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Convidado do Mês
Keka Morelle
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 17/02/2016 @ 10:25

Keka Morelle é diretora de arte da AlmappBBDO. Começou sua carreira em Porto Alegre na Dez Propaganda, em 2001 mudou para são Paulo para trabalhar na Giovanni/FCB. Trabalhou também na Fischer, JWT, Fnzaca e DM9. Em 2006 fez parte do juri de Outdoor do Festival de Cannes. Foi diretora de criação na DM9 por 4 anos, a frente de contas como Guaraná Antarctica, Johnson&Johnson, C&A e Whirlpool. Com 22 anos de profissão, já ganhou os principais prêmios nacionais e internacionais.


ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Keka.

Com 14 anos eu estava na aula de piano quando a filha da minha professora chegou da faculdade contando sobre a aula de fotografia que teve no dia, perguntei qual era o curso que ela fazia e ela respondeu: publicidade. Fiquei apaixonada por tudo que ela contou: aula de fotografia, cinema, desenho, arte. Ah, isso chama publicidade? Então eu quero.

 

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Keka.

Ver um pensamento seu, tomar forma, envolver pessoas, e influenciar a vida de outras é uma das mágicas da profissão. E isso não tem a ver apenas com o departamento de criação, você vai precisar ser criativo não importando o que decidir ser.  Essa definição, “os criativos”, me faz rir.

 

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Keka.

Eu sempre tive problemas em montar pastas. Acho até injusto com quem vai me contratar ser avaliada só pelos melhores trabalhos. Pensa bem, somos um conjunto de melhores momentos, com médios e ruins. Tento diariamente que os ótimos não virem bons e que os bons não virem péssimos, mas é uma luta que não está só nas nossas mãos.

Por isso as pessoas que estão ao nosso redor são tão importantes. Estar entre as pessoas que também brigam pela qualidade, vai fazer o seu trabalho melhor. Fuja dos lugares onde o trabalho não é a pauta.

 

Quando vejo uma pasta, gosto de ver os detalhes, gosto de achar a dedicação, o cuidado, gosto de ver personalidade no trabalho. Não monte uma pasta para se esconder, monte uma pasta que mostre quem você é.

 

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Keka.

Vimeo staff picks – Uma seleção diária de filmes feita pelo staff do Vimeo. 

Pinterest – No meu ponto de vista, a melhor rede social. Tem perfis muito feras, dá para aprender e pesquisar muito por lá.

Style.com – No site você pode acompanhar todos os grandes desfiles das principais semanas de moda do mundo, além de muito conteúdo sobre lifestyle, designers e tendências.

 

Escolhi essas 3 fontes de inspiração, pesquisa e referências porque

são minhas ferramentas diárias, mas não posso deixar de dizer que as grandes referências, as que vão te levar para lugares únicos e diferentes, estão longe das telas do mobile, estão na vida, nas pessoas, nas viagens, nos relacionamentos. Observe o que acontece ao seu redor.

 

 

PortfolioLovers. 

Nossa área, em especial, também vem sofrendo os questionamentos naturais da questão de gênero, tão presentes no momento atual. Como você vê essa predominância masculina na criação e como lida com isso?

 

Keka.

Por todas as agências onde trabalhei, as meninas sepre foram minoria e confesso que nunca me preocupei com isso. Sempre foi natural terem poucas meninas. De uma forma me acostumei a estar nesse universo masculino. Fui esquecendo gêneros, como criativa muitas vezes pensei como um menino, me acostumei com  as piadas, com os assuntos, com a rotina. Não eram ambientes machistas, mas masculinos.

 

Mas infelizmente você encontra alguns idiotas pelo caminho. Existem pessoas machistas em qualquer profissão. Então, se você encontrar alguma delas, por mais genial que ele ou ela se venda, não acredite, não deixe ele/ela te convencer que você é menor. Esse tipo de pessoa não merece trabalhar com pessoas legais como você. Só precisamos fugir delas.

 

Nunca achei que o fato de terem poucas mulheres na criação das agências tinha a ver com capacidade, mas com escolha. A grande maioria, talvez não queria mais estar lá.

 

Tenho muitas amigas que trocaram agências de propaganda, mas não deixaram de ser criativas. Perdemos publicitárias, mas ganhamos estilistas, decoradoras, designers de jóias, editoras de moda, arquitetas, empresárias. Profissões que hoje talvez estejam um passo a frente da nossa, dando a possibilidade de exercerem sua criatividade com mais liberdade de horários e autonomia.

 

Também tenho muitas amigas e profissionais mulheres em agências de propaganda fazendo trabalhos incríveis e conseguindo achar o seu equilíbrio. Exemplos positivos também existem.

Hoje buscamos profissões, empresas, chefes, duplas e jeitos de trabalho mais equilibrados, dentro de uma agência ou não.

 

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Keka.

Meu conselho sempre será, não importando o caminho que decidirem tomar: sejam honestos e comprometidos. Aproveitem o melhor que o seu trabalho lhe porporcionar. Trabalhem para estar sempre junto aos mellhores, profissionais e pessoas. Busquem o equilíbrio e divirtam-se. 




 
 
 

Sergio Gordilho
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 20/01/2016 @ 18:57

Formado em arquitetura, pós-graduado em Graphic Design pela Royal College of Art, em Londres, e MBA pela Berlin School of Creative Leadership, Sergio Gordilho é um dos mais respeitados e premiados diretores de arte do Brasil. Na Africa desde a sua formação, Gordilho já foi eleito Profissional de Criação pelo Caboré e pela APP.

Sergio foi apontado em 2014 como Agency Innovator pela organização The Internationalist, sendo o único brasileiro apontado nessa seleta lista composta por 31 nomes que, desde 2006, tem nomeado executivos inovadores de todas as partes do mundo que estão mudando o negócio de seus clientes e fazendo a diferença para suas agências e anunciantes. Profissionais que têm habilidade de reconsiderar e inovar os processos na construção de marcas, incentivando a colaboração, gerenciando riscos, trabalhando em meio a mudanças rápidas e nunca perdendo de vista a “big idea”. 

Em 2015, Gordilho ficou em primeiro lugar no ranking dos diretores de criação de todo o mundo mais reconhecidos dentro da Lürzer’s Archive, uma das mais prestigiadas e importantes publicações do mercado publicitário mundial. Além disso, foi reconhecido pela GQ como um dos 20 publicitários mais influentes do Brasil e entrou para o Hall da Fama do Marketing Nacional, através da Abramark (Academia Brasileira de Marketing).

Sob sua liderança criativa, a Africa, que é responsável pela comunicação de marcas como Itaú, Brahma e Vivo, foi eleita em 2014 International Agency of the Year pela Advertising Age, bíblia da propaganda mundial, e apontada pela Adweek, publicação que é referência do mundo da propaganda, como uma das 10 agências mais criativas da atualidade. Além disso, em 2015 foi considerada Agência do Ano na Lürzer’s Archive, após ter emplacado 22 campanhas durante o ano, ficando à frente de agências como BBDO de Nova York, AMV BBDO e adam&eveDDB, ambas de Londres.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Gordilho.

Acho que acabei entrando em publicidade por pura sorte. Na verdade, a publicidade me escolheu antes de eu escolhe-la. Que sorte a minha. Sou dos anos 70, de outro tempo, de outra época. De uma galáxia distante. Sou da turma do Star Wars original. Neto e filho de arquitetos, nasci e me criei em cima de uma prancheta. Conectar na minha época de estágio era juntar um tubo ao outro.

Não havia Google, facebook, YouTube, enfim, não éramos conectados. Ou seja, a minha visão de mundo era curta. Você abraçava o que estava apenas ao seu alcance. E o alcance era limitado. Hoje vcs tem muito mais informação, muito mais possibilidades. No meu caso, o meu caminho já estava gravado em pedra: ser arquiteto. Le corbusier, Niemeyer e todos os grandes arquitetos que me perdoem mas arquitetura tinha e tem um timing de execução que não combinava com minha urgencia em produzir. Arquitetura é uma profissão que necessita de tempo para amadurecimento.

