29/03/2017 | 08:12 | RSS | posts: 15215 | comentários: 305 | lovers: 36
Convidado do Mês
Mariana Sá
postado por SorocabaCom em 29/12/2016 @ 20:06

Como diretora de criação da TV Globo Brasil, Mariana Sá é responsável pela estratégia de criação e execução das campanhas de marketing da emissora e de seus produtos.

Desde 2013, quando entrou na empresa, Mariana já trabalhou em campanhas como Copa do Mundo 2014, Olímpiadas do Rio de Janeiro 2016, comemoração dos 50 anos da Globo, Globo.com, Globoplay (a plataforma mobile da marca), além de campanhas de entretenimento e jornalismo, incluindo a nova identidade da marca. Ela também é responsável pelo departamento de sequências de abertura, créditos e outros recursos visuais.

Antes disso, trabalhou por mais de 20 anos na indústria da propaganda, em agências como DDB e TBWA como diretora de criação para marcas como Gatorade, Nissan, Adidas, J&J, Honda, etc.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Mariana.

Tanta coisa.

O ambiente, a beleza de ver uma ideia tomar forma, a diversidade de assuntos que tratamos. 

O dinamismo da publicidade é fascinante, o contato com tantos assuntos diferentes.

A cada campanha, a cada cliente aprendemos mais sobre as outras indústrias que movem o mundo.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens têm dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Mariana.

Como qualquer outra escolha na vida eu penso que o sinal é paixão.

A gente sempre diz que precisa aguentar muitas horas, muitos nãos, mas onde não é assim?

Nas escolas de balé só ficam os que amam tanto aquilo que preferem passar o sábado treinando.

Assim é com esportistas, médicos, artistas.

Sei que parece meio clichê, mas não consigo ver sinal mais importante do que achar que aquilo é a coisa mais legal de se fazer no mundo.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Mariana.

Olha, eu acho legal um pouco de tudo porque a escolha do formato da ideia é parte fundamental da solução criativa.

Tem problemas que são resolvidos com ideias que funcionam melhor em TV, outras ideias nasceram para print, digital, ações, etc.

A adequação da mídia à ideia é grande parte da solução.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Mariana.

Exposições de arte (porque arte sintetizam graficamente o que está acontecendo e os movimentos da sociedade), shows de música pelo mesmo motivo e palestras e feiras de tecnologia. Não existe nada sem isso hoje.

 

PortfolioLovers. 

Nossa área, em especial, também está tendo que lidar com as questões de gênero, tão presentes no momento atual. Como você vê essa predominância masculina na criação e como lida com isso?

 

Mariana.

É um erro histórico que graças a Deus começa a receber atenção. 

Além de ser um reflexo da desigualdade de gêneros em muitas profissões, havia a crença de que mulheres não aguentariam as muitas horas longe da família, o stress dos prazos etc. 

Mas por que os homens deveriam aguentar melhor?

O cansaço é igual, a administração do tempo é igual, a necessidade de ver os amigos e filhos é a mesma. 

Acho que estamos nos esforçando para equilibrar as oportunidades e que só temos a ganhar porque a diversidade é o que oxigena o mundo.

Vai melhorar o nosso trabalho e formaremos gerações muito melhores.

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Mariana.

Trabalhe muito e se divirta!

O mundo precisa de leveza.







Andrea Siqueira
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 21/11/2016 @ 15:50

Baiana, Andrea Siqueira, chegou como redatora junior em 1998 na DM9. Ganhou seus primeiros Leões em Cannes com campanhas para Budweiser e Shopping Iguatemi. Teve a sorte de trabalhar com uma super geração de profissionais criando para Itaú, Itaú Seguros, Honda Motos e Blockbuster.

Depois, como redatora na JWT, lançou o Ford EcoSport e, na volta da licença maternidade do seu primeiro filho, Tom, virou diretora de criação para Nestlé e Nokia. Para este último cliente criou o NJornadas, um projeto que teve 3 edições unindo on e offline quando o “Brand Content” ainda nem existia. Ainda na JWT, foi diretora de criação de Johnson&Johnson lançando a plataforma Carinho inspira Carinho.

No final de 2012, e já mãe da Estela, se juntou ao Nizan Guanaes em um novo projeto: Africa Zero. E, em 3 anos, conquistou 13 clientes criando para Lupo, Bimbo, Braskem, Embraer, Folha de SP, 99Taxis, entre outros.

Agora, na Isobar, chegou como Diretora de Criação Executiva. E logo emplacou um projetaço para Samsung de Real Time nas Olimpiadas e já ganhou prêmios com Nivea Canta Comigo, em parceria com o Spotify. Fez tudo isso em tempo de sempre contar histórias para fazer o Tom e a Estela dormirem.

 

ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Andreia.

Sempre gostei de criar histórias desde criança.

Sabia que eu faria algo com criação, pensei em arquitetura mas nos gibis que eu criava quando eu era pequena, ainda na escola, eu sempre era mais elogiada pelos textos do que pelos desenhos e achei melhor seguir escrevendo.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

Andreia.

Você será um criativo mesmo sem fazer parte do departamento de criação. A criatividade está sempre presente em todos os momentos, e para todas as pessoas, para alguns de um jeito mais explícito, mas, no fundo, todos nós somos criativos.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

Andreia.

