado brasileiro de Promo, em Cannes. A Criação da agência acumula mais de uma centena de prêmios em festivais como Cannes, New York Festivals, D&AD, London Festival, entre outros. 

A Bullet é a única agência 6 vezes vencedora do prêmio de Agência Promocional do Ano sendo a única agência latina a vencer a versão mundial do Globes Awards. Acumula ainda três prêmios Popai, o Caboré 2007, além de ser a primeira agência de Marketing Promocional brasileira a conquistar Promo Lions em Cannes. 

Neto colabora com artigos para diversas publicações do setor e mantém regularmente colunas no Bookmark This!, da Revista Proxxima, na Revista Marketing e no Brasil Post, o braço brasileiro do Huffington Post.


ENTREVISTA


PortfolioLovers. 

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 

 

Neto.

 

Até terminar o ensino médio, tinha certeza que seria médico. Mas sempre desenhei, desde pequeno. Então, ali pelos 17 anos, uma tia que percebeu que eu não seria feliz na medicina, me convidou para conhecer a Almap.

Na agência percebi pela primeira vez que alguém pensava em propagandas. E melhor. Que pensavam em imagens, em cores, em fontes de letra e por aí vai. Detalhes que me interessavam inconscientemente, mas que nunca havia parado para pensar como uma profissão.

Na mesma hora decidi mudar de ideia quanto ao meu futuro. Tive a sorte de começar a trabalhar como estagiário do estúdio na Almap e nunca mais pensei em outra profissão. 

 

PortfolioLovers. 

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? 

 

Neto.

 

Isso de chamar de “Criativos” é uma coisa mais recente. Eu prefiro “Profissional de Criação”. Por que? Porque ser um sujeito “criativo” depende de talento. “Criativo” é um adjetivo. Eu nunca acreditei que você precisa necessariamente ser “criativo” para ser um Profissional de Criação.

Criação, em Publicidade, é uma técnica. Uma técnica que pode ser ensinada e aprendida. Durante toda minha carreira vi uma infinidade de profissionais optarem por outras áreas porque não se achavam qualificados para serem “criativos”.

O fato é: se você quiser, você pode ser um Profissional de Criação. Se você for “criativo” ainda melhor. Se não for, basta trabalhar com bons profissionais e você vai aprender o que é necessário.

 

PortfolioLovers. 

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Neto.

 

Portfolio é um bom cartão de visitas. Serve como um álibi para se colocar diante de um profissional que pode, quem sabe, mudar sua vida profissional. Não sei se existe uma única verdade, ou uma forma “correta” de montar um portfolio. O que eu procuro hoje é versatilidade. Não valorizo portfolios que se restringem à boa Direção de Arte ou bons títulos.

O profissional que a gente mais procura hoje é aquele que é capaz de conceber ideias que possam servir de plataforma para diversas mídias. Uma ideia que gere uma narrativa através das diversas mídias é muito mais importante do que uma boa peça de publicidade isolada.

 

PortfolioLovers. 

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

 

Neto.

 

Acho que essa e a próxima pergunta são muito semelhantes. Ouvi de um Diretor de Arte um conselho que nunca esqueci:

- Você é tão bom quanto suas referências.

Ele se referia a livros, revistas e filmes. Naquela época valia a pena buscar referências na mídia. Se você assistisse aos filmes certos, se lesse as revistas certas, provavelmente faria bons anúncios.

Hoje em dia o acesso a essas referências é ilimitado. Eu não tenho um lugar específico onde procuro referências. Acho que hoje é muito mais importante ser curioso. Enfie a cabeça em tudo que interessar. Fotografia, programação, filosofia, não importa.

Você continua sendo tão bom quanto suas referências.

 

PortfolioLovers. 

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Neto.

 

Nunca, em hipótese nenhuma, trabalhe com profissionais que você não admira.








Eco Moliterno
Vice-Presidente de Criação da Africa
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 09/03/2015 @ 10:35

Eco Moliterno é hoje Vice-Presidente de Criação da Africa, mas construiu a maior parte da sua carreira no mundo digital – como ele mesmo diz, “trabalho com internet desde o milênio passado”.

Começou como diretor de arte na Agência Click, depois foi designer-chefe da AOL Brasil, Diretor de Criação da Tesla e chegou a Vice-Presidente de Criação da Wunderman para toda a América Latina.

Até que resolveu deixar o mundo online e migrar para agências full-service porque “antes o digital era uma pequena fatia do bolo, mas hoje é a cobertura”. Virou, então, Diretor de Criação Online na Y&R e depois foi convidado pela África para liderar a concorrência online de P&G – e com a conquista da conta, se transformou em Head of Digital da agência.

Montou, então, um time que criou alguns dos maiores sucessos da internet brasileira – entre eles, a campanha com o Joel Santana para Head&Shoulders, a mais vista até hoje na história do YouTube Brasil com mais de 100 milhões de views. Muitos desses cases acabaram indo parar na TV e ele foi parar na Vice-Presidência de Criação da Africa para integrar todas as contas da agência, onde não existe mais a distinção entre on e off.

Eco foi eleito pelo Meio&Mensagem um dos 10 profissionais mais inovadores do mercado brasileiro e, em 2013, foi o primeiro criativo digital a conquistar o Prêmio Caboré como Profissional de Criação do Ano.

Durante sua carreira, ele não só ganhou como foi jurado de vários prêmios internacionais – incluindo Cannes, D&AD, One Show, London Awards, FIAP e El Sol, entre outros

E mesmo não estando mais em uma agência digital, foi apontado como uma das pessoas mais influentes da internet brasileira em 2014 pelo YouPix.


ENTREVISTA


PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Eco Moliterno.

Senta que lá vem história... Na verdade, foi a profissão que me escolheu, porque eu sempre achei que ia ser um ilustrador. Comecei fazendo charges pro jornal da minha escola e, aos 16 anos, ganhei 50 reais com uma caricatura do Axl Rose pra uma revista de rock. Só que, aos 17, fui pra Dinamarca terminar o colegial bem no ano em que a web estava começando a se popularizar no mundo, e a minha escola lá já dava aulas de internet pros alunos – e tive a sorte de aprender digital muito antes da maioria aqui.

De volta ao Brasil, entrei em publicidade na ECA-USP e o Kako (www.kakofonia.com), que fazia Artes Plásticas, me viu desenhando na parede do Centro Acadêmico durante a Semana dos Bixos e me convidou pra ser sócio do estúdio dele, onde passei a publicar em grandes revistas (VIP, Placar, Capricho, Playboy, Alfa) e jornais (Folha, Estado, Lance, Jornal dos Sports). Mas foi graças a outro grande amigo da faculdade que acabei virando um criador interativo – só que, inicialmente, de forma “analógica”. O Giuliano, que hoje é diretor de filmes (www.gaiaproducoes.com.br), ficou sabendo que eu criava jogos de tabuleiro – algo que faço desde criança por influência do meu pai, que era um colecionador de jogos – e perguntou se eu não queria fazer uns freelas pra GROW, onde ele era estagiário na época.