Sempre fui um baiano agoniado. Minha dinâmica não combinava com arquitetura. Mesmo assim fui até o final e agradeço por tudo o que aprendi. E olha que aprendi muito pois arquitetura é base para muitas outras possibilidades, inclusive propaganda. Mas não estava feliz, por isso comecei a buscar outros caminhos. 

Procure sempre a felicidade, a suaSe você não está feliz é porque tem alguma coisa errada mesmo que tudo pareça certo. Fui cartunista, designer de abadá de carnaval, programador visual, ilustrador, até que a sorte bateu na minha porta, quando um DC viu uns trabalhos meus e me deu um estágio numa agência. Olha a sorte aí.

Não tinha a mínima ideia do que ia fazer por lá. Só me disseram que precisava saber desenhar. Fui na cara e coragem. Essas são qualidade que se devem ter se vc decidir vim trabalhar em publicidade: cara, coragem e um pouco de sorte.

Publicidade é uma das profissões mais dinâmicas que vc pode escolher para trabalhar. Apesar das longas horas e da extrema competitividade Não existe um dia igual ao outro, vc ainda interage com pessoas extremamente interessantes e inteligentes. Aqui você é provocado o tempo todo. Propaganda não é lugar pra gente morna. Propaganda precisa de atitude. Você tem que entrar com cabeça de dono, se sentir dono. Ter ambição. Por isso eu amo o que faço, sem nunca deixar de continuar desenhando.


PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

Gordilho.

Temos que começar reconhecendo que todos somos criativos. Isso não é um privilégio de quem trabalha em uma agência de propaganda, muito menos no departamento de criação. Aliás, esse conceito é tão velho quanto a palavra departamento.

Pensar que se você é criativo, só existe a área de criação é reduzir suas possibilidades. Midia é uma das áreas onde cabe mais criatividade nesse novo mundo. Por isso é bom estar com a cabeça e o coração aberto e ver com carinho todas as outras áreas de uma agência. Então se depois de avaliar e mesmo assim só quer a área de criação, algumas características de um bom diretor de arte/redator/on/off tem que ser destacadas.

Primeiro, você tem que ser muito observador pois pessoas criativas são hábeis em garimpar informações das mais diversas fontes de maneira nova e surpreendente. Segundo, você tem que ser inquieto, desafiar o status quo, pois criatividade é o final de um processo de desafiar fórmulas e comportamentos estabelecidos. Terceiro, Por ser um processo continuo, o trabalho criativo numa agência é mais transpiração do que inspiração. Ou seja, voce tem que ser incansável e persistente. Glamour só no MADMEN.

E por ultimo, você tem que ser ambicioso. Publicidade é uma profissão de ambiciosos. Não cabe pensar pequeno. Aliás, não dizem que pensar pequeno e grande dá o mesmo trabalho? E se você conseguir se encaixar ou se ver com esses códigos e conseguir entrar numa agência, vai entender porque viramos tantas noites, trabalhamos tanto nos finais de semana e ficamos horas discutindo o que para a maioria é nada: paixão. Somos um bando de apaixonados.


PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

Gordilho.

Uma pasta tem que ser o que um diario é para uma adolescente. Tem que conter seus segredos, guardar suas crenças. Uma pasta tem que expressar o que você é, o que você acredita, o que vc pensa. É o seu raio X. O resultado do seu check up. Uma pasta tem que ter personalidade. Sua personalidade. Não importa se é fisica ou digital.

Já contratei talentosos criativos sem ver um anúncio ou ação. Já contratei igualmente talentosos criativos só assistindo filmes. E ultimamente, pelos videocases. Não existe outra fórmula e só uma forma: impressionar a quem você está apresentando com sua personalidade. E pra isso vale tudo. Filmes, rascunhos, desenhos, etc.

Me lembro de um cara que entrevistei outro dia. Ele se fantasiou de moderno. Usou as marcas corretas, gastou horas no penteado, decorou as falas. E só. Quando abri sua pasta vi um cara careta, clássico, que nem de perto se aproximava daquela imagem pós tudo que se postava na minha frente. Claro, que não rolou. Não por ser certinho, mas por sem ambíguo. Pois não buscamos perfis e sim autenticidade. Seja autêntico. Se estiver no lugar certo, vai rolar. Mesmo que não naquela hora pois sua imagem ficará marcada.

Saiba que numa agência cabe tudo. Tem espaço pra todos. E o cara que está te entrevistando tá louco pra encontrar um talento. O vento está a seu favor. Então, aproveita e prepara a sua pasta da maneira mais bem acabada possível. Pois quanto mais bem acabado for, mais chances você tem do DC te “sacar”. Mas leve o que você acha significante com uma ressalva: edite. Editar é o segredo, levar 100 peças pro cara que vai te entrevistar escolher, não rola. Eu sempre levei 8, no máximo. Confie no seu taco.

E MAIS IMPORTANTE: Só mostre sua pasta a quem você admira. A quem você acredita que pensa igual a você. Não gaste tempo apresentando-a pra quem pensa diferente. Batalhe por isso. É como se, metaforicamente, você fosse corintiano e fosse apresenta-lá a um palmeirense. Ou não iria rolar ou seria um atraso na sua vida.


PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Gordilho.

Há alguns anos, assisti a um documentário sobre a grande Diana Vreeland, um referência em criatividade e ex colunista/editora da Vogue e da Harper's Bazaar. Ela disse que o segredo em ser criativo é sempre levar seus olhos para viajar, que os olhos tem que viajar. Esse é um mantra e uma direção quando você for buscar referências. Qualquer lugar é lugar pra viajar com os olhos.

Viajar com os olhos não é só pegar um avião e ir pra NY. É tirar o preconceito, enxergar o obvio com outras lentes. Isso pode parecer, como dizemos na Bahia, Axe-babão, mas é a mais pura verdade. Tem gente que conheço que viaja muito, mas muito mesmo e não vê nada. Abra seus olhos. Deixe eles viajarem. Exercite isso no caminho de casa. Aí sim, te deixo algumas dicas.

Uma que sempre faço é ir em feiras de arte. Buscar o original, o fresco. O artista interpreta primeiro o que a sociedade pensa. Os olhos deles são mais abertos que os nossos. Vá em feiras. Se não puder, as frequente pelos sites e posts no insta. Todo mundo posta. Pra mim a Freeze, e a Miami Art Basel são as melhores. Não porque são as maiores mas por que são as mais comerciais. Propaganda é venda vestida de arte.

Outra coisa que faço muito é ler e assistir biografias. Pois é a maneira mais fácil e rapida de aprendendo com os erros dos outros, acertar mais rápido ou com mais frequência. Pronto, contei.


PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

Gordilho.

Tem um frase do Eisntein que me pautou no inicio da minha carreira. "Everybody is a genius. But if you judge a fish by its ability to climb a tree, it will live its whole life believing that it is stupid.”

Escolher aonde você irá colocar sua criatividade muda o seu jogo. Essa escolha que te fará ser reconhecido como um gênio ou um mediocre. Simples assim. Eu tenho duas filhas, a Valentina e a Veridiana. Ambas são muito criativas. Cada uma do seu jeito. Eu sempre as estimulei a serem. Ser criativa não quer dizer que elas tem que trabalhar em propaganda. Ser criativa é uma das qualidades mais desejadas nesse novo mundo. Ser criativa é saber sair de apuros, encontrar soluções, buscar novas possibilidades. Isso poderá ajudar as duas em qualquer profissão que escolherem. Até na publicidade.