Ideia boa é fundamental.

Essa ideia pode ter inúmeros formatos mas, em geral, uma ideia boa é simples e é facilmente contada em um simples board, um anúncio, um post de redes sociais, uma sinopse de filme.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Andreia.

Livros, crianças e cinema. A vida lá fora precisa inspirar o nosso conteúdo interno todo o tempo para a gente se renovar.

 

PortfolioLovers. 

Nossa área, em especial, também está tendo que lidar com as questões de gênero, tão presentes no momento atual. Como você vê essa predominância masculina na criação e como lida com isso?

Andreia.

Sim, essa é uma realidade do nosso mercado e de vários outros. É mais difícil para a mulher conciliar carreira, familia, etc. Características como “ter opinião e sentimento de dono” que são características aceitas e até mesmo desejadas em homens que são líderes, são consideradas “antipáticas” nas mulheres.

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

Andreia

Eu adoro a nossa profissão mas acho que o mundo vai mudar muito nos próximos 15 anos e certamente meu filho terá milhares de escolhas que nem passam ainda pela nossa cabeça.







Luciana Haguiara
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 15/10/2016 @ 22:36

Luciana Haguiara acredita em ideias que usem a tecnologia para trazer experiências inovadoras e surpreendentes para as pessoas. Ela acredita que a ideia deve ser maior que a tecnologia e quanto mais invisível ela for, melhor.

Começou como redatora off-line, mas em 2001, resolveu mudar totalmente para o mundo ainda novo do digital.

Luciana ganhou inúmeros prêmios nos festivais Cannes Lions, D&AD, The One Show, ADC, New York Festival, Webby Awards, London, FWA, El Ojo de Iberoamerica, entre outros.

Participou dos juris dos mais prestigiados festivais: Cannes Cyber Lions , Cannes Digital Craft Lions, D&AD, The One Show, Clio, Google Creative Sandbox, Facebook Awards e foi Presidente dos juris de Cyber e Mobile nos festivais El Ojo de Iberoamerica e Fiap.

Ela também ajudou a a AlmapBBDO a ser reconhecida por seu trabalho digital pelo Gunn Report, com a segunda posição em agência digital.

Criou trabalhos premiados para clientes como HP, Volkswagen, Havaianas, Getty Images, Visa, GE, Marisa, Greenpeace, Gol Linhas Aéreas, Pepsi, Antarctica, MAN, IBM, etc.

Há 12 anos na AlmapBBDO, trabalhou também em agências como Ogilvy Interactive, JWT e Publicis.


ENTREVISTA


PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Luciana.

A velocidade. Você não pode se dar ao luxo e ter uma ideia em um prazo razoável. Precisa ter muitas ideias, sendo que a grande maioria delas vai morrer, com prazos ínfimos. Se aprovadas, vão ser produzidas numa correria e você vai ter que ficar de olho em cada detalhe. Elas acontecem e vão para o ar rápido. Uma boa profissão para pessoas ansiosas.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

Luciana.

Acho que quem já chegou até o ponto de saber que quer ser um criativo, está ciente de que tem talento, realmente gosta desse mundo e que vai ter que se dedicar muito. Sinais como baixa autoestima são perigosos, porque, assim como todas as profissões que trabalham a criatividade, essa é uma que ataca muito o emocional. E o emocional ataca o físico. Então é preciso saber lidar com o “não” e  lembrar que ele faz parte do trabalho, não é pessoal.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

Luciana.

Você pode ter um pouco de tudo na pasta, desde que fique muito claro que tem boas ideias e uma ótima execução, o tal do craft: ideias muito bem apresentadas de um jeito sintético, roteiros bem escritos, cuidado com o design, tecnologias possíveis, etc. Como gosto de digital, sempre vou olhar para ideias que tenham inovação.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Luciana.

Claro que todo mundo deve devorar anuários e estudar o resultado de todos os festivais. Mas inspiração vem do que você vive e respira. Então, eu escolho música, arte e cinema.

 

PortfolioLovers. 

Nossa área, em especial, também vem sofrendo os questionamentos naturais da questão de gênero, tão presentes no momento atual. Como você vê essa predominância masculina na criação e como lida com isso?

Luciana.

Finalmente parece que o cenário está mudando. Com tantas discussões e com o assunto escancarado, as meninas estão mais confiantes e as agências mais animadas para contratar meninas. Acho que a convivência vai ser bem mais tranquila para essa nova geração de criativas e criativos, porque eles já vêm com um chip diferente de aceitação e respeito.


PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Luciana. 

Realmente o fruto não cai muito longe da árvore. Tenho uma filha de 13 anos e já dá pra ver que ela vai ser criativa em alguma coisa, seja moda, arte, arquitetura, música, cinema, etc.

Meus conselhos para ela são e sempre vão ser: seja boa com todos, seja corajosa e seja lá o que escolher fazer, faça com amor.







Theo Rocha
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 11/09/2016 @ 21:02

Theo Rocha é diretor de criação da F/Nazca Saatchi & Saatchi e tem mais de 20 anos de experiência em propaganda, design e digital. Apaixonado pelo trabalho criativo, Theo se interessa por novos formatos e novos processos na busca por um trabalho inovador. Durante os sua trajetória desenvolveu grande habilidade no trabalho com times multidisciplinares.