Passei, então, a criar jogos pra eles – que me rendiam, em royalties, muito mais do que as ilustrações que eu publicava – e depois, juntando com o que eu havia aprendido sobre digital na Dinamarca, comecei a fazer versões online dos meus jogos. Acabei, então, sendo convidado pelo Nagib, que hoje tem um estúdio de tecnologia criativa (www.bolha.com.br), pra trabalhar com ele no portal Super11 como “ilustrador e redator” (devo ser a única pessoa no mundo que tem esse cargo registrado na Carteira de Trabalho) e lá eu acumulei várias funções: além de fazer caricaturas pro editorial e criar mecânicas pra seção de jogos, comecei também a cuidar de toda a parte de publicidade online.

E quando o portal começou a dar sinais de que iria fechar, mandei um email com alguns banners em GIF anexados para o PJ Pereira, hoje dono da Pereira&O’Dell (www.pereiraodell.com), que havia acabado de lançar a AgênciaClick. Ele viu, gostou e ligou no dia seguinte me convidando pra ir trabalhar lá. E assim, por um caminho tortuoso e nada planejado, virei um criativo digital.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Eco Moliterno.

Sendo bem sincero e direto: quem é criativo de verdade não tem dúvidas sobre isso. Só que os sinais de criatividade podem se manifestar de muitas formas – e quanto mais indícios você tiver, maior será seu potencial. O fato de eu ter trabalhado em várias atividades diferentes (ilustrador, criador de jogos, redator de portal), antes de começar em uma agência, me ajudam muito até hoje – principalmente agora que coordeno um departamento inteiro de criação com pessoas com formações e referências bem distintas. Portanto, mesmo que seja algo muito simples, comece logo a colocar em prática sua habilidade de criar. Não importa no que seja. Porque quanto antes você “transpirar” seu lado criativo, mais cedo terá certeza da sua decisão.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Eco Moliterno.

Pra mim, o grande problema das pastas é exatamente o fato delas serem pastas. Ou seja, se você já inicia sua trajetória limitando sua criatividade a padrões pré-estabelecidos, mais difícil será pra você surpreender um diretor de criação em uma entrevista. Portanto, leve também ideias “fora da pasta” – de preferência, em formatos que nem têm nome ainda – e, com certeza, eles vão lembrar de você no dia seguinte. Pode apostar.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Eco Moliterno.

Manhã, tarde e noite. Um criativo precisa estar 24 horas ligado no que está acontecendo – de noticiários econômicos a revistas de fofoca, de novas tendências em tecnologia no Japão a vídeos idiotas do Whatsapp – porque você nunca sabe pra qual tipo de público você vai ter que criar no dia seguinte. E, a qualquer hora, as coisas mais inúteis podem se transformar nas mais úteis pra sua próxima campanha.

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Eco Moliterno.

Eu diria pra ele ser criativo em qualquer profissão que ele venha a escolher. Afinal, acho meio egocêntrica essa história de “criativo” ser sinônimo só de quem trabalha no departamento de criação de uma agência. Todo mundo pode – e deve – ser criativo. Hoje, até o Papa é criativo – e olha que ele trabalha com um briefing que não muda há mais de 2000 anos...







Júlio Andery Júnior
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 02/02/2015 @ 15:30

Um dos mais renomados e premiados diretores de arte da publicidade nacional e internacional, Júlio Andery Júnior acumula importantes conquistas em seus 29 anos de trajetória. Trabalhou em algumas das maiores agências do Brasil, como Fischer, Young & Rubican, F/Nazca e AlmapBBDO. Na área de criação, teve experiência em  todos os cargos, iniciando como assistente de arte e chegando com apenas 32 anos ao posto de Vice-Presidente da Lowe e, posteriormente, em 2009, da DM9DDB.

Sua grande paixão pela publicidade o levou a uma vida de dedicação e verdadeira devoção à sua profissão. Em 2001, Andery foi o Diretor de Arte mais premiado do País e eleito pelo mercado publicitário como um dos três melhores profissionais de criação pelo Prêmio Caboré. No mesmo ano foi também um dos três publicitários escolhidos para representar o Brasil como jurado da categoria Press, no Cannes Lions. Já na DM9DDB, foi eleito um dos 5 Top Executivos mais premiados do mundo, com o quarto melhor trabalho de mídia impressa e com sua equipe levou a agência ao título de Agency of The Year em Cannes.

Anuário Brasileiro de Propaganda, Clio Award (EUA), Festival de New York, One Show (Grã-Bretanha), FIAP (Festival Ibero-Americano de Propaganda), Festival de Londres, CannesLions, AD&D, fazem parte de sua lista de troféus e reconhecimento pelo trabalho.

Atualmente esta de volta à AlmapBBDO e em sua terceira passagem pela agência empresta seu talento a anunciantes como Volkswagen, Havaianas, O Boticário, Pepsi, Editora Abril, entre outros. Além destes, durante sua trajetória já criou campanhas para clientes como Itaú, Telefônica, AMBEV, Honda, Nestlé, Nissan, Renault, Audi, Toyota, Unilever, Philco, J&J, Banco do Brasil, Refinações de Milho Brasil, Chocolates Garoto, Elma Chips, Cerveja Brahma, Skol, Heineken, Tintas Suvinil,  Bayer e ZIP Net. 


ENTREVISTA


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 

 

Andery.

Um primo meu, gerente de marketing da Du Pont, me mostrava os trabalhos incríveis que a agencia de propaganda dele fazia para seus produtos. A gloriosa, desde aquela época, Y&R. Pirei mto, eu tinha que fazer aquilo, “vou começar a me mexer e é agora.” Eu tinha 13 anos. Aos 15 comecei na Y&R, Começou ai a minha história.

 

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? 

 

Andery.

Acredito que todas as áreas da agência devem ser criativas. Mais do que nunca buscamos soluções inusitadas para os nossos projetos. E dentro da verba e sem perder o prazo. Irmão, se vc não for um mídia criativo, atendimento, planner, produção, criação, serviços gerais, ou o que for, não rola. Queremos novidades, atualidades, o que nunca foi visto, o tempo todo, a cada job. Se vc é assim por natureza é um excelente indício. Conheça bem como funciona uma agência, veja se seus expertises se encaixam em alguma dessas áreas, entenda e direcione a sua aptidão. Veja propaganda dos anuários, estude, veja se essa dinâmica de agência lhe agrada. E se for um sim, se joga. É demais.

 

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Andery.

Legal mesmo de ter na pasta é idéia BOA. Conheço só esses dois tipos de idéias, a BOA ou a RUIM.Por mim, gosto de ver de tudo, de adesivo a filme. Me importa o raciocínio, a idéia e a produção. Peças inusitadas são sempre um prazer.Faça, faça bem feito, com amor e relevância. Tome cuidado para não se apegar, se a ideia não for tão boa, tire do portifólio. E não sofra. Eu sofri muito. rs.

 

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

 

Andery.

A vida, a vida e a vida. Viajar muito, pesquisar o tempo todo enquanto curte, treinar o olhar, e estar aberto a qualquer insight.

 

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Andery.

Primeiro eu o incentivaria. Continuo achando o máximo o que eu faço.