Meu sonho é que elas encontrem onde melhor colocar sua criatividade, as suas ideias. A Bíblia nós ensinou: Diga-me com quem andas que te direi quem és. Então, procure seus semelhantes. Não pelo físico mas pelas crenças. E que sejam felizes e realizadas fazendo isso e não desmotivadas por acharem que não tem boas ideias apenas porque escolheram o lugar errado para te-las.

Isso eu faço com minhas filhas, isso eu falo pra vocês.

Procure os 3 S'sSiga seu instinto, Siga seu coração, Seja feliz.

No final, é o que importa.

 

 

 

 

 

 


Guy Costa
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 18/12/2015 @ 13:12

Guy Costa veio de Salvador para São Paulo em 1998, e com 18 anos de experiência como Diretor de Arte já passou por agências como Propeg (BA/SP), Grupo Newcomm - Bates, Y&R, LewLara, Grey, Africa Propaganda, e atualmente é sócio e Diretor de Criação da agência We.

Guy acumula 6 Leões em Cannes, e muitos outros prêmios nacionais e internacionais, trabalhando com clientes como Bradesco, Itaú, Vivo, Perdigão, Casas Bahia, Walmart Brasil, Kaiser, Schin, Brahma, Mercedes-Benz, Suzuki, Mitsubishi, Nokia, TIM, P&G, GSK, 3M, OLX, Grupo Multi, EMS, Grendene, entre outros.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Guy.

Na verdade, foi uma tia minha que disse que eu era um menino “que tinha jeito para desenhar” e me colocou em uma agência chamada Engenho Novo, em Salvador. Eu não escolhi, ela que me escolheu.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Guy.

Esse é um ponto bem delicado, pois nem sempre a criatividade aparece 100% nos primeiros momentos. É claro que o talento não se discute e é super claro quando ele está fora da curva.

Mas o criativo, hoje, é feito de vários pilares. Não basta mais ter só o talento, pois a vida social/profissional dentro de uma agência está cada dia mais exigente. A criatividade e o talento sempre prevalecerão, mas o equilíbrio psicólogo e social é bem importante.

Fato é que, para decidir é preciso saber que nesse caminho criativo tem que ter muita paixão, zero frescura, é muito trabalho. Sem isso, não vale nem a pena começar.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Guy.

É importante ter ideias boas. Acho que cada profissional tem um momento e ele deve ser avaliado coerente com o que está na pasta.

Sempre tento entender o quanto aquela pessoa que está na minha frente pode ser útil para a minha empresa. E isso é super difícil, pois as vezes a pasta não tem os trabalhos que deveriam estar ali.

O que acho mais importante é mostrar o potencial que se tem para oferecer para a agência e a vontade de realizar. Isso fará diferença na hora de mostrar um portifólio.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Guy.

Sem duvida a primeira é informação geral. Em propaganda temos um certo conforto de sempre estar na espuma do champanhe, sabe? Nunca aprofundar bem o assunto que estamos cuidado, e é claro, isso reflete na comunicação que desenvolvemos para cada um dos nossos clientes. Atenção e cultura geral.

Consumir tudo possível da propaganda nacional e internacional, para ter histórico. Hoje é fácil, tem sites globais como o creativity, ccsp, etc... Tem muitos, é só ser curioso. E depois, estudar o suficiente para guardar tudo que se ver, ler, provar e tudo que aprender. Depois é só fazer associações inteligentes :)

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Guy.

Conseguir olhar as coisa que estão sempre na nossa frente de uma forma simples e inteligente. E traduzir para as pessoas de uma forma mais simples ainda!!!!







Eduardo Marques
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 15/11/2015 @ 15:12

Eduardo Marques é um dos responsáveis por projetos como “Birds” e Solving #Sochiproblems do Airbnb, Recipe Receipt da Hellmann’s, Coke Happiness Refill, Whopper Face para o Burger King e "Views", a primeira campanha global do Airbnb.

Atualmente Executive Creative Director na agência 180 de Los Angeles, anteriormente atuou como Creative Director na Pereira O’Dell de São Francisco, e Diretor de Criação para projetos especiais na Ogilvy do Brasil. Eduardo trabalhou em agências de propaganda tradicionais e agências digitais e de conteúdo, acumulando experiências diferentes nos seus 20 anos de carreira (e como Diretor de Criação nos últimos 8 anos), tendo passado por empresas como DM9, RMG Connect, JWT Bahrain e Ogilvy Interactive.

O profissional já foi reconhecido como o nº 1 em prêmios de acordo com o Cannes Report 2012. Somando mais de 100 prêmios internacionais, Eduardo (como redator) já ganhou 14 Leões em Cannes, 1 One Show Pencils, 7 London Awards, 4 D&AD, 4 Clios, e GPS nos festivais El Ojo, Wave and FIAP. Em Cannes 2012 foram 7 Leões, o que contribuiu para o grupo Ogilvy levar a agência do ano e a Ogilvy Brazil se tornar 3ª agência mais premiada do mundo.

 

 

ENTREVISTA

 

 

PortfolioLovers. 

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Eduardo Marques.

 

Eu sempre fui moleque arteiro, inventando mil coisas, brincadeiras, jogos, adorava mudar as regras, inventar moda. Claro que criei muita besteira também, ficava de castigo por semanas. Desviar essa maluquice toda pra algo que pudesse ser a minha carreira foi uma boa ideia. Mesmo sendo difícil, a gente se diverte e dá risada todos os dias.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Eduardo Marques.

 

Muita gente entra na profissão achando que vai ser só glamour, festa e comercial de cerveja. Não é bem assim. A gente se diverte, mas passamos por muitos dias difíceis. Publicidade é feita de fracassos e glórias, não há meio termo. É realmente uma montanha-russa, ou você está lá em cima, ou está lá embaixo. E o looping só acontece uma ou duas vezes durante todo aquele percurso. Portanto, tem que ter muita paixão para entrar nessa. Se você for realmente um apaixonado por ideias e como elas podem mudar uma marca ou a vida das pessoas, “vemsimbora!”. 

 

 

PortfolioLovers. 

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Eduardo Marques.

 

Tudo. Quanto maior o leque de disciplinas, melhor. Quando eu olho uma pasta procuro exatamente essa variedade, procuro saber se o criativo tem a capacidade de pensar integrado. Hoje em dia, talentoso é quem sabe fazer de um banner a um short-film, de um app a um post no facebook, de um poster no pdv a um spot em digital radio. Já passou a época de trazer só belos prints e títulos na pasta. Há bastante tempo.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Eduardo Marques.


Creativity-online.com

Ccsp.com.br

Zite – um aplicativo que vira uma revista personalizada, puxando somente matérias com temas de seu interesse. O que é foda é que o app vai personalizando mais e mais a sua revista de acordo com os likes que você vai dando nas matérias que curte. Eu coloco ali de publicidade à astronomia. Leio de tudo um pouco, o que faz a mente da gente se abrir pra outros tipos de conexões e ideias. 

 

 

PortfolioLovers. 

 

Você tem essa experiência desejada por muitos hoje em dia, de trabalhar fora do Brasil. Conte um pouco sobre as vantagens e desvantagens, e o quanto isso influenciou na sua visão da profissão?

 

Eduardo Marques.

 

No Brasil, o que dá dinheiro é compra de mídia. As agências estão mais preocupadas em colocar seus comerciais em horário nobre na TV do que promover uma grande ideia que seja independente da mídia. Aqui fora não funciona assim. A mídia está fora das agências, estas recebem fees mensais dos clientes (tipo um salário), para ter ideias. Então o briefing vem geralmente sem descrição de mídia, mas com um objetivo. Sua ideia está livre pra voar em qualquer plataforma, desde que cumpra aquele briefing. Aí é muito mais tesão para qualquer criativo criar assim, do que ser engessado por formatos pré-definidos.

Sem falar que aqui muitas vezes criamos para clients globais, as dimensões dos projetos são grandiosas e têm bastante alcance mundo afora.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Eduardo Marques.