No seu dia a dia ele lidera times de diretores de arte, redatores, designers, web designers, UX designers, creative technologists, mídias sociais e jornalistas trabalhando de forma colaborativa entre todas as disciplinas. Theo chegou na F/Nazca em 2010 para liderar a agência em direção a um trabalho mais integrado.

Antes de chegar a F/Nazca Theo trabalhou em agências tais como DPZ, Age, Africa, Lowe, JWT, Santo Buenos Aires e Santa Clara. Theo foi premiado nos principais festivais nacionais e internacionais: D&AD, Cannes, One Show, Clio, London Festival, EL Ojo, FIAP, WAVE e CCSP entre outros. Em 2016 foi eleito Designer do Ano pela ABP.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Theo.

Eu estava na faculdade de arquitetura e depois de alguns estágios percebi que não era isso que eu queria fazer da vida. Comecei a estagiar num estúdio de design e o dono um dia me disse que ia fechar o estúdio para ser diretor de arte numa agência. Fiquei encantado com a palavra Diretor de Arte.

Consegui um contato na DPZ e fui mostrar meus desenhos e posters pro Murilo Felisberto. No final da entrevista ele me disse: não sei se você vai gostar mas você leva jeito. Comecei um estágio na semana seguinte e estou nessa profissão há mais de 20 anos. 

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Theo.

É difícil responder isso pois só sei falar da minha própria experiência. Mas acho que tem que ser algo viceral. Algo que você realmente viva o tempo todo. Não é como um trabalho que você consegue fazer e desligar depois. Se você não sofre, talvez não seja pra você.

Além disso acho que tem a parte das suas habilidades, do criar, layoutar, escrever, etc... Isso se aprende, lógico. Mas precisa querer muito porque dá muito trabalho. Não sei se ajudei muito, né? Hahahaha.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Theo.

De tudo um pouco. O importante sempre foi e sempre será a idéia. A forma vem depois. Mais importante do que o formato é o conteúdo e o craft. Se você quer escrever, leia muito e escreva muito. Se o teu lance é direção de arte, pratique que nem louco, estude arte, design, videoclipes, moda, fotografia... Se gosta de tecnologia, a mesma coisa.

Mergulhe de cabeça no universo do seu interesse. Estudar os anuários de propaganda também é importante, claro. Mas não dá pra ficar só nisso. Vejo muita gente hoje em dia que sabe montar um portfólio moderninho mas não sabe pensar. Sem pensar, não se cria algo original. E é isso que procuramos na propaganda.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Theo.

Música é meu ponto de partida. Através da música descubro clipes, diretores, novas linguagens e referências. Numa capa de disco descubro um artista, um estúdio de design, que me leva pra outro disco que me leva para um filme e por aí vai. Gosto de pesquisar as referências de quem é referência pra mim. Descubro muita coisa assim.

O design é outro lugar de onde tiro muita coisa também. Uso minhas redes sociais como ferramenta para consumir design. Além do design e da música acho que a moda talvez seja uma outra grande fonte de inspiração pra mim. Nem tanto pela moda em si, mas por todo universo em volta dela onde tem muita gente criando coisas legais.

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Theo.

Faça do seu trabalho algo divertido, que você goste muito, pois vai dar muito trabalho ser bom no que você escolher fazer. Seja honesto, generoso e gentil com as pessoas ao seu lado. Elas são a coisa mais preciosa desse caminho. Viva intensamente, dentro e fora do trabalho, pois melhor fonte de inspiração para esse trabalho são suas próprias experiências.







Moacyr Netto
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 12/08/2016 @ 12:37

Moacyr Netto atuou em algumas das agências mais criativas do Brasil, como Almap BBDO, a Ogilvy São Paulo e DM9DDB, tendo trabalhado nos últimos 7 anos com campanhas tradicionais e integradas, envolvendo o universo digital. O profissional já conta com mais de 130 prêmios relevantes, como 4 Cannes Lions em 2016, D & AD, London, One Show, Webby Awards, DMA Echo Awards, Clio, entre muitos outros. Também fez parte do júri de importantes premiações, como Cannes Lions, London, New York Festivals, El Ojo, Fiap, Clube de Criação, entre outros. Atualmente atua como VP e Diretor de Criação da agência W3haus em São Paulo.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Moa.

 

Eu cheguei a começar faculdade de ciência da computação, na Ufes, em Vitória. Escolhi porque gostava de matemática e era o curso mais novo e concorrido. Mas cursei 2 meses, boa parte deles no bar jogando pebolim, e achei chatíssimo, regrado demais. Sem espaço pra criatividade. Pulei fora e decidi fazer comunicação, pois curtia muito escrever, e vim pra São Paulo. Acho que o que me atraiu naquele momento foi a possibilidade de ganhar a vida expressando criatividade, sem grandes rotinas e limites. 

 

PortfolioLovers. 

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Moa.

 

 Acho importante sentir se você tem uma atração pelo que é diferente, pelo novo, ou se fica mais confortável com o que já existe e deu certo. Precisa gostar de gente, de entender as pessoas e suas motivações internas. Gostar de arte, cinema, literatura, enfim, das técnicas para emocionar e envolver as pessoas. E precisa saber conviver com a pressão diária de ter que criar algo novo, que responda aos objetivos do cliente num tempo limitado. Lidar bem com essa pressão e com um índice alto de frustrações são parte do dia dia de todo criativo.    