Uma coisa vital é conhecer bem a propaganda, seu negócio. Conhecer bem uma agência, suas funções. E se depois disso tudo você ficar completamente apaixonado, caia pra dentro. Ela te reservará momentos incríveis. Já que quer mesmo, estude. Estude a sua área de competência como ninguém. Depois estude as áreas que trabalharão com vc diretamente. Depois as áreas indiretas. Desenhe processos que minimizem o prazo e os custos sem perder qualidade. Te sobrará tempo e satisfação.

Olha o EGO. Saia do EGO e entre no operacional. Faça acontecer, isso importa, quanto mais profissionais na ficha técnica melhor. Descanso faz parte do treino, dizia o pai do Frietzen. Defenda sua equipe, seus fornecedores, sua agência, seus clientes. Entenda os caras. Se você souber muito, não reclame dos outros, aculture-os. Todo mundo ganha. Um dia vira hábito. Você precisa se cuidar para cuidar bem do seu negócio. Então estude, viaje, curta, descanse, e mantenha-se muito bem informado. 

E por ultimo, veja se não fica besta depois que começar a ganhar prêmios!!!

 

 

Abraço forte,

 

Julio Andery Junior

 

 

 

 

 


Guilherme Jahara
Chief creative officer (CCO) da F.biz
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 10/01/2015 @ 21:38

Guilherme Jahara é chief creative officer (CCO) da F.biz desde janeiro de 2014. Com 20 anos de experiência, ele começou a sua carreira como diretor de arte na Artplan e, depois, foi para a extinta Salles D'Arcy, ambas no Rio de Janeiro. Em 2000, chegou em São Paulo para trabalhar na F/Nazca Saatchi & Saatchi e, em seguida, na AlmapBBDO. No ano de 2006, tornou-se diretor de criação na Publicis Brasil, onde ocupou o cargo de vice-presidente de criação.

Após três anos, como diretor de criação da DM9DDB, Jahara contribuiu para a conquista do Agency of the Year em Cannes. Em janeiro de 2012, tornou-se o diretor de criação Executivo da Leo Burnett Tailor Made e ajudou a agência a ser uma das 10 mais premiadas do mundo e a ser a unidade da Leo Burnett mais premiada do grupo. Além de ser responsável pela direção de arte do 37º Anuário do Clube de Criação São Paulo (CCSP), em 2013, despontou na lista dos 10 diretores de arte mais importantes do mundo, segundo o AdvertisingAge. Naquele mesmo ano, Jahara também ganhou o prêmio de Melhor Diretor de Arte pela Associação Brasileira de Publicidade (ABP). E em 2014, foi incluido novamente pelo AdvertisingAge na lista dos 10 diretores de criação mais premiados do mundo.

Entre os trabalhos que realizou, estão “Vem pra Rua” para a Fiat; “1, 2, 3” para o modelo Strada da Fiat; “Bentley do Chiquinho Scarpa” para a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO); “Meu sangue é Rubro Negro” para a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia (Hemoba) e o Esporte Clube Vitória; assim como outras inúmeras campanhas de sucesso para Volkswagen, Itaú, cerveja Schin, Samsung e vodka Absolut.

Seja como diretor de criação ou diretor de arte, Jahara traz em seu currículo prêmios em diversos festivais nacionais e internacionais, tais como 32 Leões em Cannes; Lápis de Ouro no One Show e Lápis no D&AD; Ouros no LIA Awards, Clio Awards e Andy Awards; GPs no Wave, no El Ojo, no Fiap, na ABP e no NY Festivals; Prêmio Abril; e Estrelas no CCSP.


ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 


Guilherme Jahara.

No fundo, no fundo, não sei. Acho que a profissão me escolheu.

Sempre gostei de desenhar quando menino. E de arte. Participei de competições de Bienais de quadrinhos e fiz cursos de animação... Eu era o cara que curtia publicar os jornais das escolas(feitos em Mimeógrafo, saca?), curtia diagramar e desenhar as capas, fazia os cartazes de divulgação dos campeonatos de Handball, Basquete e Futebol da turma, enfim, estava no "sangue". Isso me levou à Faculdade de Comunicação Visual, na PUC-Rio. Poderia ter sido faculdade de belas artes ou outra, mas acho que o meu lado racional me levou a algo mais palpável. Eu poderia ter seguido em Design, mas a oportunidade de estágios em agências de propaganda surgiram e curti muito. E as agências me curtiram também, porque fui crescendo aos poucos e me tornei um Diretor de Arte em menos de 1 ano.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? 

 

Guilherme Jahara.

Bem, antes da escolha da Faculdade, se você tem "comichão" por querer escrever, se expressar visualmente(desenhos, quadrinhos, pintura, etc); se é observador, se gosta muito de ler e pensa em histórias suas, se cria seus desenhos, se adora ver o "making off" de cinema e animações tanto quanto os próprios filmes, se é o cara com as tiradas mais inteligentes da turma, talvez você já seja uma pessoa "criativa" e não saiba. 

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Guilherme Jahara.

Pasta muito pequena não ajuda. Pasta grande demais, provavelmente vai ter coisa que não devia estar ali... Isso pra começar a falar do assunto. Coloque tudo o que achar que é melhor, claro. E cuide da forma de apresentar cada uma delas. A ideia em si é o mais importante, mas às vezes uma boa idéia infelizmente se perde na execução. Opte pelo o jeito simples de executar. Inclusive isso vai ajudar sempre: simplicidade é tudo.

Ainda dá pra avaliar bem um DA pela parte gráfica, pelos layouts. Assim como dá para avaliar um redator pelos títulos ou raciocínios das peças. Mas ficar só na "mídia impressa", por melhor que seja o exercício criativo nesse formato para quem está começando, não basta mais. Tem que começar a explorar outras possibilidades. Vale tudo. Só não vale só traquitaninha, app disso, app daquilo. Fuce muitos portfolios de profissionais que existem por aí e vá se balizando. Base de comparação é sempre bom.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Guilherme Jahara.

Conheça o que de melhor já foi feito porque isso molda o jeito de pensar(sim, é bom entender e se "moldar" um pouco) e ajuda a inspirar para sair do molde também (sim, é bom não ficar só no jeito que sempre se fez). 

Por isso, vou no old fashion way: todos os Anuários do CCSP por exemplo e uma boa livraria (sim, é isso mesmo: mesmo que não dê para comprar muitos, gaste umas tardes de sábado ou domingo fuçando livros de arte, cinema, design, moda, cinema, fotografia, propaganda até. Revistas diversas, etc. E escolha bons títulos de literatura pra levar com você. Eu fazia isso e ainda faço. Não há "curadoria" melhor na internet, fora que é uma delícia ficar fuçando). 

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Guilherme Jahara.

Seja generoso. A vida será com você também.

Seja uma esponja. Aprenda sempre.

Não tenha medo de errar.

E não perca sua essência.

Você sempre mostrou criatividade desde sua infância. 

Vá em frente, aprenda, desenvolva-se, erre e acerte, mas nunca perca sua essência.

 

(Obrigado por me fazer pensar nisso. :) )

 



 



Renato Fernandez
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 11/12/2014 @ 23:09

Renato Fernandez é Diretor de Criação da TBWA/Chiat/Day, em Los Angeles, onde lidera as campanhas para Gatorade. A última a sair do forno foi a despedida do Derek Jeter, “Made in New York”.

