23/05/2013 | 07:03 | RSS | posts: 5802 | comentários: 261 | lovers: 39
Convidado do Mês
Milton Cebola Mastrocessario
VP Diretor de Criação na WMcCann Brasil
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 10/05/2013 @ 18:35

Formado em Comunicação Social, desde 1975, eu passei apenas 4 anos fora da McCann-Erickson, quando eu trabalhava no CLA Publicidade em Los Angeles, Califórnia. Iniciei minha carreira como diretor de arte e hoje eu sou Diretor de Criação para marcas como: Nestlé, Ninho, Molico, Nescau Cereal, Nesfit, Sollys, Sorriso (Colgate), Editora Abril, Exército da Salvação, Credit Suisse, American Airlines, Fundação Dorina Nowilll. Também trabalhei em projetos internacionais com a McCann México, Colômbia e Venezuela. Agora, na WMcCann, desde 1 de Maio de 2010, após a fusão entre McCann e W/Brasil, continuo trabalhando como VP Diretor de Criação para a Nestlé, Colgate / Sorriso, American Airlines e outros clientes.


ENTREVISTA.


PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Cebola.

Acho que o que me ajudou a escolher essa profissão foi o fato de ter nascido com talento natural para desenhar, gostar de cinema, de música, assistir TV e ler muito e tudo. Hábitos importantes para quem quer trabalhar com comunicação. A sorte foi que uma tia minha trabalhava na Leo Burnet, e quando eu tinha 12 anos ela me levou para conhecer a agência. Passei então a frequentar a agência. Até que um dia, quando fiz 14 anos, um dos diretores de arte da agência me convidou para fazer um estágio. Gostei tanto que nunca mais sai de propaganda.

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?


Cebola.

Os sinais foram meus talentos naturais. Não tinha atração por estatísticas financeiras ou administrativas. O que eu gostava mesmo era de desenhar, de ir ao cinema, de ouvir música, tocar violão, assistir TV e de ler muito e de tudo. Enfim, os meus talentos se encaixavam melhor no departamento de criação. Minha dica é, prestem atenção nos seus talentos naturais, são eles que dizem o caminho certo a seguir.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?


Cebola. 

Não importa se são anúncios, roteiros, ações, videocases ou qualquer outro tipo de peça de comunicação. O que você não deve ter na sua pasta idéias ruins. Tenha critério. É melhor ter uma grande idéia do que 10 idéias meia boca na pasta.


PortfolioLovers.
 

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Cebola.

The Best of One Show, The Best of Cannes e tudo o mais que você puder ver, ouvir e ler.


PortfolioLovers.
 

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

 

Cebola.

Se for para trabalhar com criação, nunca abra mão de ser criativo.



 

 

 


Átila Francucci
Sócio diretor de criação e planejamento da Lua.
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 12/04/2013 @ 11:50

Depois de trabalhar como redator nas mais criativas agências do Brasil como DPZ, Almap/BBDO e Young & Rubicam, Átila foi convidado, em 1999, para ser VP de criação da Lowe Lintas, de onde saiu, em 2000, para abrir sua própria agência - Cápsula – que seis meses mais tarde transformou-se em TBWACápsula.

Em agosto de 2002, Francucci assumiu a direção nacional de criação da Fischer América e em maio de 2004, a co-presidência da JWT, sendo um dos seis membros do recém-fundado JWT Worldwide Creative Council. Em 2006 abre sua segunda agência,a Famiglia. Desde 2011 é sócio diretor de criação e planejamento da Lua.

Francucci tem 16 Leões em Cannes e premiações no London Festival, New York Festival, NY Art Directors’ Club, The One Show, FIAP, El Ojo de Ibero America além de vários prêmios nos principais festivais nacionais como: Clube de Criação de São Paulo, Prêmio Abril de Publicidade e Profissionais do Ano da Rede Globo.

Representou o Brasil no Festival de Cannes em duas oportunidades: 98(Press) e 2005(Film). Também fez parte do Júri do Clio Awards, NY Art Directors’ Club, London Festival e Dubai Linx. Em 2000, presidiu o Júri do FIAP.

Recebeu o Prêmio Caboré de Profissional de Criação em 2005.

 

 

ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Átila.