 

PortfolioLovers. 

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Moa.

 

Eu acho importante ter um pouco de tudo. Na agência a gente cada vez mais precisa de pessoas que joguem nas onze, pois cada briefing e cada cliente está em um estágio diferente de marca e tem necessidades específicas. E nem tudo precisa ter sido feito, ao ver uma pasta a gente avalia o potencial criativo da pessoa e não somente os trabalhos realizados. Nesse sentido, também vale incluir trabalhos pessoais que de alguma forma ilustrem a capacidade do criativo de se expressar.  

 

PortfolioLovers. 

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Moa.

 

As pessoas, as pessoas, as pessoas. Referência publicitária te inclina perigosamente a fazer o que já foi feito. Referências de execução ajudam, mas não mascaram a falta de um bom insight para uma boa ideia. Saber encontrar as verdades não óbvias das pessoas que possam se conectar as verdades das marcas pra mim é o mais importante. E isso você encontra na vida real, no google, no bar, no whats, nas crônicas, na sua habilidade e sensibilidade para com o outro. 

 

PortfolioLovers. 

 

Você tem essa experiência bem interessante, de trabalhar em agências de diferentes perfis. Conte um pouco sobre as vantagens e desvantagens, e o quanto isso influenciou na sua visão da profissão.

 

Moa.

 

Eu optei lá atrás por ter uma formação completa. Quando estava começando a ser visto como um especialista em digital fiz questão de trabalhar por 8 anos em agências de perfil tradicional. Hoje, trabalhar em uma agência que priorize a cultura digital é uma escolha, e não uma limitação. Tive a sorte de sempre trabalhar em agências que valorizam muito a criação, o que aumenta a responsa mas ajuda muito na venda e viabilização das ideias. Apesar disso, sempre tive na cabeça que agências são paredes, a vida delas vem das pessoas, e se você estiver focado, se livrar das desculpas, souber lidar com as frustrações e tiver uma ambição criativa genuína, vai conseguir rechear aquelas paredes de criatividade onde quer que seja. 

 

PortfolioLovers. 

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Moa.

 

Resista a tentação de fazer o que já foi feito. Não se entregue ao sistema. Mantenha a ambição criativa em qualquer situação, em qualquer empresa. Não se agarre a um único sucesso. Seja brilhante com consistência e não terá que se preocupar em disputar espaço. Comemore suas conquistas, dê créditos, faça amigos, seja feliz e leve. Viva além da publicidade. Quanto mais rica sua vida fora dela, mais rica sua vida dentro dela. 







Felipe Silva, (Pai do Murilo)
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 12/07/2016 @ 17:36

Niteroiense do Morro do Santo Inácio. Comecei em propaganda contando uma piada e ganhando um estágio na Santa Clara. Passei por outras agências como Casa da Criação, Staff, Mood e hoje estou na África.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers.

Muita gente ficou impressionada com seu texto no Facebook se referindo a chegada de seu primeiro filho, e que reverberou em várias mídias. Fale um pouco sobre as motivações e como foi o retorno disso pra você.

 

Felipe.

Tudo foi só um desabafo de um pai de primeira viagem que estava emocionado. A motivação é que eu estou em São Paulo há 8 anos. As pessoas a minha volta mudaram. E muita gente não sabia de onde eu vim, o que eu sou, o que eu fui. E sempre vejo muita gente falando besteira na Timeline. Por isso, resolvi contar. Virou uma bola de neve. Meu Facebook travou de tanto pedido de amizade. Só de inbox recebi mais de  2000 mensagens. Mas não acredito em retorno pra isso.

Convites pra entrevista, programas de tv e tudo mais, surgiram vários. Mas vamos combinar que isso não é nada. É só vaidade. A única coisa que me importou foram convites pra conversar com crianças carentes. Estes eu aceitei. E me orgulha muito poder fazer isso. E surgiu essa entrevista aqui. Que acho legal, por ser o único convite relativo a minha profissão que pintou.

 

PortfolioLovers.

Apesar do fator talento ter muito peso na nossa profissão, ainda temos um cenário bem conservador na maioria das equipes de criação das grandes agências. Como foi esse desafio na sua história de redator publicitário?

 

Felipe.

Quanto ao preconceito racial, não me afetou. Não porque ele não existe. Mas porque eu sou bacharel pós-graduado em lidar com isso. Muito porque desde cedo decidi não olhar pro lado pra deixar isso me afetar. Eu sempre fui de seguir em frente. Mas acho que o mais difícil é a condição financeira e social. Grandes agências são lugares de classe média alta. Isso é fato.

Eu não tinha grana, então precisava de um emprego que pra bancar a faculdade. E isso me impedia de entrar num estágio em uma grande agência. Tive que recusar várias oportunidades por conta de dinheiro. Depois que entrei, era difícil acompanhar.

Todo mundo na criação é viajado, conhece o mundo, conhece as peças de todos os festivais. Eu nunca tinha saído de Niterói e nem sabia falar inglês. Não entendia nada das peças de Cannes que todo mundo achava genial. Então tive que correr muito atrás pra conseguir alcançar esse pessoal. 