Antes disso, muito antes, começou numa house em Curitiba. Quer dizer, era mais um puxadinho no fundo da casa dos pais, onde abriu uma agência com o irmão gêmeo, Roberto Fernandez. Não demorou muito pra aprender que ainda tinha muito que aprender. Foi trabalhar em agencias sérias como a Exclam e Master e chacoalhou o mercado curitibano junto com seu irmão, Dulcídio Caldeira, Gustavo Leme, Claudio Borelli e um bando de gente talentosa que logo se mudou pra São Paulo. Renato foi também, pra Almap/BBDO, onde passou 11 anos, ganhou um monte de prêmios e ajudou a agência a ser agência do ano em Cannes por duas vezes além de a mais premiada do país por diversos anos.

Ele criou campanhas memoráveis para Volkswagen, Havaianas, Gol Linhas Aéreas, Bradesco, Embratel, Pepsi entre outros, e recebeu o Great Art Direction Award no FIAP, 14 Leões (2 de Ouro) e prêmios em praticamente todos os mais importantes festivais, como o D&AD e o Clio Awards. Renato já foi membro do júri do Cannes Lions, Clio Awards, AICP Awards e outros festivais internacionais. Em 2011 foi convidado para trabalhar em Los Angeles na TBWA/Chiat/Day e conquistar a conta da Adidas pra Copa do Mundo de 2014. E não é que foi gol?

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers.

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 

 

Renato.

 

Obsessão. Eu queria ser quadrinista, desenhava desde pequeno em tudo que é lugar, até na parede da casa dos meus pais. Todo mundo querendo jogar bola e eu trancado em casa desenhando quadrinhos. Eu tinha pilhas e mais pilhas de coleções de gibis. Minha rinite nasceu ali, provavelmente. No final das contas, deu certo. Cheguei a publicar tirinhas semanais em dois jornais em Curitiba e fiz  algumas exposições com meus trabalhos.

Depois decidi virar designer. Fiz segundo grau técnico em Desenho Industrial no Cefet-PR. Devorava tudo que era relacionado com design, xerocava livros sobre o assunto (eram caros na época), fui trabalhar na Fundação Cultural só pra aprender a trabalhar com serigrafia e frilava fazendo logos, catálogos e identidades visuais. Os trabalhos da escola ficavam sempre pra última hora, e foi onde aprendi a virar noites em claro pra cumprir prazos.

Finalmente resolvi ser publicitário e fui fazer faculdade na UFPR. Eu destruía as revistas semanais do meu pai (desculpa, pai), recortando todos os anúncios e catalogando em categorias. Selecionava os melhores por título, por layout, etc. Ou seja, eu mesmo montei meus primeiros anuários. Aproximei-me de contrabandistas de fitas VHS (alguém ainda lembra o que é um VHS?) com os ganhadores do Festival de Cannes. O acesso a informação era raro e disputado a cotoveladas. Passei a religiosamente acompanhar todos os festivais e conhecer de cor todos os grandes nomes da propaganda nacional e internacional.

Em resumo, escolhi essa profissão porque não bato bem da cabeça mesmo.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? 

 

Renato.

 

Tem aquela história que ator pornô não gosta de fazer sexo quando não está trabalhando. E comediante odeia contar piada quando está entre amigos. Criativo não tem essa escolha. Ele não pode escolher quando ser criativo. É always ON. Você vai se pegar pensando em idéias no chuveiro, naquele jantar romântico, dirigindo seu carro, no boteco e até no banheiro. Parece divertido – as vezes é mesmo – mas a pressão pra entregar algo diferente e criativo é enorme. E acontece o tempo todo. Você vai se achar incompetente, vai se perguntar porque é tão fácil pros outros. A verdade é que não é. Criar é um parto doloroso e custa suas olheiras alguns cabelos brancos.

Além disso é preciso entender que em propaganda, criatividade é uma ferramenta que deve ser usada a serviço de uma marca. Não é muito diferente do Michelangelo, nesse sentido. Ele foi contratado pra pintar a Capela Sistina e aí veio o cliente, o Papa Julio II, e mandou cobrir todo mundo que tava pelado.

Assim como não recomendo ser médico para uma pessoa que tem pânico de sangue, se você se assustou com os paragrafos acima, criação publicitária não é pra você.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Renato.

 

Pasta tem que ter o máximo de peças para deixar o entrevistador curioso sobre o quanto você é bom e o mínimo de peças para deixar ele com a certeza de que você não é. Explico: não coloque tudo que você fez na sua pasta, isso não é sua biografia. Pasta não é seu passado, é seu futuro. Então monte a pasta pensando no tipo de trabalho que quer fazer. Não inclua logopitos, a menos que seja isso que você esteja procurando fazer no seu próximo emprego.

Qualidade de execução é importante, mas o mais importante é a idéia. Já contratamos na Almap um estagiário que tinha apenas um anúncio em sua pasta, desenhado a lápis. Era uma carteira de motorista com a foto de uma criança. Anúncio para Matchbox.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Renato.

 

Simplificando, você precisa de duas fontes de referência. Aprender com o que já foi feito, se inspirar com o que ainda não foi feito.

Ou seja: pra ser um bom criativo, é importante conhecer boa propaganda. Ajuda a moldar seu critério e evita que você repita idéias já feitas. Mas também pode ser útil quando você precisa encontrar uma solução e pode aprender com os acertos e erros de campanhas já produzidas.

Mas para fazer o que nunca foi feito é importante beber de outras fontes que não sejam a propaganda. Isso pode ser um livro, um filme, um papo no bar, uma experiência pessoal. Tudo pode servir de combustível para inspirar um novo insight ou uma nova idéia.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Quais as vantagagens e desvantagens de trabalhar fora do Brasil, tanto pelo lado profissional quanto pelo lado pessoal?

 

Renato.

 

O lado pessoal é indiscutível. Filhos fluentes em outra língua, segurança, a sensação de que o planeta cabe na sua mão, fora toda a cultura que se pode absorver. E você fica com aquela sensação de urgência de querer absorver o máximo da cultura porque não sabe quanto tempo isso vai durar.

O lado profissional é simplesmente uma nova experiência. Tudo é diferente. Os processos, a estrutura, a relação com os clientes, a relação com os times. Ser brasileiro é uma vantagem no começo: o sotaque, os maneirismos – mas a novidade passa logo, então tem que arregaçar as mangas e provar que você merece o espaço. Depois de anos conquistando espaço no mercado brasileiro, tive que começar de novo no mercado americano. É incrível trabalhar num mercado com tanto acesso a informação e tantas possibilidades. Os orçamentos são maiores. Em compensação, tem mais gente de olho, muito mais processos e hierarquias.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Renato.

 

Minha filha de 16 anos faz cinema no High School, faz curtas e tem um canal no YouTube com uma amiga americana onde uma desafia a outra em coisas da cultura brasileira e americana (https://www.youtube.com/user/gabisophiaus).

Meu filho tem 11 anos e já criou uma página onde posta dicas de videogame. Em resumo, logo, logo eles vão estar dando dicas pra mim.





Rodrigo Leão
Sócio-fundador e Diretor de Criação da Casa Darwin.
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 03/11/2014 @ 21:06

Rodrigo Leão é sócio-fundador e Diretor de Criação da Casa Darwin.