Sempre adorei aviação, mas quando trabalhava na área descobri que uma vida binária (sim-não, positivo-negativo) não alimentava meu espirito. Gosto do “que tal se…”, “e se…”, “pensei que…” Portanto, não era na aviação que eu devia “amarrar meu burro” (dá pra imaginar um piloto perguntando para o controle de tráfego: “e se eu quisesse usar a outra pista?”) Hoje é fácil descrever aquele momento de vida em poucas linhas, mas quando descobri que meu amor de infância, a aviação, não era aquilo que eu imaginava, fiquei perdidinho durante alguns anos. Quando você não sabe o que fazer, melhor não fazer nada. Foi um período enriquecedor porque nessa espécie de scanner gradual de si mesmo, você acaba se conhecendo melhor, suas qualidades e defeitos, seus dons e suas incapacidades. Dessa época, ficou claro pra mim que eu, sendo extrovertido, galhofeiro, um tanto quando avoado, mais um tanto sonhador, apreciador do comportamento humano, com um gostinho especial pelo desafio, com sede de conhecer um pouquinho de cada coisa (nunca muito de uma determinada coisa) e um cara muito ligado em ficção tinha algo a ver com comunicação. E não é que tinha mesmo?

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?


Átila.

Sabe, eu acho que todo mundo que é criativo, no fundo, no fundo, sabe que é criativo. Não é uma constatação que vem de repente, de uma hora para outra, mas basta olhar sua trajetória de vida que os exemplos de exercícios criativos estarão lá. Na minha infância eu tinha alguns times de futebol de botão. Tinha (aliás, ainda tenho, graças a Deus) duas irmãs menores que eu, cujo hobby official era pisar nos meus botões. Para ser justo, acho que cabe dizer que eu também tinha um hobby: virar os olhos das bonecas delas, deixando só o branco do olho aparente. Importante também dizer que o meu hobby precedeu o delas em alguns minutos. Nessas disputas fraternais,  acabou que eu fiquei com um número de botões que só me permitia formar times com 8 jogadores. Tive que inventar um esporte parecido com futebol de botão, tive que inventar alguns times e seus distintivos (Barquinho, Sul Americano, Liceu, Jardim São Paulo, Proeme…), inventei o nome de todos os jogadores, das regras e até um tipo de fogo de artifício oriundo da apertada numa casca de mexerica (ao apertar a casca, sai uma “aguinha” que junto com o efeito sonoro que eu fazia com a boca –tchu-tchu-tchuuuu- resultava numa verdadeira bateria de fogos para celebrar a entrada dos times em campo). Conseguiria enumerar uma série de outros acontecimentos da minha vida pré-publicitária que já sinalizavam um certo perfil criativo. Se dá pra dizer que criatividade não se aprende, também dá pra dizer que ela se desenvolve, se altera, evolui. Mas quem é criativo hoje é porque já foi criativo em muitos “ontem”.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?


Átila.

Muitas vezes alguém que vem me mostrar a pasta abre a sessão dizendo, meio sem jeito: “a maior parte das coisas é coisa que não foi aprovada”. Ao que eu respondo: “olha, eu não estou aqui pra saber como pensa o seu cliente, a sua agência ou o seu diretor de criação. Eu quero ver como você pensa”. Nesse sentido, estou me lixando se foi aprovado ou não. O que conta é o potencial daquela cabecinha sentada na minha frente. Se isso está na forma de anúncio, videocase, roteiro, pouco importa tampouco. A única coisa relevante é se aquilo que está sendo mostrado tem valor criativo, é uma boa ideia.

Outra coisa que me pedem com alguma frequência: “você tiraria alguma coisa da pasta?” Sempre respondo que o máximo que posso e, na minha opinião, devo fazer, é falar o que eu gosto mais e o que  eu gosto menos. É muita responsabilidade dizer para tirar alguma coisa da pasta, porque amanhã essa peça pode fazer a diferença na frente de um outro diretor de criação. O que qualquer entrevistado tem que fazer é, depois de ponderar uma série de opiniões que ele julga relevantes, decidir ele mesmo se tal peça sai ou não.

 

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Átila.

1)Vídeos. Chamo de vídeo tudo aquilo que tem movimento, independente da tela onde é exibida. Portanto aqui se enquadram cinema, TV (ah!, as séries americanas), filminhos de Internet.

2) livros de ficção.

3) a vida que corre lá fora (o que significa: frequente bares, sente nos parques, viaje muito, converse com a empregada sobre a novela, bata papo no taxi, pegue um transporte coletivo de vez em quando e tudo o mais que faz o dia de hoje ser a principal matéria prima da campanha que você vai apresentar amanhã).

 

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


Átila.

O mesmo que daria se ele escolhesse qualquer outra profissão: se para ser um profissional acima da media nessa área você precisar se transformar num ser humano abaixo da media, tente outra coisa.