 

PortfolioLovers.

Muitos estudantes ou jovens profissionais de outras regiões do Brasil sonham em trabalhar em grandes agências de São Paulo. Agora que você está inserido nesse mercado, como avalia essa experiência e quais as vantagens e desvantagens de atuar nele?

 

Felipe.

São Paulo não é o único caminho para quem quer ser publicitário. Mas é o caminho mais promissor. É onde estão as grandes agências e grandes clientes. E onde estão profissionais de todo o Brasil. É uma das maiores metrópoles do mundo.

Não é a mesma coisa de nenhuma cidade no Brasil. Mas se você quer trabalhar aqui, prepare-se bem. Mente, corpo e espírito. E mete a cara.

Vantagens e desvantagens são particulares pra cada um. Você descobre a realidade pra você. Mas uma coisa eu garanto: é possível. É foda pra caralho, mas é possível.

 

PortfolioLovers.

O que imagina para o seu futuro? Pensa em trabalhar fora do Brasil ou até em voltar para o Rio em um outro patamar profissional?

 

Felipe.

Nunca pensei em trabalhar em outro país. Nem sei se volto pro Rio. Na verdade, eu procuro pensar pouco no futuro. Sempre repito uma frase: um dia de cada vez, sem pressa. E assim vou sonhando e realizando o meu dia. Não fico fazendo planos e definindo onde quero chegar. Eu preciso é sempre ir mais e mais longe, seja lá onde for isso. Pode ser Rio, pode ser NY.

 

PortfolioLovers.

Se fosse começar tudo novamente, desde o dia que decidiu entrar na faculdade, o que faria diferente?


Felipe.

Trabalharia o dobro.







Luciana Cani
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/06/2016 @ 18:15

Luciana nasceu no Brasil. Trabalhou 10 anos como diretora de arte em diversas agências em São Paulo. Em 2007 Luciana foi convidada para fazer parte do time da Leo Burnett Lisboa. 

 

Em 2011 Luciana foi promovida Diretora Criativa e um ano depois Diretora Criativa Executiva da Leo Burnett Lisboa.

 

Em 2013 e 2014 foi reconhecida como a melhor Diretora Criativa de Portugal pelo Festival El Ojo de Ibero America. E nos últimos 3 anos foi quem mais vezes esteve no topo do ranking entre os diretores criativos de Portugal segundo o CCP.

 

Luciana acaba de de integrar a equipe da LAPIZ , situada no headquarter da Leo Burnett em Chicago. Lá irá desempenhar a função de Vice Presidente Senior e Diretora Criativa Executiva.

 

Luciana também publicou um livro infantil pela Editora Everest, ilustrado e escrito por ela.


 

ENTREVISTA.


 

PortfolioLovers. 

 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Luciana.

 

Foi meio por acaso. Eu ainda era muito jovem e tive a oportunidade de passar um dia na W/Brasil, onde, na época, o meu primo trabalhava. Adorei aquele ambiente descontraído e decidi que ia seguir os passos dele. 

Não tinha muita ideia do que exatamente eles estavam a fazer ali. A decisão mais madura de seguir a carreira, veio mesmo trabalhando. Comecei o meu primeiro estágio com 18 anos, numa agência pequena, depois de cursar Produção Visual Gráfica no colégio.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Luciana.

 

Acho que a carreira de um criativo é cheia de altos e baixos. Não dá para ter certeza o tempo todo. 

 

Antigamente as pessoas se perguntavam o que queriam ser quando fossem grandes. Mas muito mudou, não existem “aquelas” profissões” somente. Hoje é mais uma pergunta assim: o que você faz nas suas horas livres, como isso pode se tornar uma profissão?

 

Vc gosta de ser criativo, gosta de fotografar, desenhar, escrever? O que você faz naturalmente, por prazer? E aí sim, tentar buscar uma profissão que te dê a oportunidade de usar essa habilidade.

 

Ser criativo não significa trabalhar em advertising somente. Ser criativo significa ter muito mais opções do que esta indústria.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Luciana.

 

O portfolio serve para mostrar critério, nível de profissionalismo e se há paixão por criatividade.

O formato não é  importante, desde que seja aquele que melhor demonstra a ideia. 

Quando falo de paixão por criatividade, falo de projetos pessoais. O que alimenta a criatividade daquela pessoa? Só advertising? Que tipo de trabalho criativo ele faz para além dos jobs. Fotos, ilustrações, tatuagens, seja o que for. Hoje em dia busca-se cada vez mais profissionais com diferentes perfis. 

O portfolio é uma ótima chance de se vender como criativo para além das fronteiras tradicionais.

 

 

PortfolioLovers. 

 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Luciana.

 

https://www.nowness.com/

 

http://www.freundevonfreunden.com/

 

http://www.itsnicethat.com/

 

 

PortfolioLovers. 

 

Você tem essa experiência desejada por muitos hoje em dia, de trabalhar fora do Brasil. Conte um pouco sobre as vantagens e desvantagens, e o quanto isso influenciou na sua visão da profissão.

 

Luciana.