 

Mostre que você é apaixonado pelo o que faz. Que você é um nerd do assunto. Que sabe tudo o que já foi feito, por quem foi feito, quantos prêmios levou e em que ano foi isso. Estuda, engula referências todos os dias, saiba de tudo o que é novo que está aparecendo e nunca fique pra trás.

 

 

 

 


Denis Kakazu
Diretor de criação e head of art da DLKW Lowe de Londres
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 12/10/2015 @ 18:03

Denis é diretor de criação e head of art da agência DLKW Lowe em Londres. Veio para a Inglaterra para ser associate creative director na Ogilvy, onde ficou por 3 anos.

No Brasil, foi diretor de criação na Publicis e diretor de criação e head of art da Ogilvy Brasil. Como diretor de arte trabalhou nas principais agências do país como DM9DDB, Neogama BBH, age, Y&R, Talent Biz e DPZ. Nascido em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, fez FAAP em São Paulo e se formou em Comunicação Social. Tem em seu currículo diversos prêmios como Cannes Lions, D&AD, One Show, Clio, El Ojo, Clube de Criação de São Paulo, entre outros.

 

ENTREVISTA 

 

PortfolioLovers.

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Denis Kakazu.

 

Sempre gostei de desenhar e quando tinha aproximadamente 13 anos alguém me falou que poderia fazer publicidade. Na época, na minha cidade, publicidade significava pintar faixas, cartazes, camisetas promocionais. Até arrumei um estágio em uma micro agência, a única agência da cidade, porque achava que tinha que começar de alguma forma. Adorei e fui fuçando até descobrir a W/Brasil e o comercial 'Meu primeiro Sutiã' para a Valisére. O Olivetto aparecia em vários programas de TV e o que ele falava era muito bacana e glamoroso, era o máximo! Depois, conheci o trabalho do Fabio Fernandes, Nizan, Petit & Zaragoza & Duailibi, e todo o universo de pessoas ao redor desses caras.

 

PortfolioLovers.

 

Muitos jovens têm dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou 'sinais' acha importante para ajudar nessa decisão?

 

Denis Kakazu.

 

Para algumas pessoas a decisão é fácil e para outras pode ser mais complicado e nebuloso sobre ser ou não ser um criativo em agência de propaganda. Para essas pessoas acho que vale pensar avaliar e refletir sobre o que ela realmente gosta antes de tudo. Basicamente o criativo de agência de propaganda ou desenha, pinta, fotografa, ou escreve, gosta de ler, gosta da língua. Acho que se a pessoa tem alguma dessas preferências pode ser que ela tenha futuro em Criacão. Leia tudo sobre criação publicitária, sobre a carreira e profissão. Vai descobrir que ser criativo é um negócio sério, que exige bastante energia e disciplina para ser bem sucedido. Vai precisar de paixão para crescer e aguentar o tranco no dia-a-dia, pois não acho que seja uma profissão tão fácil quanto pode parecer. Se ainda tiver interesse, diria para procurar um estágio ou uma escola de portfólios tipo a Cuca ou Miami Ad School para começar a exercitar e a montar o portfolio.

 

PortfolioLovers.

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Denis Kakazu.

 

Para os mais novos na carreira: ideias que solucionam um problema de um cliente e que façam sentido para o público. Parece óbvio, mas as pessoas esquecem que somos solucionadores de problemas. Sendo prático, acho que uma pasta de quem esta começando tem que ter anúncios, outdoor e design, no caso de novos diretores de arte. O bom e velho anúncio ainda é difícil de se fazer e é o melhor jeito de um criativo demonstrar que ele sabe ser interessante e brilhante com poucos elementos: um visual bacana, um título persuasivo e um texto bem escrito. Algumas ideias de ativação são legais de ter, com um bom descritivo e videocases bem explicados. Hoje, dá para montar videocases no seu quarto baixando videos do Youtube ou Vimeo, gravar imagens no seu celular e capturar audio também. Programas de edição simples estão à mão de todo mundo. É muito fácil montar um video hoje e não há muitas desculpas em não se fazer. Só não enrole e mantenha a edição simples mas interessante, com 1 minuto ou um pouco mais no máximo. Se a pessoa desenha, pinta, fotografa ou filma, acho que é bacana mostrar também. Não é obrigatório, mas se a pessoa também tem outros talentos, outros meios de expressar sua criatividade, é importante mostrar para as pessoas. Criatividade não é apenas publicidade ou anúncio ou comercial de TV.

Acho que tem que ter uma certa quantidade de peças, no mínimo umas dez. Apresentação é importante também: organização, simplicidade e um bom texto sobre você, quando for montar o site. Basicamente mostre que você é cheio de ideias interessantes, tem energia e um mínimo de bom senso e bom gosto.

 

PortfolioLovers.

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

 

Denis Kakazu.

 

Para responder a essa pergunta, pensei que poderia citar o livro do Paul Arden, os princípios básicos do Dieter Rams, o trabalho e filosofia do Charles Eames, ou o livro sobre o Alexey Brodovitch ou sobre o Lou Dorfsman, quem sabe os livros sobre o Bill Bernbach e David Ogilvy… alguns anuários do D&AD, Clube de Criação e One Show… recentemente comprei um livro que deveria ter comprado há anos sobre o Saul Bass e sua obra completa… Difícl escolher apenas 3 e acho que essas referências vão mudando de acordo com o tempo e com o comportamento das pessoas como coletivo. As melhores referências são aquelas que nos ajudam todo dia, no dia-a-dia de agência e também fora do ambiente de trabalho, acho. Vou deixar bem a lista ampla escolhendo esses três pilares: o mundo da arte, o mundo da literatura e o mundo do cinema.

 

PortfolioLovers.

 

Você tem uma história rica na carreira, tendo trabalhado em agências de diversos perfis e em diferentes mercados e países. Conte um pouco sobre essa experiência e o quanto esse percurso influenciou na sua visão da profissão.

 

Denis Kakazu.

 

Trabalhei em agências em São Paulo e em 2012 recebi uma proposta de trabalho em Londres onde moro desde então.

Acho que a formação que tive, trabalhando em agências boas e não tão boas, grandes e pequenas, foi fundamental. Comecei como estagiário de paste-up (na época, o degrau mais baixo para se começar na carreira), fui contratado e virei assistente de arte. A agência era bem pequena e fazia muita coisa na mão, pois a agência não tinha verba para comprar computadores. Esse período foi ótimo, pois aprendi muito sobre os fundamentos de tipografia e ilustração. Os tipos eram desenhados ou fotografados em papel fotográfico para serem montados na raça na arte final ou layout… no estúdio tinha papéis, pincéis e tintas importados, um playground para quem gosta de desenhar! Adorava e podia usar a vontade. Passei por várias agências e sempre trabalhei muito, sem reclamar e ganhava super mal no começo. Sempre via como um aprendizado e investimento, nunca reclamei de salário e vivia de forma simples, bem simples por sinal. Só fui comprar um carro muito tempo depois, um Corsa. O Murilo Felisberto, meu chefe na DPZ foi o primeiro a me dar um aumento considerável pelo reconhecimento e sempre foi um mentor me incentivando e me acalmando, as vezes. Acho que essa profissão é muito gratificante. Se você tem talento e paixão, se dedica, trabalha duro e toma as decisões corretas, ela sempre recompensa. Aprendi com os melhores profissionais do mercado, perguntava tudo para essas pessoas e pedia opnião. Sempre busquei o aprendizado, até hoje estou aprendendo. É importante trabalhar com pessoas que você admira e mostrar gratidão. Sou grato por ter convivido com profissionais e pessoas inteligentes e legais, que me ajudaram de coração aberto. A lista é tão grande que nem me atrevo a começar.

 

PortfolioLovers.

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Denis Kakazu.