 

Começou sua carreira em publicidade na W/Brasil, em 1995. Esteve a frente de seu primeiro negócio aos 28 anos, a Propaganda Registrada. Vendeu a agência e seguiu carreira na W/Brasil e DPZ. Criou campanhas memoráveis para alguns dos maiores clientes nacionais, como Itaú, Sadia, Melissa, Unibanco, Folha de S. Paulo, Bombril, Rider, Net, Mercede -Benz, Guaraná Antarctica, Kaiser, Campari, Lojas Marisa, Triton, Banco1.net, Ferrero Rocher e SBT entre outros. 

 

Desde 2002 é professor do MBA da FIA-USP nos cursos de Marketing, Executivo Internacional e International MBA. 

 

Além da carreira em publicidade, Rodrigo é jornalista, músico e compositor (São dele alguns hits da banda mineira Skank como "Um mais Um" e"Saideira", recentemente gravada pelo pop star internacional Carlos Santana e lançada em todo o mundo.

 

Foi colunista do Jornal Metro, da Revista Época SP e do Jornal Meio e Mensagem onde escreve sobre criação. 

No rádio apresenta o quadro "Quebra-cabeça" todas as segundas de manhã no "Morning Show" da Joven Pan FM.

 

A Casa Darwin atende a conta das sandália Melissa em todo o mundo, a MTV, VH1, a Casa Do Construtor, Pobre Juan e a Cervejaria Colorado.


ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Rodrigo Leão.

O dinheiro e a compania.

 

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? 

 

Rodrigo Leão.

É muito importante que não seja uma escolha de vaidade. Trabalhar como criativo publicitário é muito desgastante mental e emocionalmente. A única coisa que pode tornar o trabalho tolerável é o amor pelas tarefas mais prosaicas do dia a dia. O amor pela tarefa de escrever. O amor por desenhar. O amor pela busca e desenvolvimento de imagens. O amor por contar e ouvir histórias. O amor pela literatura, pintura, fotografia, escultura, arquitetura, arte de rua, música e dança. O amor pelos memes, tuítes, telegramas falados, posts de Facebook, pichações, rabiscos de banheiro, fotos do Instagram e mensagens em camisetas. Enfim, o amor por todo e qualquer expediente que sirva para demolir a muralha de solidão que existe entre a gente e o outro. Os melhores publicitários são os que mais amam o público e não a si mesmos. O comércio é um dos mais importantes pilares da jornada civilizatória. Cria confiança entre estranhos, estabelece parâmetros de justiça (um bom negócio é aquele onde as duas partes saem achando que levaram vantagem) e estabelece vínculos duradouros e positivos entre pessoas que talvez até se odiassem não fosse a necessidade da troca. O criativo publicitário é o profissional com a barriga no balcão da vida, conversando com o mundo. Como vai sua filha Dona Maria? E o Corinthians, Seu João? Tá crescendo este menino! No balcão, é essencial gostar de falar em público, ouvir atentamente o que os outros pedem e encantar, não só com a sua entrega, mas com sua presença. No balcão você vai ouvir grosserias e cantadas, ofensas cabeludas e elogios descabidos, vai ser tratado como nada e visto como salvador da pátria. Esteja preparado. Como disse a mulher pelada da revista quando perguntada se não se incomodava com "aquilo" que os garotos fariam com a revista no banheiro: — O importante é o carinho do público.

 

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Rodrigo Leão.

A pasta pode ter qualquer coisa que indique que você:

a. Escreve como Hemingway.

b. Desenha como Picasso.

c. É inteligente como Steve Jobs.

 

Caso isso não seja possível, ela deve conter no máximo 20 peças que representem o que de melhor você sabe fazer.

Cada desgraçado que você for visitar vai cagar uma regrinha sobre a pasta ideal. Ouça atentamente. Esqueça imediatamente. A pasta ideal só pode ser vista em retrospectiva: é sempre aquela com a qual você arrumou um emprego. Nosso trabalho é convencer alguém a comprar alguma coisa que ele provavelmente não precisa. Ou seja: sua pasta é seu primeiro grande job. Nessa profissão só vence quem tem iniciativa, determinação e personalidade. Então tenha.

 

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Rodrigo Leão.

As chiques, as populares e as inesperadas. Ou, mais especificamente: os livros, a Internet e o mundo sujo, louco e desgovernado ali do lado de fora da agência.

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Rodrigo Leão.

 

Eu diria que a solução original e criativa que ele busca já está sempre escondida no problema. Que ele deve competir com os seus próprios limites e não com o cara ao lado. Que ele não deve trabalhar com gente que acha que a genialidade acontece na hora-extra e nem com gente mal educada. Que ele deve usar o seu talento pra ajudar a promover as verdades das marcas, não as vontades dos clientes. Diria pra tratar a profissão pelo que ela é: só mais um jeito de financiar uma vida que, de fato, nem faz sentido. E que por isso mesmo não deve ser levada a sério demais e nem de menos. 







Max Geraldo
Vice Presidente de Criação da FCB Brasil
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 09/10/2014 @ 19:32

Max Geraldo é Vice Presidente de Criação da FCB Brasil. Nasceu na Argentina e vive no Brasil desde os 4 anos de idade. Formado em Publicidade pela UFMG trabalhou como ilustrador de estampas de tecidos, diretor de arte para televisão e cinema, diretor de programas de televisão, e ingressou na publicidade em 1998. Desde então passou por agências como DM9DDB, JWT, AlmapBBDO. Trabalhou para Fedex, Pepsi, Volkswagen, Unilever, Nivea, entre outras.

Participou de cases como o "Experimenta" no lançamento da Nova Schin e "Pôneis Malditos" para Nissan. Foi premiado nos principais festivais nacionais e internacionais, com destaque para 28 Leões em Cannes, incluindo um Grand Prix, 18 Clios, Yellow Pencil do D&AD e 5 Grand Prix do Prêmio Abril. Sua campanha “Vizinhos” para Fedex foi a segunda campanha mais premiada de 2011 segundo o Gunn Report. Figura entre os 10 diretores de criação mais premiados no Cannes Report 2014.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Max.

Quando eu era criança tinha dois interesses. Ciência e artes plásticas. A publicidade, curiosamente, reune essas duas atividades. Mas eu não comecei por aí. Já trabalhei como ilustrador em fábrica de tecidos, fazendo cenários para programas de televisão, como diretor de arte para televisão, como assistente de direção de arte no cinema. Por isso não considero que eu seja, propriamente, um publicitário. Acho que eu sou um profissional de Criação. E que descobriu na publicidade uma forma de atuar naquilo que sempre me interessou desde a infância. E esse encontro entre arte e ciência continua muito contemporâneo na nossa área.



PortfolioLovers.
 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?
 

Max.