 

Não vejo desvantagens. Vejo só coisas boas. É uma experiência onde somos desafiados de maneiras diferentes. Recebemos estímulos novos em todas as áreas da vida. É sair completamente da zona de conforto. E na minha opinião, um criativo não pode deixar de procurar desafios.

 

Influenciou na minha visão de que há modos muito distintos de se trabalhar. Não há só aquele que conhecemos no Brasil. A distância também nos dá uma perspectiva diferente de tudo. 

 

 

PortfolioLovers. 

 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Luciana.


Ser criativo é uma coisa que acontece, onde aplicar a criatividade é algo que determinamos ao escolher uma carreira  O mundo é enorme e cheio de oportunidades. Daria ao meu filho todo o tempo do mundo para experimentar e usar a criatividade dele em campos diferentes, para depois tomar uma decisão com mais confiança. Experimentar enquanto é possível.

 

 

 

 

 


Rubens Mendes
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 06/05/2016 @ 19:58

 

Rubens Mendes é diretor de arte na Publicis de Lisboa. Veio trabalhar na terra do Pastel de Belém em meados de 2015. Antes disso vivia em São Paulo, onde trabalhou nas agências Eugênio, Euro RSCG (Atual Havas), AlmapBBDO e F/Nasca Saatchi&Saatchi. Agora em 2016 foi selecionado para representar Portugal em Cannes na competição Young Lions.

E está tão surpreso quanto você por ser o convidado do mês.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Rubens.

Quando criança adorava desenhar. Com o passar do tempo, fui pensando em qual profissão poderia usar essa "habilidade". Pensei em arquitetura, mas achava muito técnico. Pensei em artes plásticas, mas achava muito abstrato. Então na adolescência fiz um curso técnico de Design Gráfico, e lá tive uma matéria de Publicidade. Foi amor ao primeiro trabalho em aula.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão?


Rubens.

Quem na infância tem uma veia mais artística, geralmente tem propensão para a área. Mas além disso, acho que o melhor sinal é a curiosidade e a vontade de inovar. Como diz o humorista Murilo Gun, a criatividade é uma ferramenta para solucionar problemas. E em publicidade não é diferente, os criativos solucionam problemas de comunicação para as marcas. E para essa solução funcionar tem que ser o mais interessante e diferenciada possível. Por isso, acho um ótimo indicativo quando temos um problema e tentamos resolver ele de uma forma diferente, mesmo que seja temporariamente. E para aqueles que gostam, admiram, e querem ser criativos mas não se sentem criativos, eu digo: criatividade é só questão de praticar. Todos somos criativos, aqueles que parecem mais criativos apenas desenvolveram e estimularam mais esse lado.


PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Rubens.

Para mim, no portfólio só há uma regra: Os trabalhos tem que mostrar o seu melhor. 

Isso permite que tenha qualquer formato publicitário na pasta, inclusive uma pasta muito variada. O que não pode, é colocar só para mostrar diversidade mesmo sendo uma peça ruim. Isso prejudica muito o conjunto todo do seu portfolio. Outra questão é sobre colocar apenas peças que saíram. De verdade não há problema nenhum em ter fantasmas na sua pasta, principalmente no começo de carreira. Outra coisa que vale são os projetos pessoais, que  mesmo não sendo publicidade mostram sua criatividade e a qualidade do seu trabalho. 

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Rubens.

O site que mais utilizo para referências gráficas é o Pinterest. Tanto para pesquisas específicas quanto ao seguir perfis. Há muita referência boa por lá. Vale a pena usar e ir sempre alimentando seus boards.

 

Acompanho também alguns portfólios de designers, e recomendo aqui dois. Jonathan Mak (http://www.jonmak.com/). O mais interessante desde portfólio é o processo criativo e experimental das coisas. Alguns projetos nem sequer mostram o resultado final, ou mesmo a finalidade do projeto. 

Ji Lee (http://pleaseenjoy.com/). No portfólio dele o mais legal são os estudos minimalistas, a brincadeira entre significante e significado.

 

E também quero citar uma designer que conheci a pouco tempo. Corita Kent é designer, mas também é freira. Vale a pena pesquisar mais sobre sua história e trabalhos. 

 

PortfolioLovers. 

Você tem essa experiência desejada por muitos hoje em dia, de trabalhar fora do Brasil. Conte um pouco sobre as vantagens e desvantagens, e o quanto isso influenciou na sua visão da profissão.

 

Rubens.

Trabalhar em outro país é muito interessante e no meu caso está sendo muito bom, tem valido muito a pena. Consegui um bom reconhecimento por ter vindo para Portugal, que aumentou ainda mais, após ter sido selecionado no Young Lions. Em outros países os brasileiros são conhecidos pela qualidade e agilidade, e isso atrai oportunidades. E é muito bom viver em outro país, conhecer uma nova cultura, ter mais facilidade para viajar por outros países e aumentar o network conhecendo pessoas de diferentes nacionalidades e principalmente outros brasileiros. Mas como nem tudo são flores, esteja preparado para talvez encontrar mercados menores que o Brasil, o que resulta em budget menor para os briefings. E claro, se preparem também para a dificuldade com a mudança, deixar família e amigos, questões de visto, burocracias, um pouco de preconceito com imigrantes, etc., principalmente no início. 

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 

Rubens.