 


Dulcidio Caldeira
ParanoidBR
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 09/03/2013 @ 18:08

Dulcidio Caldeira nasceu em Curitiba e começou a carreira como redator em 1988. Em 2000, começou a trabalhar na AlmapBBDO. Em 2005, foi o redator mais premiado do país. Em 2007, foi como redator para a BBDO/NY, onde trabalhou por dois anos. Em 2008, voltou para a AlmapBBDO para ser Diretor Geral de Criação da agência. Em 2009, foi apontado pelo Big Won Report como um dos dois Diretores de Criação mais premiados do mundo. Em janeiro de 2010, deixou a Almap e começou a dirigir comerciais na produtora ParanoidBR. Em 2011, Dulcidio co-escreveu e dirigiu o comercial "Balões" para a MTV Brasil. De acordo com o Big Won Report, "Balões" foi o décimo comercial mais premiado do mundo em 2012. Nesse mesmo ano, Dulcidio foi o jurado brasileiro na categoria Craft dos Festivais de Cannes, D&AD e Clio. Seus trabalhos como redator e diretor podem ser vistos em dulcidiocaldeira.com.br

 

 

ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Dulcidio.

Sou formado em Engenharia Civil. Fiz o curso porque não tinha ideia do queria fazer na vida. Quando saí da faculdade, fui fazer um estágio na agência de publicidade do meu pai. Aos poucos comecei a me interessar por criação. Fui ao Festival de Cannes em 1991. Eu era fã do trabalho que a Fallon McElligott estava fazendo na época e resolvi falar com fundador da agência, o Tom McElligott. Sabe-se lá por que, ele topou tomar um café comigo. Perguntei para ele se criação era algo que pudesse ser desenvolvido. Ele contou que, quando serviu na Marinha americana, o sargento dizia para ele dormir com seu fuzil se quisesse ser um bom fuzileiro. E que por isso, no início da carreira, ele não desgrudava dos seus anuários. E confessou que, mesmo assim, demorou quatro anos para fazer seu primeiro anúncio decente. É claro que não escolhi a profissão por causa dessa história. Mas passei a me dedicar a ela de uma forma diferente depois disso. Acho que trabalhar com ideias é um privilégio. A publicidade é uma das poucas profissões onde você pode exercitar a criatividade em diversas áreas e ainda ganhar um bom dinheiro.

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Dulcidio.

A criatividade é só uma das qualidades necessárias para essa profissão. É preciso disciplina para encarar a página em branco todos os dias. Cabeça dura para não desanimar vendo suas idéias rejeitadas dia após dia. Um otimismo inabalável. E teimosia para colocar as idéias em prática a qualquer custo.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Dulcidio.

Qualquer tipo de boa idéia vale. Como é muito pouco provável que alguém no começo de carreira  tenha colocado algo interessante na rua, o melhor é inventar peças para clientes conhecidos. Pouco importa se a peça é verdadeira. Não apostaria em roteiros. Pouca gente tem paciência para lê-los em uma pasta. Se você tem uma câmera e uma ideia simples, filme. Além de criatividade, vai mostrar iniciativa.

 

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam? 

Dulcidio.

Kubrick, Michael Jordan e Blues Brothers.

 

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Dulcidio.

• Comece cedo.

• Conheça o que já foi feito.

• Anote desde já tudo de interessante que passar pela sua frente: conversas de bar, piadas, imagens, frases de livros, falas de filmes. Acredite, você vai precisar de munição lá na frente.

• Não dependa dos outros para colocar ideias em prática.

 

 

 


Wagner Brenner
Fundador do Update or Die
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 06/02/2013 @ 12:02

Wagner Brenner, fundador do Update or Die. Ex-Diretor de Criação da McCann. Trabalha de bermuda, mas trabalha muito.

 

ENTREVISTA.


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Wagner Brenner.

Como a maioria, escolhi publicidade por achar que tinha um potencial criativo. Com o passar dos anos entendi que além de criativo era preciso também entender as engrenagens do consumo. Hoje procuro usar essa criatividade e experiência em consumo em favor de aprendizagem informal. Antes eu "embalava" Coca-Cola, agora "embalo" conhecimento. Informação é viciante, mas sempre veio embalada com jeitão acadêmico demais. O mundo do saber precisa dos publicitários. Resumindo, mais do que uma profissão, acabei escolhendo uma filosofia de vida, um propósito de vida. E trabalho duro para poder viver desse privilégio.

 

PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Wagner Brenner.

Quando a gente é jovem, tem uma visão ingênua sobre a criatividade na publicidade. 

A primeira coisa a fazer é transformá-la em uma visão realista.  Criatividade em publicidade significa trabalho duro, no meio de pessoas tão geniais (ou mais, que você), humildade, administração do ego em favor de objetivos mais mundanos de consumo e não de expressão artística.

Outra ponderação a fazer é se a sua criatividade precisa necessariamente estar em um departamento de criação. Apesar do departamento ter esse nome, não é o único lugar em que a criatividade pode florescer. No meu tempo era a melhor aposta, hoje tem creative planning, tem internet, tem empreendedorismo, start-ups, e muito mais.