Ser criativo é um estado de espírito. Porque todos somos capazes de criar. É inerente à mente humana. O que nos diferencia é a habilidade de criar de forma sistemática, organizada, por um propósito. Não quero dizer que aqueles que criam de outras formas, caóticas por exemplo, não são criativos. Muitas vezes são até mais. Mas terão mais dificuldade em se adaptar a uma atividade como é a da indústria da publicidade. Hoje em dia vemos pessoas se manifestarem criativamente em áreas onde isso não era visto. Graças aos novos meios, produzir material criativo, que possa ser apreciado por outros, compartilhado, feito em colaboração, ficou muito mais fácil. Nos permite deparar com coisas como aquele astronauta, o Chris Hadfield, que fez um clipe na estação espacial super divertido com a música Space Oddity, do David Bowie. Quando eu vi aquilo me deu um estalo. Cara, até alguém que trabalha na profissão menos criativa do mundo pode produzir um trabalho criativo! Porque o trabalho de um astronauta é baseado em rotina, repetição, disciplina, treinamento rígido, zero erro. Para mim é um símbolo do que eu comecei falando.



PortfolioLovers.
 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Max.

Acho que tem que ter boas ideias. Parece óbvio, né? Mas muitas vezes eu vejo trabalhos muito bem apresentados para ideias nem tão boas. É como ter uma linda moldura para um quadro medíocre. Aqueles que vão avaliar o seu trabalho, os diretores de criação, tem condições de discernir sobre isso. Aliás esse é o trabalho deles. Eles vão saber quando o quadro é bom e quando é só uma moldura. Portanto, invista naquelas ideias que você acha que vão fazer diferença. Nas que você acredita que fogem do lugar comum. Peça ajuda. Mostre para gente que você confia. Use o senso crítico que você tem para o trabalho dos outros no seu próprio trabalho. Você acha a peça engraçada? Então pode ser que os outros também achem. Você compartilharia? Então pode ser que os outros compartilhem. Você se emociona com aquele seu filme? Então pode ser que os outros se emocionem. Seja honesto com o seu próprio trabalho.
Daí não importa se é um filme, uma ação, um videocase, um anúncio ou um spot de rádio. Quem for avaliar o seu trabalho vai reconhecer o que você faz de bom em qualquer cenário. 



PortfolioLovers.
 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Max.

Os museus (e galerias), a literatura e o boteco. 



PortfolioLovers. 

Levando em conta o tempo que está nesse mercado, quais as mudanças mais relevantes que tem presenciado, e como elas podem ajudar a quem está começando?

Max.

A principal mudança eu já apontei numa pergunta anterior. É o acesso de muito mais gente à produção de conteúdo criativo. Isso é revolucionário. Não significa que todos terão a capacidade de produzir coisas realmente interessantes, relevantes, divertidas, enfim. A diferença está no talento de cada um. Hoje vemos manifestações que são difíceis, inclusive, de classificar. A nossa indústria, que se alimenta ao mesmo tempo em que é alimento da cultura popular, tem que estar atenta a todas essas manifestações. Porque elas vem do nosso público. Vem daqueles que no fim vão consumir os produtos que estamos vendendo. O "diálogo" deixou de ser bullshit num power point para ser, efetivamente, uma coisa que experimentamos na prática.



PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Max.

Seja curioso.







Pedro Izique
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/09/2014 @ 21:51

Pedro Izique, Head of Art na Wieden+Kennedy São Paulo.

 

 

ENTREVISTA

 

 

PortfolioLovers.

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Pedro Izique.

 

Eu nunca gostei muito de propaganda, não me lembro de muitos comerciais ou campanhas de quando eu era pequeno. O que eu gostava mesmo era de desenhar, desenhava o dia inteiro.

Quando eu tinha uns quinze anos, comecei a desenhar com computador, isso me abriu a possibilidade de trabalhar por um tempo colorindo Histórias em Quadrinhos na Vital Studios em São Paulo. E como não consegui passar em Cinema no vestibular, prestei Publicidade. Foi assim que eu escolhi Publicidade.

 

 

PortfolioLovers.

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

 

Pedro Izique.

 

Existem várias publicidades dentro da publicidade. Tem uma que tira muito tempo de você, te leva a fazer uma comunicação obvia e feia. E tem outra que sem dúvida é onde todo mundo que entra em publicidade gostaria de trabalhar. É muito raro você já começar na segunda, por isso acho que um sinal muito importante é ter foco. Não trabalhar por dinheiro e sim pelo trabalho.

Sempre que mudei de agencia era pelos clientes que eu iria trabalhar.

Em termos técnicos é fácil ver, se o cara gosta de contar piada, se o cara gosta de desenhar, se o cara curte escrever ou se o cara curte fotografar, ai está no caminho certo.

Mas isso não é tudo, isso só ajuda um pouco.

 

 

PortfolioLovers.

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Pedro Izique.

 

As pastas que eu mais gosto são aquelas que mostram claramente o olhar que o caboclo tem sobre o trabalho e não simplesmente trabalhos isolados. Tem gente que é muito presa a colocar coisas que veicularam pra dar credibilidade ou peso, o ponto é se o que veiculou não é muito bom não tem que estar lá. Você sempre vai ser contratado pelo seu potencial não pelo que você concordou com o seu chefe.

Resumindo, se você gosta de tipologia coloque um monte delas nas sua pasta, se você escreve poesia não vejo porque não colocar. Isso vai te descolar do pasta padrão que todo mundo tem, prints e boards.

 

 

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Pedro Izique.

 

A indústria da comunicação tem algumas vanguardas, iria nelas.

 

Arte contemporânea que sempre puxa a tecnologia e o conceito para alimentar o mercado artístico mundial.

Cinema que claramente está se reinventando muito pelo fácil acesso a câmeras e programas de edição e finalização além é claro da pirataria.

Design de produtos que sempre tem que encontrar o meio termo entre novas tecnologia com acessibilidade de consumo.

 

Acho que ai dá pra se inspirar bastante, não?

 

 

PortfolioLovers.

 

Levando em conta o tempo que está nesse mercado, quais as mudanças mais relevantes que tem presenciado, e como elas podem ajudar a quem está começando?

 

Pedro Izique.

 

Hoje tem uma preocupação muito maior na qualidade de produção e conteúdo que se tinha antigamente. Se não for muito legal ninguém fala sobre isso, se não está impecavelmente desenvolvido vira motivo de chacota. O jeito de trabalhar muda quando a resposta do consumidor é imediata através das redes sociais, hoje as melhores marcas trabalham visando qualidade não quantidade. Isso acho que é a maior mudança que percebo...

Esse novo momento é ótimo para quem está começando porque a busca do mercado é produzir comunicação relevante para as pessoas, não generalizada.

 

 

PortfolioLovers.

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Pedro Izique.

 

 

Arrepia.





José Godinho Marques, AKA “Zeca”
Chief Creative Officer da McCann Lisboa
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 05/08/2014 @ 11:26

A verdade do Zeca chegou mais cedo do que pensava, pois aterrou nas agências de publicidade com apenas 19 anos, na DDB. Ingressa na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e nos 5 anos de curso mantem-se fiel à sua primeira pista de aterragem. Feito Designer de Comunicação voa para a Z. Publicidade, e já feito director de arte vai aterrando em várias pistas, como a Euro RSCG e Benjamens Van Doorn EuroRSCG – Amstelveen, DMB&B, Nova Publicidade, Abrinício (grupo JWT), MKT (actual Brandia Central), e em 2001 na JWT, onde se mantém até 2006. Nesse ano integra a McCann Lisboa, como senior Art Director, surgindo o convite para assumir a direcção criativa em 1 de Abril de 2011. Na verdade, o dia das mentiras trouxe uma nova realidade aos seus desafios criativos diários: ficou verdadeiramente ligado aos desafios criativos de todos. Uma experiência de 23 anos e vários prémios (CCP, One Show, FIAP, Eurobest, Eficácia, Cannes entre outros) não o deixam esquecer a sua outra verdadeira paixão para além das marcas, onde voa baixinho e aterra de vez em quando: a pintura.