Acho que o maior conselho que posso dar agora para quem quer começar na carreira é: tenha ídolos - pessoas do mercado que você admira. E se possível, trabalhe com elas para aprender o máximo que puder. Caso ainda esteja no início e não consiga trabalhar com essas pessoas, use os trabalhos delas como referência para o seu trabalho (mas tome cuidado para que a referência não vire plágio). 

 

Na minha carreira busquei e busco até hoje trabalhar com pessoas que eu admire. Com elas pude aprender muito, tanto na parte prática quanto no amadurecimento profissional.







Daniell Rezende
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 06/04/2016 @ 19:53

Daniell Rezende é diretor de criação na Talent Marcel, onde trabalha com muita gente bacana desde 2013. Antes disso, também trabalhou na Artplan do Rio, na Africa e na Moma. Conheceu  gente bacana também em todos esses lugares e se considera um sortudo por isso. 

Nas agências por onde passou (e agora, na Talent Marcel), fez campanhas para uma série de marcas dos sonhos. Se interessa por tudo e é fã descarado de um monte de coisas, como Monty Python, Billy Wilder, Beatles, Blues, Van Gogh, Hemingway e, como você vai perceber nesta entrevista, Mark Twain.

 

ENTREVISTA

 

PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 

Daniell.

Vamos lá. Primeiro, eu entrei na faculdade de economia. Sempre me interessei pelo assunto. Mas aí me vi tendo que ler Marx, Engels e Schumpeter. Nada especificamente contra o conteúdo - “luta de classes”, “destruição criativa” etc são pensamentos interessantes. Mas os textos em si eu achava chatos pra danar (ou talvez fosse culpa da tradução, sei lá).

Acho que foi aí que eu percebi que eu queria trabalhar escrevendo. Eu gostava mesmo era dos textos, das histórias. Daí pra chegar a redator publicitário foi natural, já que eu, quando criança, prestava mais atenção nos intervalos do que nos programas de TV.Mudei pra faculdade de publicidade e hoje eu tô aqui. Ou seja: se o Karl Marx tivesse chamado o Mark Twain pra ser seu ghost-writer, hoje eu provavelmente estaria trabalhando no mercado financeiro.

 

PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão? 

 

Daniell.

Primeiro, isso de “sou criativo, então vou trabalhar em criação” é pouco. (Aliás, sempre achei engraçado esse negócio de a gente se autodenominar “criativo”. Sempre me soa como alguém dizendo “eu sou lindão”.) Criatividade é legal, é bom, é fundamental, mas isso vale pra qualquer coisa que você vá fazer na vida. Minha mãe era RH e foi bastante criativa no trabalho dela.O importante é saber onde você quer aplicar essa criatividade.

Porque ninguém vai pagar você só pra ser loucão. As suas ideias muito loucas precisam estar a serviço de um negócio.E veja bem: isso é ótimo. É legal saber que você usou essa sua loucura pra resolver um problema de comunicação.

Sabendo disso e ainda querendo trabalhar em criação, vai fundo.Por outro lado, acho que tem uma onda muito forte de “ah, tá chato”, “propaganda tá um saco”, “publicitário é isso e aquilo” e chororô em geral. Não é pra se levar por esse papo.Propaganda é legal sim de fazer. É divertido. E se você trabalha direitinho, vai ter a alegria de ver aquele troço que você ajudou a fazer ser comentado no twitter, no bar, no Natal da família – o que é muito gratificante.

 

PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 

Daniell.

O que eu acho legal de ver é ideia boa. Pertinente. Esperta. Com argumento. Seja lá qual for o formato. Se você tem um anúncio de revista com um baita raciocínio, é melhor do que mostrar um filme sem sal ou um aplicativo que não fica em pé, que tá ali só pra cumprir tabela. É claro que ter uma variedade de formatos ajuda sim. E é claro que a gente precisa pensar em formatos diferentes, precisa mostrar que resolve o job com qualquer ferramenta.

Não tô dizendo que não é pra fazer app, nem que o lance é fazer anúncio de revista. Só tô dizendo que antes de tudo, tem que ter uma ideia. Isso também implica em não sucumbir ao briefing fácil (“café que deixa você acordado” é o meu preferido), ao modismo pelo modismo (lembra do QR Code? do Second Life?) ou ao desespero (videocase mostrando um outdoor comum sendo impresso e colado só pra dizer que você tem videocase).

Outra armadilha é a ideia-clone. Você vai fazer uma peça pras Sandálias Itapeva e aí pensa “putz, dá pra fazer uma coisa meio Havaianas aqui”. Não, não dá. Só dá pra fazer Havainas se você estiver fazendo Havaianas mesmo. A graça do negócio é encontrar uma cara única pras suas Sandálias Itapeva. Foi assim que as Havaianas viraram as Havaianas, a Tigre virou a Tigre, os postos Ipiranga viraram os postos Ipiranga.

 

PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 

Daniell.

Mark Twain, youtube e conversa fiada com os amigos.

 

PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Daniell.

Procure trabalhar para os caras legais, em todos os sentidos. Os talentosos e, principalmente, os de bom caráter. É só andar com gente talentosa e prestar atenção, que você vai aprender muito. E se você conseguir não trabalhar com gente mau caráter, vai poupar muito sofrimento. Isso é bem importante.