Você vai ter que transformar sua criatividade em criatividade-aplicada.

 

PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Wagner Brenner.

O objetivo da pasta, principalmente no início de carreira, é mostrar potencial. Ao contrário de um CV, serve mais para mostrar o que você pode ser e não o que você já foi. Muitas vezes é mais legal fazer uma campanha fictícia do que mostrar que você fez um anúncio da concessionária do seu tio que saiu de verdade no jornal. Mas tenha bom senso, também não adianta chutar o balde e levar os desenhos psicodéligos que você fazia e sua mãe adorava. Além de avaliar a qualidade do seu trabalho, quem vê uma pasta presta atenção também no seu critério do que é bom ou ruim. Use coisas fictícias, mas dentro do universo de comunicação. Outro dia postei um rebranding da National Geographic maravilhoso. Não era um job de verdade, mas eu contrataria o cara. Para profissionais mais experientes, obviamente o critério muda e passa a valer a parte curricular.

 

PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Wagner Brenner.

Bom, vou começar puxando a sardinha pro meu lado. A primeira é o Update or Die. Mas não é falsa modéstia porque eu sou apenas um dos updaters. Aprendo muito todos os dias com os outros colaboradores e com comentários de leitores. Desenhamos o UoD justamente para isso.

A segunda referência  é a anti-referência. Não busque todas as referências na própria propaganda. Busque universos mais distantes. Não repita formulinhas manjadas. Quando for a praia, converse com o pescador que traz os peixes na canoa. Viva a vida e entenda de pessoas e de consumo. 

A terceira fonte é resultado da mistura entre o que entra na sua cabeça e as coisas que já estavam lá antes. O que quero dizer com isso é que as coisas mais legais são aquelas que você acrescenta algo, que você contextualiza usando sua própria experiência de vida e profissional. No Update or Die eu digo para os updaters: "compartilhe o que você aprendeu" (e não apenas replique algo que você viu por aí).

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Wagner Brenner.

"Tem certeza?" Hehehe, brincadeira. Acho que diria para ele buscar mais um propósito do que uma profissão. Antigamente a gente escolhia uma profissão e seguia com ela a vida toda. Hoje estudos mostram que os jovens terão várias profissões até se aposentarem. Se é assim, melhor apostar no auto-desenvolvimento e ficar atento onde pode desaguar sua criatividade. Eu diria: "desenvolva suas habilidades e fique atento as oportunidades. Elas virão aos montes, mas passam de mansinho, tem que ficar atento".

 

 

 

 


MARCELO LOURENÇO & PEDRO BEXIGA
Fuel Lisboa
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 07/01/2013 @ 13:09

Entrevista concedida em Setembro de 2012 ao site da revista Luerzer’s Archive.

Marcelo Lourenço e Pedro Bexiga trabalham juntos como dupla desde 1999. Depois de trabalhar na Leo Burnett Lisboa, Lowe e na Euro RSCG como diretores de criação,  foram convidados em 2006 para lançar a Fuel Lisboa, a nova agência do Grupo Havas em Portugal. Começaram com quatro pessoas e uma conta (Volvo) e hoje estão no top 3 das agências mais rentáveis do país. Em 2012, a Fuel foi eleita pelo jornal Meios e Publicidade, uma das agências mais premiada de Portugal.

Pedro Bexiga se considera um cara legal (ou, como se diz em Portugal, um “gajo porreiro”). Marcelo Lourenço, que é brasileiro (no Brasil, trabalhou na Taterka, na Young & Rubicam e na Carillo Pastore), se diz “o último criativo brasileiro que ainda não voltou para o Brasil”.


NO MOMENTO ESTÃO A TRABALHAR EM …

ML: Estamos dando muito duro para conseguir manter o sucesso de 2011, quando a Fuel foi a agência mais premiada do ano e a terceira colocada no ranking das agências (nota: no final de 2012, a agência foi novamente uma das mais premiadas e acabou o ano em segundo lugar no ranking das agências portuguesas).

PB: Estamos a trabalhar na campanha 2013 do Continente, a maior rede de hipermercados de Portugal, e um dos nossos clientes mais importantes. 


O TRABALHO MAIS CRIATIVO QUE VOCÊS VIRAM ULTIMAMENTE FOI …

ML: A série “Modern Family” porque uma série com a Sofia Vergara não precisava de mais nada e mesmo assim eles são a coisa mais original e bem escrita da mídia. E fazem isso todas as semanas.

PB: O filme “Susan Glenn” da Axe, com o Kiefer Sutherland. Não importa o quão macho você seja, há sempre uma rapariga que irá fazer você sentir-se um fraco. Isto é a mais pura verdade. Por isso o filme é tão sensacional.