ENTREVISTA

 

PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Zeca.

No fundo eu sempre fui um apaixonado pela publicidade. Aos 16 anos passava a vida gravando comerciais que passavam na TV em cassetes VHS™, quando meus amigos gravavam o Homem da Atlântida ou os Three Dukes. Mas no fundo, no fundo, aos 19 anos em 1990 eu estava batendo no fundo, segundo meus pais. Estava melhorando minhas notas para entrar em Belas-Artes, e por isso fiquei um ano resolvendo apenas a terrível matemática. Resultado? Demasiado tempo livre.

Mas eu achava que trabalhava imenso, porque semanalmente publicava cartoons num jornal conhecido, o Correio da Manhã. Sempre me diziam "ô José, você só pensa em dormir, namorar, tomar café com seus amigos, que droga de vida é essa menino?". Fiquei de tal forma danado com os coroas (morro de saudade deles, já não estão entre nós desde 1999, fruto de um acidente horrível), que montei um portfolio virtual em 2 dias. Tudo desenhado, headlines com letras decalcáveis da Mecanorma™ ou da Letraset™(sim, com 43 sou sou um cara hiper vintage pré-Apple™), pintura perfeita com Ecoline™ e tinta-da-china (desculpem tantos sinais de "™", mas todas essas marcas de "craft" me marcaram muito nos primeiros anos da minh@ vid@ de cri@tivo). Fotografei tudo numa velha máquina Praktica MTL 5B™, revelei e colei tudo num álbum de fotografias muito feio (que ainda hoje guardo com um imenso carinho).

Marquei uma entrevista na DDB, e fui logo contratado. No dia seguinte comuniquei aos meus pais durante o jantar: "-Gente, nunca mais vou chegar a horas para jantar. A partir de amanhã sou assistente de arte na DDB". "-Poxa filho, que horror, tem certeza? A gente está faltando com algo para você? Não faz isso não, você ainda nem entrou na faculdade". Zeca se ferrou. Não só entrou numa agência como um felicíssimo escravo de storyboards e ilustração, como ainda tirou o curso de Design de Comunicação. E nunca mais saí das agências. Como se percebe, no fundo, no fundo, foram meus pais que me levaram a escolher essa profissão, sem o saberem. A eles agradeço o que escolhi. Bem sei que a minha história não tem o glamour da história de um Washington Olivetto e do seu Karmann Ghia ™ com o pneu furado em frente à agência HGP. Mas tudo bem.


PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?


Zeca.

Honestamente, eu próprio tive essa dúvida no início da minha carreira. Nos anos 80 a profissão de criativo publicitário não era tão profissionalizada como hoje, e eram os curiosos que escreviam bem ou aqueles que detinham um sentido estético superior que geralmente abraçavam essa profissão – os redatores vinham de Sociologia, Antropologia, Filosofia, Jornalismo, etc, os Diretores de Arte vinham do Design, da Pintura, da Escultura. Mas tudo mudou, e os sinais são agora mais fortes para qualquer um: eu considero que o sinal mais importante é a ausência de medo na hora de viver com 1% de inspiração e 99% de transpiração. O não ter medo de qualquer virada na vida. A noção de que qualquer Zig antecede um Zag. Os outros demais, que confiam na inspiração, usam desodorante e escrevem livros babacas ou viram artistas medianos (gente, a quantidade de caras que vive achando que é um fotógrafo cool ou um ilustrador de nova geração, e que acabam se fechando em estilos fechados que funcionam como espartilhos).

Mas há muitos mais sinais, como o sentido crítico, a vontade de fazer mais e melhor, a inquietação. Esses são alguns sinais (quase) óbvios. Muitos jovens criativos  olham para campanhas e acham que podiam ter feito igual ou melhor. E conseguem. Facilmente fazem humor ou sátira com situações normalíssimas, amplicando-as numa mensagem poderosa e bem disposta (a escola brasileira é perita nisso, nós ainda somos muito cinzentões). Ou fazem alguém chorar de tão profundas são as palavras que escrevem. Ou um mix das duas. Vejamos o exemplo do Miguel Durão, um ex-copywriter da McCann Lisboa que virou um premiado criativo internacional: fez um currículo inteiro em filme, falando dos atributos da sua linda namorada, da sua inteligência, da sua relevância no mundo da moda. E só no fim mostrou uma foto dele, quase gordo e desajeitado, dizendo algo como: "If it doesn't prove I'm good with words, I don't know what will". Este foi para mim o melhor currículo que vi de um jovem Criativo com "C" grande. Confira aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Kb-UdRa0Vaw

Esse é aquele que não teve dúvidas em escolher o seu caminho, com tanto humor e criatividade. Esse vai virar Diretor de Criação rapidamente. Como diz o meu amigo Mich Dim, da paulista Dim&Cazian, redator vira Diretor de Criação, diretor de arte vira noite. Ops. Fui diretor de arte 20 anos. Acho que finalmente percebi porque razão levei 20 anos para virar Diretor de Criação. Mas agora acho que já não tenho dúvidas porque razão escolhi essa vida. 


PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Zeca.

Para mim tudo é válido. Não interessa o formato. Mas caramba, começo a ter saudades de ideias simples em formatos mais simples. Existem muitos videocases que dão uma sonolência danada, e que por vezes nem ajudam a contar a ideia ou a explicar o conceito de uma campanha. Um roteiro, ou tem um título com um corpo de fonte 100 sublinhado a amarelo, ou dificilmente alguém lê. Acho sinceramente que um portfolio deve ser um "eye candy" irresistível, impecável, e acima de tudo relativamente curto. Um portfolio é um brutal exercício de verdade do criativo consigo próprio. Tem que ser honesto e relevante no que toca as suas reais capacidades. Tem que vir do coração. Apresentar um portfolio a um director de criação é como fazer um pedido de namoro. Se alguém quer ter uma relação duradoura com as marcas que a agência cuida (sim, procurar um job numa agência é procurar uma relação de longo termo), é melhor impressionar bem o chefe de família. Sem grandes floreados e belíssimos argumentos. 


PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

 

Zeca.

Sinceramente, não consigo enumerar, pois não gosto de referências fixas. E muito honestamente nem faço grande procura, porque tudo vem ter connosco via redes sociais. Assim de repente para quem está a começar, obviamente recomendaria o site de Cannes e a Archive, de cara. Vejam o trabalho do Hugo Veiga. Do Sagmeister. De todos os grandes criadores.

O grande problema dos jovens criativos de hoje são exactamente as referências, estamos assistindo a uma perda gradual da capacidade de criação nestas camadas mais jovens. Perdem demasiado tempo no Facebook, no Twitter ou no Instagram. Perdem demasiado tempo no boneco que controem em si mesmos. Ainda há semanas atrás dei uma palestra (num fomato de peça teatral, imagine-se) nos Prémios Lusos (antes do Sérgio Gordilho, olha a responsabilidade) sobre como seria o David Ogilvy entrevistando um irritante hipster. O hipster mago das referências. O uber cool hipster dominador do conhecimento das tendências. O hipster do chapéu e óculos escuros dentro de casa, da barba de homeless fofinha e da roupa feia e apertadinha até ao pescoço que quase custa todo o seu salário mas vem toda anunciada na Wallpaper ou na Monocle.