Sophie Schonburg
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 06/03/2016 @ 21:35

Sophie Schonburg é VP de Criação da Pereira & O'Dell Brasil desde outubro de 2014. Anterioramente, passou 19 anos na Almap BBDO, onde trabalhou para todos os clientes da agência, ajudando na construção de marcas como Havaianas, Volkswagen, O Boticário, Visa, Pepsi, HP, Veja, Bayer, Getty Images, Bauducco, entre outras. Hoje, trabalha para clientes como como Jeep, Fiat, Natura, Maggi, Imovelweb, Olympikus, UFC, Marisol.

Não gosta de enumerar prêmios, não porque não goste de prêmios, mas porque, se for para se autoelogiar, prefere citar suas duas melhores criações: Francisco e Caetano.



ENTREVISTA

 


PortfolioLovers. 

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

 


Sophie.

Não foi exatamente uma escolha. Foi um esbarrão que deu certo. Quando eu era criança, me pergutavam o que eu queria ser quando crescer e eu dizia, sem vergonha na cara: "dona de galeria de arte". Bastante pedante para uma criança, eu sei. Principalmente pelo detalhe do "dona".

Mas sempre fui encantada por arte e pintura (a lógica, portanto, deveria ter me levado à direção de arte). Depois de terminada a escola, eu queria ir para Florença, onde minha irmã morava, para tentar algum curso relacionado à história da arte.

Mas como me sentia na pressão de prestar vestibular, acabei prestando publicidade. Entrei, gostei e arrumei um estágio na W (ainda W/GGK). Impossível um projeto de gente como eu na época não se impressionar com a fábrica de trabalho bom que era a W. Ali, meu olho brilhou. 

 


PortfolioLovers. 

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa decisão?

 


Sophie. 

Propaganda não é arte, mas dá para chamar de arte aplicada. Portanto, acho que quem opta por esse caminho, tem que ter, sim, algum interesse maior por tudo o tangencia a arte. Literatura, cinema, fotografia, pintura vão ajudar mais um criativo do que cálculos de uma faculdade de engenharia.

Mas está longe de ser tudo. Porque você pode gostar e não ter nenhum talento. (Para isso, escolas como Cuca e Miami Ad School são ótimas para ver se você leva jeito para entrar na criação.) 

Outro traço importante é saber observar as pessoas. Se você não for meio pscicólogo ou antropológo de botequim vai ter mais dificuldade para chegar ao coração das pessoas. Entenda como as pessoas agem e sentem e entenderá mais facilmente o que elas querem. Tanto individualmente quanto coletivamente.

Outro fator essencial no começo de carreira é não ter pressa. Querer entrar na criação para ganhar um leão no primeiro ano é o começo de uma série de frustrações. Ser resiliente é indispensável.

 


PortfolioLovers. 

Anúncios, roteiros, ações, videocases, aplicativos, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta? 

 


Sophie.

Temos visto muitas pastas só com videocases. Isso é uma pena. O videocase é um perigo: pode tanto matar uma idéia boa, quanto maquiar uma idéia ruim. O que se busca num criativo, obviamente, é a força e o frescor de uma idéia, de um raciocínio.

Mas parir uma idéia sem alimentá-la com um bom craft pode fazer com que ela não vingue. Então meu conselho para essa geração que está chegando: apliquem-se mais e sempre. Não tenham preguiça de testar todos os jeitos possíveis de entregar uma idéia. Pode ser o caminho mais demorado, mas o mais garantido para se chegar no melhor.

Outra coisa importante para se ter numa pasta: critério. Uma peça muito ruim pode contaminar uma muito boa. Mostre que você sabe escolher.

 


PortfolioLovers. 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

 


Sophie.

Três é pouco. Portanto, indicaria três lugares: uma livraria, uma tela de cinema e uma agência de turismo.

  


PortfolioLovers. 

Nossa área, em especial, também vem sofrendo os questionamentos naturais da questão de gênero, tão presentes no momento atual. Como você vê essa predominância masculina na criação e como lida com isso?

 


Sophie.

Assunto complexo, esse. O que vemos nas agências é apenas reflexo do que vivemos na sociedade. Não caberia nessa minha resposta. Portanto, apenas relatarei um momento da minha carreira para tentar explicar o que sinto em relação a isso. Tinha acabado de voltar da licença à maternidade do meu primeiro filho. E ainda dava de mamar. Tinha que sair, portanto, às sete da noite todos os dias, pontualmente. Para isso, mudei meu jeito de trabalhar: mais foco, menos conversa e brincadeiras. E não é que me vi conseguindo entregar o meu trabalho sempre no prazo? Me questionei porque então, antes, eu ficava até às nove, dez da noite.

Simples: porque eu estava obedecendo às regras de um jogo criado por homens. Por homens que não se incomodavam em ficar até tarde na agência justamente porque suas mulheres já estavam em casa cuidando dos seus filhos. Tentando resumir o que não se pode resumir: parar de seguir regras que não foram criadas por nós é um bom começo para se mudar o status quo.



PortfolioLovers. 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria? 

 


Sophie.

Nunca se intimide com os NÃOs que você vai ouvir.

E nunca trabalhe para pessoas que você não admira.







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