 

Adoraria e incentivaria ele ao máximo. Basicamente diria: seja apaixonado no que faz, sempre. Dedique-se, invista no crescimento profissional, sempre crie e esteja produzindo.

 

 

 

 

 

 


Leo Macias
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 15/09/2015 @ 18:02


Leo Macias nasceu na Colômbia e se mudou para o Brasil em 1996. Começou em publicidade em 1992, tendo trabalhado na Ogilvy de Bogotá. No Brasil, foi diretor de criação nas agências Publicis, Talent, Z+ (Grupo Havas) e é atualmente diretor de criação na DM9DDB.

Leo acumula diversos prêmios nacionais e internacionais, como 17 Leões em Cannes, 3 One Show Pencils, 2 D&AD, 4 London Festival Golds, 2 ADC Awards (Art Directors Club), 1 ouro, 4 pratas e 3 bronzes no CCSP, entre outros, já tendo trabalhado para clientes como Nestlé, P&G América Latina, Mizuno, Banco Santander, Heineken, Toshiba, Hyundai, Subaru, Avianca Airlines, Sony Channel, Johnson & Johnson, Banco Itaú, BRF Foods e Intel.

 

 

ENTREVISTA

 

 

PortfolioLovers. 


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Leo Macias.


Eu sabia desde muito pequeno que queria trabalhar em propaganda. Tinha um tio que era DA e esse mundo sempre me fascinou. Assim que tive mais profundidade para escolher o que de fato eu queria estudar, continuava sendo propaganda a minha escolha. O fato de poder estar em contato com pessoas interessantes e de ter sempre uma grande curiosidade em encontrar novos caminhos influenciou na minha decisão.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 


Leo Macias.


A primeira coisa é querer. Ser um criativo não precisa ser apenas para quem trabalha no departamento de criação, ser criativo hoje nos permite trabalhar na midia, no planejamento, enfim, em vários departamentos, inclusive na criação. O principal sinal para essa escolha, na minha opinião, é sentir em você se vocé é um eterno insatisfeito, se é um tarado por informação, se é um puta curioso. Se você sente isso dentro de você, as chances de ser um criativo se tornam maiores.

 


PortfolioLovers. 


Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 


Leo Macias.


O que é legal sempre ter na pasta é ideia boa, ideia nova, formato novo. Por exemplo, não adianta agora você ter diversas pulseirinhas tecnológicas que fazem coisas só porque a Nivea ganhou um GP com uma. Parabéns para a FCB, azar pra você, que vai ter que procurar outra coisa. É legal ter um bom craft que valorize a ideia, mas nunca gratuito só para decorar um anúncio ruim. É legal ter um bom texto que te faça refletir, daqueles bem escritos. Questione se aquele APP que você jura incrível (já tem muitos) de fato é relevante ou é só uma modinha pseudo moderninha. Lembre que a sua pasta é o seu maior tesouro. Sua pasta é o cofre aonde você coloca o mais valioso que você faz, e é com esses trabalhos que você vai comprar a sua casa, vai levar a sua filha para Disney, vai pagar a faculdade do seu filho, vai um dia poder parar e ficar pensando em outra coisa. É assim que se faz, na minha opinião, uma pasta.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 


Leo Macias.


Use muito o seu passaporte e pouco os guias turísticos, e descubra os seus própios lugares favoritos.

Converse com pessoas de fora da propaganda, cozinheiros, jardineiros, poetas, médicos, músicos…..

Assista a novela, mas assista muito mais o TED.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Você tem uma história rica na carreira, tendo trabalhado em agências de diversos perfís e em diferentes mercados, além de uma ligação mais próxima com o universo das artes plásticas. Conte um pouco sobre essa experiência e o quanto esse percurso influenciou na sua visão da profissão.


Leo Macias.


O universo das artes sempre me acompanhou de alguma maneira. Eu sempre digo que vacas não comem carne, então porque publicitários comem propaganda? Publicitário tem que comer outras coisas e eu escolhi a arte. Eu não só faço arte para me oxigenar e tentar descobrir outros pensamentos que me inspirem, como ajudo artistas que não tem um espaço, a mostrar o seu trabalho pela primeira vez. E esse contato com esses artistas me alimenta muito.

 

PortfolioLovers. 


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 


Leo Macias.


Eu vou dar o conselho ao meu filho: seja criativo! Seja um matemático criativo, todo mundo já sabe que 5x5 é 25, precisamos de novos resultados. Seja um marceneiro criativo. Quem disse que uma mesa tem que ter 4 pés? Ou 3? Ou 1? Quem disse que vão continuar existindo mesas? Seja um criativo, não importa qual profissão você escolher. Seja mais cérebro e menos músculo.







Flavio Waiteman
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 15/08/2015 @ 15:30

Flavio Waiteman trabalhou na W/Portugal em Lisboa, Master em Curitiba e São Paulo e agência Africa em São Paulo. Atendeu contas como Itau, Mitsubishi, Ministério da Saúde, Vivo, Vale e TIM. Em seu currículo estão prêmios como Grand Prix em Filme no Festival de Nova York, Leões em Cannes, Clio, One Show e Profissionais do Ano Nacional. Atualmente é diretor de Criação da Escala.

ENTREVISTA

PortfolioLovers

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Flavio Waiteman

Sempre fui uma criança ativa e curiosa. A curiosidade te leva para a criatividade. E a criatividade para alguma área artística ou que inclua os fundamentos artísticos. A publicidade inclui os fundamentos artísticos e ao mesmo tempo permite que você viva dessa atividade, mesmo sendo jovem.

Com a arte você ganha seu sustento após muitos anos de dedicação. Com a publicidade, mesmo durante o processo de amadurecimento artístico e profissional,  você pode viver da atividade. É a possibilidade de flertar com a arte no decorrer de uma atividade profissional. Um dos melhores lugares do mundo para se estar, na verdade.


PortfolioLovers

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 


Flavio Waiteman

Criatividade é disciplina e talento. Só acontece você ser publicitário se tiver, no mínimo, essas duas qualidades. Só talento sem disciplina, precisaria ser um talento tão grande, mas tão grande que provavelmente você se dedicaria às artes. Só disciplina, sem talento para comunicação, melhor seria uma outra atividade mais executiva do que criativa. A vontade de tocar as pessoas com uma mensagem relevante precisa estar todos os dias na sua cabeça. Criar peças relevantes para a cultura nacional, para o popular, ou até mesmo conceitos que ajudem a sociedade a trilhar um consumo mais consciente ou inteligente, são motivos que me fazem todos os dias tentar ser um criativo.


PortfolioLovers

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

Flavio Waiteman

De maneira prática, criação publicitária são idéias que tornam o mundo que a gente conhece mais interessante, divertido, inteligente, emocionante. Qualquer coisa vale. Até um texto bem escrito numa Olivette que você compra na feirinha da benedito calixto em Pinheiros. Dito isso, que vale tudo, vale o que vier, só não vale mostrar um app, para ter um app. Só não vale mostrar um videocase, por ser um videocase. Legal é mostrar o que você tem de legal, seja lá o que for.


PortfolioLovers

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Flavio Waiteman

1- Metrô de São Paulo. - Como a agencia em que estou trabalhando fica na Vila Madalena e moro perto da Paulista, tenho ido frequentemente de Metrô ao trabalho.

Tem sido uma experiência muito bacana. Sempre andei de transporte publico, mas as vezes São Paulo te coloca dentro de um carro e te manda ao trabalho. Dai você se isola. Estudei em janeiro em Nova York e tanto eu como todo mundo so andávamos de metrô. E pensei, ora, que ótimo é isso. Observar pessoas. Não consigo falar com quem eu preciso, se não conhece-los direito. Por isso é tão importante. Outro dia, encontrei um garoto, em pé, lendo o livro Submissão de Holleibeck. Pensei: tomara que um dia possa fazer uma campanha para uma pessoa como essa.