É uma geração mais sedenta de boas referências do que de boas ideias e isso me assusta. Deixei um conselho aos jovens criativos que estavam na sala: tornem-se numa referência, não persigam tanto as mesmas. Persigam o cinema, a leitura, a arte e as pessoas. Criem muito para o online, mas não vivam escavando e partilhando unicamente dentro dele, pois pode ser a vossa própria sepultura enquanto criativos. Ninguém vai ter escrito no seu epitáfio a quantidade de Likes e Shares que fez durante toda a sua vida, certo? 


PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


Zeca.

Ouch! Posso imaginar sim, tenho um Guilherme e uma Beatriz em casa com uma imaginação tremenda, o que os torna potenciais criativos (fala-se muito de publicidade na minha casa, a mulher da minha vida também é ligada à área). Acima de tudo, se essa for a escolha direi para nunca em momento algum tratarem o consumidor como burro, e terem o maior respeito com o cliente, pois são estes que permitem que esta maravilhosa indústria exista. Conselho óbvio, eu sei. Mas estou muito cansado de ouvir coisas como "o consumidor nunca vai entender isso" ou "o cliente não percebeu a campanha". Isso é proibido. É tabu. As ideias tem que ser tão claras como as boas intenções de uma marca. Sempre. A honestidade é o maior trunfo para quem quer trabalhar numa agência. Outro conselho importante: nunca descuidem a família e os amigos, a família escolhida. Podem vir a ser obcecados pela criatividade, mas nunca esqueçam os laços que nos tornam mais fortes e que nos dão o chão que nos permite saltar cada vez mais alto. Trabalhem todas as marcas com igual dedicação, sem nunca esquecerem que a Apple™ começou numa garagem. Uma marca pode ser tão grande quanto a vontade de quem a está ajudando a crescer. Deixem a vossa Marca™ em qualquer Marca™.

 

 




Joanna Monteiro
Vice-presidente de Criação da FCB Brasil
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 01/07/2014 @ 18:58

Joanna virou redatora, embora tenha se formado em Educação Artística na Universidade de Brasília (UnB). Ao se formar foi para São Paulo fazer pós-graduação em Propaganda e Marketing pela ESPM. Não sem antes passar um ano em Londres estudando marketing e 3 meses em Florença estudando história da arte e italiano.

Joanna começou a sua carreira de publicidade profissional como estagiária na Ogilvy, foi redatora na DPZ, depois foi para na W / Brasil e depois para Agência África – onde trabalhou como diretora de criação em dois momentos. Entre um e outro foi diretora de criação da MPM. Em 2012, Joanna deixou a África para se juntar FCB Brasil, onde se tornou vice-presidente diretora de criação, trabalhando para NIVEA, Mondelez, SKY / DirecTV, Petrobrás, CNA, Campari Group e Nestlé, entre outros clientes.


ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 

Joanna.

Eu sempre gostei de assistir comerciais e aos 11 anos tive uma professora na escola, a Martina, que falou um semestre sobre mídia e propaganda. Fui mordida ali. Fiz artes plásticas na UNB e administração  pensando em trabalhar com publicidade. Sempre achei que beber em outras fontes era mais rico para trabalhar em publicidade. Mesmo assim fiz pós-graduação na ESPM em Propaganda e Marketing. 


PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta? 

Joanna.

Primeiro entender o que é ser criativo na publicidade. Porque a verdade é que você pode ser criativo na moda, na dança, na medicina, na tecnologia, nas arte plásticas, em qualquer área. Ser criativo na publicidade é fazer de um jeito novo o que é a necessidade do cliente. E isso é difícil. Tem que gostar de vendas, de estratégia e do novo. E ninguém consegue ser novo se não conhecer o velho. Tem que estudar a atividade e se apaixonar por ela. Quem se apaixona tem sempre muito mais chances em qualquer área. 


PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

Joanna.

É legal ter na pasta os trabalhos que você gosta. Mais uma vez porque é o que você acredita e sabe fazer melhor. Trabalhos que você gosta aumentam suas chances de ir trabalhar em um lugar onde você vai entregar o que esperam de você. Você vai evoluir e crescer com pessoas que gostam do jeito como você pensa. Ter trabalhos em diferentes plataformas é fundamental, mas é a ideia que manda. É ela que salta aos olhos seja num anuncio, numa ação, num filme. As grandes idéias cabem quase sempre em várias plataformas. 


PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Joanna.

Estudar o que já foi feito é fundamental para saber o que é novo. E hoje com a internet dá para se estudar o que foi e o que é feito no mundo todo. Para conhecer a propaganda brasileira, tão respeitada no mundo, CCSP e os incríveis anuários brasileiros. No mundo eu diria Adweek, Creativity, Fast Company, Fubiz.net. Mas acho que o mais legal é conhecer o que as agências que você mais admira no mundo estão fazendo. Conhecer a ADAM&EVE DDB, que ganhou agencia do ano em Cannes,  o trabalho genial da Droga 5,  Forsman &  Bodenfors que fez o Epic Split da Volvo e tantas outras. Mas não se alimente só de publicidade. Vá a exposições de arte, shows, leia bastante e viaje. Sempre achei que viajar é o jeito mais legal de aprender sobre basicamente tudo.


PortfolioLovers. 

O resultado de sua equipe em Cannes foi algo reconhecido e admirado por todos, até por se tratar de clientes ou segmentos normalmente mais tradicionais. Como foi esse processo?

Joanna.

Nada vem por acaso. Fui para FCB há 1 ano e 9 meses fazer parte de um projeto pensado pelo Aurélio Lopes e pelo Pedro Cruz, para aumentar a reputação criativa sem diminuir a reputação de efetividade da agência. Acho que o trabalho que eu o Max Geraldo estamos fazendo só é possível por causa desse projeto de fazer uma agência realmente integrada, não on e off, mas com fortalezas em todos os departamentos. Isso garante que a gente se relacione mais profundamente com os clientes, entenda melhor suas necessidades e possa garantir um trabalho relevante  e criativo no dia a dia, e que acaba sendo premiado. Nivea é um cliente global, difícil, e se o trabalho não for baseado no core da marca, não sai. A Tatiana Ponce é uma cliente super séria e exigente. Ganhar um Grand Prix com um projeto para um cliente assim só é possível com um trabalho muito consistente. Para CNA tivemos uma ideia que virou um produto. Hoje o Speaking Exchange já é pedido por alunos em todas as 500 escolas espalhadas pelo Brasil e tem mais de mil comunidades de idosos dos Estados Unidos e Canadá inscritas para participar. Uma ideia onde todos ganham: os alunos, os senhores Americanos, o CNA e nós da FCB que estamos muito felizes com o trabalho. 


PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

Joanna.

O que eu disse a você vou dizer a minha filha Anita: faça o que você gosta. Feliz a gente faz tudo muito melhor. :) 







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