O QUE NÓS INSPIRA É … 

ML: O trabalho da Meryl Streep. Quando ela entra em um filme, não importa se o filme é uma merda, a atuação dela é sempre tão boa que puxa todo o filme pra cima. É isso que tentamos fazer: ser as Meryl Streeps da propaganda. 

PB:  Essa foi uma ótima resposta.


ESTE ANO (2012) VÃO ESTAR EM …

ML: No Eurobest, com certeza, que acontece pelo segundo ano consecutivo aqui em Lisboa (e também volta à cidade em 2013). Na semana que vem, também vou estar na reunião de Pais e Mestres da escola das minhas filhas.


AQUILO QUE MAIS CHAMOU A SUA ATENÇÃO NOS ÚLTIMOS FESTIVAIS FOI … 

ML: "The Hardest Job in the World". Olha, se a Procter and Gamble consegue fazer trabalho assim tão bom, ninguém tem mais desculpa pra fazer merda.

PB: "Three Little Pigs", da BBH London para o jornal Guardian. É simplesmente brilhante. Também tive o privilégio de assistir uma apresentação inspiradora do John Cleese, feita exclusivamente para o Grupo Havas este ano em Cannes.

 

A MELHOR ÉPOCA PARA SER CRIATIVO É …

ML: É agora porque o digital trouxe de volta aquela época quando os clientes não achavam que sabiam tudo.

PB: Quando as coisas estão a mudar radicalmente. Ou seja: agora. 

 

A PRÓXIMA GRANDE NOVIDADE DA PROPAGANDA SERÁ …

ML: Descobrir que o digital já é coisa do passado

PB: A ideia. Ela será sempre “a Grande Novidade” …

 

O ULTIMO TRABALHO QUE VOCÊS GOSTARIAM TER FEITO FOI …

ML: Uma campanha brasileira para a construtora Carvalho Hosken. Que ideia tão simples: você vai comprar uma casa neste novo empreendimento imobiliário, marca a visita pela internet e quando chega lá, o “apartamento modelo” está todo decorado com as suas fotos do Facebook. Faço uma vênia aos criativos da Artplan Brasil.

PB: Acho que é o GT Academy Online, da Sony Playstation e da Nissan, onde você pode começar a vencer corridas no vídeo game e acabar por transformar-se num piloto de corridas a sério. É uma daquelas ideias que só aparece uma vez na vida.


SE FIZESSEM UM FILME SOBRE A SUA VIDA, QUEM INTERPRETARIA O SEU PAPEL … 

ML: O Clive Owen. Mas ele recusaria por medo de ficar marcado pelo papel.

PB: O Michael Palin. Isso seria engraçado.


NA NOSSA INDÚSTRIA, QUEM VOCÊ ADMIRA …

ML: O Remi Babinet e tudo que os caras da BETC Paris fazem. Acho também que a David, a nova agência da Ogilvy, vai ser a bola da vez. Mas o meu sonho secreto é trabalhar um dia com o grande Washington Olivetto.

PB: Eu admiro toda a gente que faz trabalho genial, que corre riscos e quem muda o nosso negócio diariamente. Não vou dizer nomes porque provavelmente esqueceria uns 10 ou 12 deles.


O PAPEL DE PAREDE NA TELA DO SEU CELULAR É …

Na tela não tem nada mas nas costas do meu I-Phone tem uma capa preta (eu sou fã do Batman) cheia de corações, arco-íris e póneis (eu sou fã do Batman mas tenho duas filhas pequenas). 

PB: Henrique, o meu filho.


O SEU PROJETO DE SONHO SERIA …

ML: Criar algo que seria aprovado pelo Steve Jobs

PB: Fazer algo com o Lance Armstrong, com a Nike e com os Kraftwerk. Daí sairia algo realmente interessante.

O QUE VOCÊS PROCURAM EM UM JOVEM CRIATIVO É …

ML: Alguém que não tem medo de nada. E isso inclui não ter medo de mim. 

PB: Eu procuro alguém que tenha entusiasmo, que nunca deixe de acreditar e que não tenha medo do trabalho.

 

UMA CRÍTICA QUE JÁ ME FIZERAM …

ML: Você é muito “brasileiro” (o que, ultimamente, virou elogio). 

PB: Que sou muito teimoso.

 

A ÚLTIMA MÚSICA QUE VOCÊ OUVIRAM FOI …

ML: Uma música dos “One Direction” ... e não me pergunte o porquê ...

PB: "Hurry Up We’re Dreaming", dos M83.