2- Jornal O Valor - criamos a partir de necessidades. E por mais que as pessoas assistam youtubers, novelas ou mangás, todos nós obedecemos a uma série de preceitos macroeconômicos e macroculturais. O Jornal O Valor procura falar desse macro, inclusive cultural, de uma maneira que consigo entender. É possível entender os movimentos nacionais que irão acontecer com esse tipo de leitura. Muitas vezes você lê uma reportagem e não entende muito. Mas depois de um tempo vai ligando os pontos do dia-a-dia com aquilo que você leu.

3- Wired - informação é  a principal fonte de criatividade. A informação que vem das pessoas, metrô, a informação que vem dos mercados e as tendências tecnologicas. E ai a Wired sempre foi e é até hoje a melhor fonte de referência.


PortfolioLovers

Você tem uma história rica na carreira, tendo trabalhado em agências de diversos perfís e em diferentes mercados. Conte um pouco sobre essa experiência e o quanto esse percurso influenciou na sua visão de mercado.


Flavio Waiteman

Minha historia profissional obedece a um preceito: recomeçar. Sempre recomecei. 

No interior de São Paulo, eu tinha uma agência de publicidade. Vendi para os meus sócios a minha parte e fui em busca de conhecimento. Fui trabalhar em Portugal, na agencia W/Portugal. Trabalhar fora do país lhe dá resiliência e força. Quando estava engrenando lá, pensei que seria legal tentar trabalhar no Brasil. E após 5 anos fora voltei para o Brasil. Trabalhar em Curitiba foi bacana. Ganhei leão, Grand Prix de film em Nova York, One Show, Clio, etc, trabalhando lá. Dai veio o convite para vir para São Paulo, aonde estou até hoje. Encarei e fui trabalhar em 2006 na Africa. Mas como redator. Dei alguns passos atrás. Recomecei. Reaprendi. E sempre fui assim. Andando pra frente quando dava e quando precisava recomeçar, fazia sem medo. Quer dizer, com medo, mas fazia e faço.

Isso acabou se tornando uma maneira de ver a vida, a profissão e o trabalho no dia-a-dia. Recomeçar sempre e buscar algo, alguma experiência que não tinha antes.

 

PortfolioLovers

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?  


Flavio Waiteman

Tenho duas filhas. Acredito que elas vivam de uma maneira criativa. O importante é só se realizar como pessoa e ser feliz. Se a felicidade vier da criatividade como trabalho, ótimo. 






João Linneu
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 12/07/2015 @ 15:37

Nasci em Catanduva, cresci em Jaú.
Me formei na ESPM em 2001, e na época já trabalhava como diretor de arte (duplando com o João Caetano Brasil) na Cápsula, que veio a se chamar TBWACápsula logo na sequência. Passei em seguida pela F/Nazca (com o André Kassu), Fischer e JWT (com o Fernando Nobre) e Almap (com a Sophie Schonburg). Finalmente em 2007 voltei à F/Nazca para fazer dupla com o Eduardo Lima. Depois de uns meses acabei virando Supervisor de Direção de Arte, a.k.a. Head of Art. Também exerci a função de diretor de criação, ainda que não creditado. Por opção; e não por falta de reconhecimento, justiça seja feita ao Fabio e ao Edu. Fiquei lá até março de 2014.

Me orgulho de fazer parte da história do Clube de Criação ao lado dos presidentes Fernando Campos e Edu Lima e ter sido criador e curador de seu novo Festival.

Hoje me dedico à Fotografia. Recentemente expus na 6a Mostra de Fotografia de SP um trabalho chamado “Barril de Amontillado” que consta com fotografias e mapeamentos de mais de 2.700 prédios e que venho produzindo desde 2008.


ENTREVISTA


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


João Linneu.

Estava fazendo cursinho para medicina quando joguei a toalha e reconheci que não tinha a menor vocação médica. Na época o Caio Cassoli e o Thiago Carvalho, que são meus amigos de infância de Jaú, iam prestar publicidade. Eu não sabia que cazzo era isso, mas achei divertida a ideia de fazer faculdade e morar em uma república com meus maiores amigos. Assim foi. Completamente às cegas e por motivos torpes.


PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão?


João Linneu.

Um dia eu ouvi de um professor: “na publicidade tem espaço para muita gente, mas escolher ser criativo é como querer ser um dos 12 apóstolos.” De fato é bem difícil entrar, se manter e crescer na área de criação de uma agência de ponta. Mas se você é o tipo de pessoa que ouve uma frase dessas e ainda assim acha que pode ser apóstolo, você tem a auto­confiança e petulância necessárias para seguir em frente.

Isso responde meia questão. Pois a palavra “criativo” é dúbia. Tomaram essa palavra pra designar um tipo específico de profissional que trabalha em um departamento específico de agência. Mas qualquer pessoa que se excita com a ideia de não existir uma bula para resolver o seu problema do dia, é uma pessoa que poderá escolher um trabalho como criativo. Seja qual for a sua profissão.


PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?


João Linneu.

Eu não ligava muito pra pasta.

Claro que eu demandava um nível minimamente satisfatório do que era apresentado. Mas eu não me atinha às peças. Ao falar com a pessoa você saca se ela tem a chama necessária, a vontade, o brilho no olho. Se ela é alguém interessante, com desejos, e aspirações que me interessavam. Eu tinha a crença de que uma pessoa com vontade era meio caminho andado. O talento era facilmente lapidado dentro da criação da F/Nazca. Tem muita gente boa ali. Poderia fazer uma lista infindável dos profissionais incríveis que trabalhavam sob aquele teto. Era simplesmente impossível a pessoa, munida de interesse do lado dela e com provimento de um mínimo de atenção do nosso lado, não crescer.

Isso não significa que era fácil ser contratado como assistente de arte na F/Nazca. Aliás, a tarefa estava cada vez mais difícil. Dê um Google em “Geração Y”. O brilho no olho está cada vez mais raro. Há uma enorme oportunidade para quem está lendo isto agora. Uma vez que a menor demonstração de interesse e amor pela profissão já o colocará à frente de muita gente.

Se mostrar como alguém bacana pessoalmente vale mais do que enviar um belo portfólio por e­mail. Por isso eu recomendo a todos o Festival do Clube de Criação, onde em apenas 3 dias você pode ter a chance de mostrar como você é alguém super legal para um monte de gente talentosa e igualmente legal.

Aliás, coisa importante: seja legal. Chatos não têm vez. Contrata-­se muito por indicação de pessoas das agências por onde você já passou. E nessa hora as pessoas serão tão legais e prestativas com você quanto você foi com elas. 


PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


João Linneu.

Eu não conseguiria responder melhor do que o Max Geraldo (09/10/2014) e o Rodrigo Leão (03/11/2014). Eles deram a resposta que eu daria. Mas entendo que alguém procurando dicas quer coisas mais palpáveis. Pois então:

1­ O livro “Elementos do Estilo Tipográfico” de Robert Bringhurst -­ Cosacnaify. Antes de lê-­lo eu fiz muito tipógrafo se revirar no túmulo. Vale a pena ser rigoroso e técnico ao manusear tipos. Ainda que você seja do tipo David Carsoniano rebelde e queira fazer loucuras, é prudente saber as regras para só depois quebrá-­las.

2­ Paul Belford. http://paulbelford.com/
Trabalhos de direção de arte ficam datados pelos modismos. Raramente algo com mais de 10 anos soa fresco e contemporâneo. Paul Belford é a exceção que confirma a regra. Há layouts dele de 1995 que são atuais ainda hoje. Ele é absolutamente inspirador e, como eu disse ali em cima, sabe muito bem as regras de tipografia para só depois quebrá-­las uma a uma. Aspirantes a diretores de arte: estudem­-no.

3­ Acidentes.
Esse terceiro item vai ser meio Mestre dos Magos:
Os acidentes são grandes fontes de inspiração e novidade. Acredite neles. O mundo não é perfeito, e não há razão para que uma fotografia ou um layout seja. Troque 
horas de manipulação por horas em produção. Acredite que as imperfeições enriquecem o trabalho final. E, o que você puder, faça à mão.


PortfolioLovers.

Você fez parte da equipe que ganhou esse Grand Prix inédito para o Brasil. Conte um pouco sobre o processo desse trabalho tão sensacional.


João Linneu.

Era o meu último trabalho na agência, e eu sabia disso.
Estava em um job com grandes amigos e por conta disso, eu, Thiago, Romero e Oppido decidimos criar a saideira como achávamos que seria a maneira ideal de se trabalhar. Com tempo, paciência e sem ansiedade. Aliás, é muito duro responder a essa pergunta sem a ajuda deles.

Como dizem, é preciso uma sequência de erros para derrubar um avião. No caso desse filme, foi uma sequência de acertos que o fizeram ir tão bem. Uma combinação de onde, como e por quem o filme foi criado e produzido.

Primeiro, como me disse o Fabio Fernandes: “a F/Nazca é um ambiente aonde há uma liberdade para se fazer e trocar ideias que permite algo assim nascer e sobreviver”. Pode parecer óbvio, mas não é. Há muitos lugares onde se compete tanto que ao surgir uma grande ideia, a primeira reação de quem aprova é distorcê-­la ligeiramente para ter um pouco do seu dedo nela. Não foi o caso aqui.

Este foi um dos jobs que, como disse lá na minha descrição, fui diretor de criação não creditado. E o fato de eu usar Leica há muito tempo e amar fotografia, fez com que eu soubesse exatamente o que deveria ser aprovado como “consumidor”. Oppido, Romero e Thiago também já haviam feito muitos outros jobs da marca anteriormente, incluindo o filme “Alma”, e sabiam exatamente o tom e o terreno a ser trilhado.

Se existe uma bobeira ventilada como verdade na criação é a idolatria pelo volume criado. Levamos 5 meses até fechar um conceito e fazer o roteiro final. Mas acho que foram no máximo 5 ou 6 roteiros criados e descartados até o derradeiro. E antes do último roteiro, chegou-­se ao pensamento de que “a Leica não inventou a fotografia, mas inventou a fotografia” por ter tirado o fotógrafo do estúdio e proporcionado ao mundo toda a iconografia com que hoje convivemos. Lembro de ouvir esta frase dos caras e na hora uma sineta tocar dentro de mim dizendo: “chegamos lá”. Depois disso, pesquisamos imagens loucamente e esmiuçamos o texto. Fizemos um roteiro base que tinha 4 páginas com o texto guia e umas 100 imagens para o filme. Tínhamos a preocupação em não ser mais um filme que tenta recriar imagens à perfeição. Queríamos algo teatral, mais poético do que figurativo.

Foi aí que entraram o Tino e Jones trazendo muitas ideias e soluções, assim como os colhões para fazer o filme. Colhões pois o anterior (“Alma”) havia ganhado tudo e mais um pouco em craft com o André Faccioli e Vellas. Optar por fazer esse filme era uma aposta muito dura. Antes de executar um grande filme deveriam fazer algo que não ficasse às sombras do antecessor.

Deixei a agência antes da fase final de produção, offline e etc. Mas sabia que na mão de quem estava, não poderia dar errado.


PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


João Linneu.

Caso eu não tenha conseguido dissuadir o Valentín da ideia durante a sua vida, leria pra ele a resposta que o Rodrigo Leão (03/11/2014) deu à essa mesma pergunta.

Como em 2035, se ainda houver mundo, continuará havendo laptop, Skype, Google Drive e wi-­fi no Starbucks, espero que até lá as agência já estejam estimulando o home­-office. Que a próxima geração ache a cura para as reuniões. E que os processos de seleção das grandes marcas voltem a buscar por empreendedores ao invés de tecnocratas.

 

 

 




André Gola
Diretor de criação, AlmapBBDO
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 15/06/2015 @ 11:56

Trabalhou em algumas agências pequenas de comunicação visual, design e web até entrar na Publicis como assistente de arte. Lá se tornou diretor de arte. Depois passou pela Leo Burnett e AlmapBBDO, onde trabalha atualmente como diretor de criação. Premiado nos principais festivais internacionais de propaganda como Cannes, Clio, Oneshow e D&Ad. E nacionais como Profissionais do Ano (Rede Globo), Melhor Comercial do Brasil (SBT), Prêmio Abril e CCSP. Entre alguns dos clientes para qual trabalhou e ajudou na criação de campanhas de sucesso estão Pepsi, Bradesco Seguros, Volkswagen, Doritos e Visa.

Atualmente, além da publicidade, desenvolve um trabalho pessoal como cartunista, que pode ser acompanhado pelo instagram aqui ou facebook aqui. 

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

André Gola.

Entrei nessa profissão sem querer. Prestei arquitetura no Mackenzie e na Faap. Não entrei. Estava passando por Moema (bairro em São Paulo) e vi que a Universidade Ibirapuera estava inaugurando o primeiro ano do curso de Arquitetura e também de Comunicação Social. Prestei então Arquitetura e coloquei como segunda opção Comunicação Social. Passei em Arquitetura, mas não teve alunos suficientes para começarem o curso. Me ofereceram a segunda opção, Comunicação social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Foi assim, sem querer, que escolhi minha profissão.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

André Gola.

Acho que o principal para quem pretende trabalhar nessa área é gostar de ter ideias, ser muito observador e gostar de vender. Digo gostar de ter ideias porque isso vai tomar tempo na sua cabeça. Depois que você passa a trabalhar com criação, sua cabeça passa a funcionar na busca por ideias o tempo todo. Observador, porque a fonte de inspiração pode vir de qualquer lugar, à qualquer hora. E gostar de vender, porque você estará sempre tentando persuadir alguém. Quando jovem, trabalhei como vendedor em loja de roupas. Embora não pareça ter relação com meu trabalho criativo, acredito que ajudou na minha formação publicitária.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

André Gola.

O principal é ter boas ideias. Mas claro, é muito bom se você consegue ter um portfolio com boas ideias aplicadas em diferentes meios. 

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

André Gola.

Para conceito e construção de estórias, a própria vida.

Para direção de arte, a arte.

E, acho que a própria propaganda é importante como referência. Para te ajudar na formação de critérios, além de te forçar a tentar criar sempre algo novo.

 

PortfolioLovers. 

Além de trabalhar em uma das melhores agências do mundo, você ainda consegue ter um trabalho autoral de sucesso. Levando em conta o alto nível de envolvimento de tempo que a criação tem no Brasil, como consegue lidar com essas 2 demandas?

 

André Gola.

Eu não sei se tenho feito um trabalho autoral de sucesso, acredito que ainda esteja muito no começo, mas tem sido um prazer fazer. Sempre gostei de desenhar e de charges e cartuns, principalmente os simples, sem palavras e que sintetizam muita coisa.

O tempo para isso é o mesmo pouco tempo que sobra para outros criativos que trabalham em grandes agências de fazer um hobbie ou algo que goste. E quando não me sobra esse pouco tempo, é meu sono que sofre. Algo que depois de ser pai, aprendi que dá pra viver sem ele. 

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

André Gola.

Que nunca deixem o lado da imaginação e sensibilidade de criança sumirem com o tempo.

 





João Caetano Brasil
Diretor de criação na Leo Burnett Tailor Made
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 15/05/2015 @ 17:09

João Caetano Brasil iniciou sua carreira na TBWACápsula. De lá pra cá, trabalhou nas agências Bates Brasil (que posteriormente se tornou Young&Rubicam), Leo Burnett, JWT, La Comunidad Miami e, então, voltou à Leo Burnett Tailor Made.