 




Wilson Mateus
Diretor de Criação da DM9DDB
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 10/12/2012 @ 23:53

Diretor de Criação da DM9DDB desde fevereiro de 2011, “Don” Mateus já passou pelas agências mais premiadas do Brasil, como AlmapBBDO, F/Nazca S&S, Neogama BBH, Young&Rubican entre outras. Trabalhou para algumas das maiores marcas presentes por aqui e coleciona os principais prêmios como Cannes, One Show, Art Directors Club, Word Press Awads, FIAP, El Ojo, Wave Festival, ABP, etc. Apesar de ter apenas 36 anos de idade, Mateus já atua há 20 anos no mercado como redator e Diretor de Criação, e em 2012 foi jurado em Cannes na categoria Outdoor.

 

ENTREVISTA.

 

PortfolioLovers.


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


 

Don Mateus.

Basicamente, porque gosto de criar. Tanto que comecei em agência porque desenhava e acabei me tornando redator, porque também escrevia. E há pouco tempo atrás comecei a fotografar, como hobbie. Enfim, eu sou fascinado por essa coisa de poder produzir ideias que antes de você simplesmente não existiam.

 

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

 

Don Mateus.


Eu passei muitos anos da minha vida achando que criatividade era treino, era método, era persistência. Claro que também é. Mas hoje estou convencido que criatividade é, antes de tudo, um dom. É uma coisa nata. E tem sim seus sinais: curiosidade é um deles. Paixão é outro. Você tem uma certa ideologia, que muitas vezes faz você colocar o prazer de produzir uma boa ideia na frente da remuneração financeira.

 

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Don Mateus.


Não pode ter Ideia fraca. A mídia é consequência. A ideia é que manda. E não tente disfarçar uma ideia batida com uma "nova mídia" ou com "novas tecnologias". Quem é mais experiente não vai cair nessa.

 

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


 

Don Mateus.

Cinema, Literatura e qualquer outra coisa que te dê prazer. Só tente não beber das fontes em que todo mundo bebe.

 

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


 

Don Mateus.

Com filhos ainda não aconteceu, mas minha irmã caçula virou redatora. Os conselhos que dei foram: seja persistente, nunca ache que já fez o bastante. Portfolio é como um filho: você cria com todo carinho e amor. Mas no final, ele é para o mundo, não para você. Não se apuegue, porque a melhor ideia ainda é a que estar por vir.


 

 


Erh Ray
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 07/11/2012 @ 23:00

Graduado em propaganda pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Erh Ray iniciou sua carreira como estagiário na Standard Ogilvy & Mather. Depois disso, foi contratado como diretor de arte pela gaúcha Vangarde. Ainda no sul, teve passagens pelas agências Centro de Propaganda, Bureau, Paim Lautert & Macedo e Upper. Em 1994, foi contratado na DM9DDB, onde conheceu e começou a fazer dupla com o redator José Henrique Borghi.

Juntos eles criaram campanhas como “Mamíferos”, para Parmalat, e o filme “Carlinhos”, de combate ao preconceito aos portadores da Síndrome de Down. A dupla se desfez entre 1999 e 2002, quando Borghi seguiu para a NewcommBates e, depois, para a Leo Burnett, onde foi copresidente e diretor de criação. Enquanto isso, Ray passou uma temporada na DDB de Nova York antes de retornar para a DM9DDB, como vice-presidente de criação. Durante o Festival de Cannes de 2002, eles decidiram que seria hora de juntar forças em um negócio próprio.

Inaugurada em dezembro de 2002, a BorghiErh passou a ser assediada por vários grupos internacionais e em 2006 foi concretizada a fusão com a Lowe Worldwide. Depois de 10 anos, Erh deixa o grupo para seguir novos caminhos.

 

ENTREVISTA.


PortfolioLovers. 


No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?



Erh Ray.

Eu fiz aequitetura antes de Publicidade. Sempre fui movido pela estética! Meu pai foi director de fotografia na industria de cinema em Hong Kong e minha mãe trabalhava nos laboratórios da Kodak, então acho que o DNA da imagem já está no sangue. Em um determinado ponto na faculdade de comunicação estagiava na produção gráfica da Standart Ogilvy de Porto Alegre como “Art Buyer” e gostava de ver os lay-outs que vinham para ser orçados. Aí eu disse: quero criar estas imagens, estas idéias!

PortfolioLovers.


Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Erh Ray.

Acho que o imediatismo que move os jovens de hoje atrapalham no seu desenvolvimento!
 Culpa dos dias de hoje onde quase tudo é descartável! É preciso ter paciência e persistência! 
Acho importante ter “Mentores”, “Mestres” para ouvir e dialogar! Ouvir suas experiências na sua trajetória de vida! EX: Palestras, cursos, viagens etec…

PortfolioLovers.


Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Erh Ray.

Gosto de ver numa pasta Soluções! Sem dizer que beleza é fundamental!