 

Em 15 anos de profissão, desenvolveu trabalhos para marcas como Fiat, Ford, Brasil Kirin, Carrefour, Mercedes-Benz, P&G, Unilever, Diageo, Cadbury Adams, Kimberly-Clark, Kraft Foods, Kaiser, Bradesco, Boehringer-Ingelheim, Warner Home Video, Jornal da Tarde, Apple, Santa Casa de Misericórdia, Açúcar União, Pirelli, Hemoba e Original Penguin.

 

Já foi premiado com 16 Leões em Cannes (sendo 5 ouros), The One Show (3 lápis de ouro e vários Merits), 1 Yellow Pencil e 2 Nominations no D&AD, Andy Awards (sendo 1 GRANDY), 9 Clios, Young Guns, Fiap (incluindo 4 GPs), El Ojo de Iberoamerica (2 GPs), Wave, New York Festivals (incluindo 1 GP) e CCSP, entre outros.

 

Teve trabalhos publicados nas revistas Lüerzer’s Archive, Contagious, Directory e Shots. Foi membro da delegação Young Creatives em 2005. Em 2008, foi eleito um dos “30 under 30” pelo jornal Meio&Mensagem.

 

Em 2013, foi o 5º redator mais premiado do mundo no Cannes Report e o 6º mais premiado do mundo, segundo o ranking do Advertising Age, que considera todas as mais importantes premiações internacionais.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão? 

João.

No fundo, no fundo, não sei dizer precisamente. Mas tenho algumas pistas. Sempre gostei de inventar coisas. Quando tinha 10 anos, eu pirava em TV Pirata e ficava criando programas de rádio com um gravador de fitas K7. Fazia programas sobre o meu tio que roncava, o jogo no campinho da esquina zoando os amigos etc. Fazia, mostrava para quem estivesse por perto e depois gravava outra coisa por cima. Mais tarde, na adolescência, eu e uns amigos fazíamos curtas de terror com uma câmera VHS num cemitério da cidade onde eu morava, Paranaíba-MS. Não tinha edição. A gente inventava uma história idiota e filmava na ordem que entraria no filme. A trilha era feita com músicas do Pantera, Ramones e White Zombie e a gente inseria no filme com o fone de ouvido do Walkmen colado com fita crepe no microfone da câmera.

Um momento que influenciou bastante a escolha aconteceu quando eu estava passando férias aqui em São Paulo na casa de uma tia. Eu estava jogando futebol com meu primo e o pessoal do prédio dele e tinha um cara mais velho, talvez pai de alguém ali, que me contou que trabalhava em Marketing e explicou por cima o que isso significava. Acho que a partir deste dia entrou uma minhoca na minha cabeça, que começou a crescer até eu vir parar em São Paulo pra cursar ESPM. Dessa época, lembro com nitidez que esperava o intervalo comercial com a mesma empolgação que esperava os programas. Posso citar as campanhas de Rider, Sharp (aquele comercial do Francisco Cuoco), Semp Toshiba (Nossos japoneses são mais inteligentes do que os outros), Brastemp, Cofap, Honda motos e por aí vai. Aquilo mexia com a minha cabeçorra.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

João.

Quando eu estava no 3º colegial e já sabia que cursaria publicidade, o CCSP lançou um pacote dos anuários antigos por um preço camarada. Uma amiga da minha mãe, que gostaria de ter sido publicitária, leu a notícia e me deu os anuários de presente. Tive duas reações ao mesmo tempo: 1) PQP! Isso é legal demais. É o que eu quero fazer da vida. 2) PQP! É difícil demais. Será que consigo fazer isso da vida? Nesse momento, comecei a considerar a possibilidade de trabalhar em outras áreas na propaganda. Ao chegar na faculdade, fui entendendo como a coisa funcionava e pensei: alguém vai trabalhar na criação. Ou eu ou meus colegas de faculdade. Se eles podem, talvez eu também possa. E aí botei na cabeça que seria redator. O mesmo vale para todos que estão lendo: você pode trabalhar em criação se quiser.

Hoje, vejo que tomar a decisão não é tão difícil. A parte mais complicada vem depois. O básico é gostar de pensar coisas e dar forma a elas, tirar as ideias da cabeça e materializá-las. Mas é fundamental se acostumar com o fato de que 90% (dado meramente ilustrativo) do que você faz não vai acontecer. Ou vai ser diferente do que você imaginou. Ou vai ser igual está na sua cabeça, mas alguém vai fazer algo parecido e melhor do que o seu exatamente ao mesmo tempo. É uma carreira em que você está feliz com seu trabalho e se acha um bosta com uma diferença de alguns minutos entre as duas sensações. Talvez, a pergunta seja: você realmente sente prazer em criar, mesmo que não vá acontecer nada com o que você criou? Em vez de ficar de ressaca porque algo deu errado, você tem vontade de ter outra ideia ainda mais legal? Caso a resposta seja sim, já é um bom sinal.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

João.

Para mim, a única coisa importante em uma pasta é ver ideias. Não interessa o formato delas. Tanto faz se são anúncios, roteiros ou boards de ações incríveis e inviáveis. Principalmente, porque no começo da carreira a gente tem dificuldade em dar forma às ideias. Com isso, é uma tendência cair na modinha do momento.

O que pode diferenciar uma pasta de outra na minha opinião é ter ideias de negócio. Algo que tenha potencial de mudar a vida de um anunciante ou uma causa. Não significa que ideias simples da boa e velha propaganda não sejam legais. São. E muito. Mas, se você tiver ideias de negócio, já está na frente de muita gente. Mostra que, além de saber contar histórias, sintetizar raciocínios em poucas palavras ou imagens, você também sabe por que realmente nós somos pagos. E, apesar de soar cliché, nunca existiu uma época com tantas chances pra gente mudar a dinâmica de um negócio com uma simples ideia. De qualquer formato. Outra coisa que procuro são ideias capazes de virar notícia. Algo que, mesmo sendo assinado por uma marca que pretende se beneficiar da peça, seja do interesse das pessoas e da imprensa. Ideias que possam virar parte da cultura pop.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

João.

Esse é um assunto perigoso. Óbvio que ver referências é fundamental para seu trabalho estar sintonizado com o tempo em que você vive, para evoluir em forma, acompanhar as possibilidades que a tecnologia traz e para falar sobre temas que as pessoas estejam se preocupando. Mas elas não podem virar uma muleta para o pensamento. Até dá para se ter uma grande ideia a partir de uma referência. Mas, cada vez menos, você vai ser o único a ter essa ideia. Tenho um amigo que diz algo assim: se estão todos pescando no mesmo laguinho do mesmo pesque-pague, vão todos pegar o mesmo peixe. As referências devem ser a vida, as pessoas, a arte e, pasme, até mesmo a propaganda (sim, ver propaganda evita que você faça o que já foi feito duzentas vezes, desde que não seja sua única fonte de inspiração). Mas com o papel de referência, não como fonte de ideias. Fuja da roubada de ficar vendo os mesmos blogs que todo mundo e achar que só você vai ser gênio de usar aquela referência. 

Agora, respondendo a pergunta depois de cagar essa regra toda, eu escolheria o cinema, a música e a literatura (incluindo aí as revistas de fofoca).

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

João.

Curioso ser perguntado sobre isso agora, pois estive pensando no assunto recentemente. Minha mulher está grávida nesse exato momento e nós divergimos um pouco em relação ao que faremos caso nossa filha decida ser publicitária. Eu acho que vou apoiar. Propaganda (ainda) é a profissão mais legal do mundo. Só trocaria o ofício de redator por uma vida de rockstar ou para ser jogador do Barcelona. (Ator pornô já esteve na lista, mas foi naquela época em que eu fazia curtas-metragens em VHS no cemitério.) A outra dica certamente será: não peça comida no America. É caro e tem gosto de plástico.

 



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