PortfolioLovers.


Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Erh Ray.

Que dureza!!!! Google pode? Na nossa profissão quanto mais fontes melhor!!!! Até porque todos acabam bebendo da mesma fonte!

PortfolioLovers.


Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Erh Ray.

“Já falei pra ouvir o seu pai menino!”





Heitor Dhalia
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/10/2012 @ 23:43

Nasceu em Pernambuco em 1970 e trabalhou em algumas das principais agências de propaganda de São Paulo, como DPZ, Talent, Young & Rubican e DM9DDB. Estreou no cinema como assistente de direção de Aluísio Abranches em Um copo de cólera (1999), e nesse mesmo ano codirigiu, com Renato Ciasca, o curta-metragem Conceição. Em 2002, voltou a trabalhar com Aluísio Abranches, como corroteirista de As três Marias. Em 2004, estreou na direção de longa-metragem com Nina, filme livremente inspirado no romance Crime e castigo, de Fiodor Dostoievski. Seu segundo filme, O cheiro do ralo (2006), com roteiro de Marçal Aquino e do próprio Dhalia, ganhou o prêmio do júri de melhor filme e prêmio da crítica na Mostra de São Paulo, o prêmio especial do júri no Festival do Rio e entrou na seleção oficial do Sundance Film Festival de 2007, na competição mundial de filmes de ficção. Em 2009, lançou o longa À deriva, selecionado para a mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes. No mesmo ano, fundou a produtora ParanoidBR. Em 2012, dirigiu seu primeiro longa-metragem para um estúdio hollywoodiano, o suspense 12 horas.

ENTREVISTA.

PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Heitor Dhalia.

A profissão é sempre uma escolha difícil. Porque tem muito a ver com o que você quer de verdade, além claro de mercado de trabalho, grana, etc. A principal coisa é entender o que move você mais profundamente. Sempre quis fazer cinema, mas começei na publicidade. Na verdade, eu sempre quis contar histórias. Minha vocação é o storytelling. Construir narrativas. Curtas ou longas. E isso que faço tanto no cinema quanto na publicidade.

 

PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Heitor Dhalia.

Acho que a definição de se tornar um criativo é quase óbvia. Tem muito a ver com pulsão quase infantil de criar universos imaginários. É um outro tipo de mente, que ou você tem ou não tem. É uma das poucas coisas que é difícil de aprender. Este desejo constante de recusar a realidade e criar outra com regras próprias. É o predomínio da vontade sobre o mundo. Para ser criativo é preciso ter esta vontade.

 

PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Heitor Dhalia.

A pasta é um resumo do que você fez e um indicativo do que você pode fazer. Acho que vale por tudo o que você acredita, do que você gosta de verdade e também do resultado que você conseguiu nas circunstâncias que você teve. A pasta deve ser a plataforma para você mostrar quem você é. Indo você junto ou não. Mas basicamente a pasta é retrato da sua trajetória profissional. Como você quer que este retrato seja? Essa é a pergunta que você deve se fazer.

 

PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Heitor Dhalia.

A vida real é a primeira delas. A melhor e a maior referência de todas. O cinema seria a segunda. E a terceira a internet, em geral. Acho que roubei um pouco no jogo, mas acredito que estas são as grandes referências para todo mundo.

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Heitor Dhalia.

Acho que diria que ele precisa entender se esse desejo ou vocação é real ou não. E depois diria para ele estudar dramaturgia, que é a mãe de todas as narrativas. Que estudasse as artes visuais e nunca desistisse de um sonho, não importando o preço a ser pago por ele. Você tem que amar o que você faz. Esse é o ponto um de todo sucesso profissional.

 




Fabio Seidl
postado em 09/09/2012 @ 22:00

Fabio Seidl é redator da Ogilvy. Carioca, foi diretor de criação da Fischer e da Africa, também trabalhou na WMcCann e na McCann Portugal. Também toca baixo, faz curtas-metragens, anda de skate e sofre pelo Vasco da Gama.


ENTREVISTA.


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Fabio Seidl.

Eu sempre quis isso fazer da vida, desde cedo. Quando eu era moleque, meus pais me colocavam para fazer publicidade como ator mirim. E eu adorava aquilo tudo, para mim já era fugir de uma rotina, era um playground. Ia pro set, via aquele monte de equipamento, conhecia gente famosa. A vida de moleque banguela que ria para a câmera acabou, comecei a prestar atenção nos comerciais que eu gostava, como se fazia, quem fazia. Com 15 anos, antes mesmo de entrar para a faculdade, já estava correndo atrás de estágio. 


PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

 

Fabio Seidl.

Muita gente confunde habilidade técnica e vontade, com a habilidade criativa. Não é a mesma coisa e é fácil se enganar. Você pode ser craque em manipulação de imagem, ilustração, 3D, mas isso não quer dizer que nasceu para ser diretor de arte. Você pode escrever bem seus contos, seu blog, mas isso é só o começo para ser um redator, é preciso outras coisas. 

Talvez cada um acabe recebendo seu "sinal", como você falou, de um jeito. Mas também acho importante se informar bem como funciona a carreira: quanto dura a carreira, a rotatividade do mercado, o dia a dia. Mas a melhor metáfora que já vi para a profissão continua sendo do meu amigo Guilherme Facci, diretor de criação aqui da Ogilvy: estamos num garimpo, e mesmo que a gente ache o ouro, continuaremos lutando na lama.

É isso que você quer? Então seja bem-vindo.


PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Fabio Seidl. 

Tanto faz o que é, desde que seja 3 coisas: original, relevante para a marca, e que seja bem executado, necessariamente nessa ordem. Não basta ser só bem executado, por exemplo. Se você tem a melhor ideia para roteiro ou para promoção de todos os tempos, mas não executou, ela ainda é só uma ideia que pode ficar boa. Por isso hoje, a maioria das pastas se concentram em anúncios e boards de cases. Mas o que a pasta não pode ter, com certeza, é falta de objetividade e de ambição.

A maioria dos caras que olham pastas fazem isso pela internet e não tem muito tempo. Se você tem vários boards cheios de textos enormes, está colaborando para que a pessoa não chegue até o final, onde pode estar aquela puta ideia. E na parte da ambição, sua pasta tem que mostrar o que você pode ser e não só o que você já fez. 


PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Fabio Seidl.

1. O que eu já vivi até hoje. 

2. A vida das pessoas que já conheci. 

3. A vida de pessoas e personagens que eu já li ou assisti.

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


Fabio Seidl.

Ser criativo não é uma escolha, acho. É uma maneira de se relacionar com o mundo. Se ele desde pequeno for criativo, desenhando, tocando, mexendo com argila, escrevendo, eu vou incentivar. Da mesma maneira que se ele tiver muito jeito e gosto para um esporte, vou incentivar o lado atleta dele até onde ele quiser ir. 

Mas eu daria o mesmo conselho que meu pai me deu: faça o que você quiser, desde que faça muito bem feito e nunca se esconda. O mercado não costuma se dar bem com os preguiçosos.

 



Rapha Vasconcellos
Diretor Criativo do Facebook
postado por Pedro Pletitsch - Coordenador em 08/08/2012 @ 23:29

Passando pelos mercados do Rio e Brasília, Raphael Vasconcellos esteve por 12 anos na AgênciaClick Isobar, onde ocupou o cargo de vice-presidente executivo de criação. Foi jurado no Festival de Cannes em 2011 e hoje é Diretor Criativo do Facebook.


ENTREVISTA.


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?

Rapha Vasconcellos:

Começou com uma busca por uma carreira "criativa" junto com um curso superior que me preparasse bem pro mercado. 'Publicidade e propaganda' acabou sendo o caminho escolhido.


PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou "sinais" acha importante para ajudar nessa resposta?

Rapha Vasconcellos:

Acho que está cada vez mais fácil ser um "criativo", muitas carreiras podem servir de inspiração para uma escolha profissional, você não precisa ficar restrito a um caminho dentro de agência de propaganda. Os sinais vêm das aptidões naturais, das atividades que te dão mais prazer no dia-a-dia, mas talvez a coisa mais prática que alguém pode fazer é conversar com profissionais das áreas, seja em eventos ou mesmo mandando aqueles e-mails "cara-de-pau" via LinkedIn. Não existe melhor fonte do que quem está hoje no mercado, podendo dar uma perspectiva melhor das profissões.


PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

Rapha Vasconcellos:

Tudo que der orgulho de mostrar. Hoje as ideias não precisam ficar presas a formatos, pelo contrário: os profissionais criativos buscam nos jovens a perspectiva contemporânea para as ideias. Também vale adaptar a pasta a agência que você vai visitar, procurando conhecer o trabalho que a agência já faz para poder se mostrar como um criativo capaz de se encaixar na equipe atual.


PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?

Rapha Vasconcellos:

Não são necessariamente referências diretas de propaganda, mas sim de inspiração criativa:

- Devour.com

- TED.com

- Art.sy


PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?

Rapha Vasconcellos:

Procurar entender que tipo de criativo ele quer ser. Depois de uma ideia inicial, incentivaria ele a estudar nas melhores escolas e de publicar suas ideias na web, e sempre se fazer uma pergunta fundamental: estou sendo feliz, me realizando profissionalmente? O caminho de qualquer profissional criativo não tem fim, é uma busca constante pela ideia criativa.

 


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